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24 de março de 2011

Austeridade, melhor agora do que tarde.

Ao ler algumas das declarações sobre a queda do primeiro-ministro e o agravamento da crise em Portugal, por um momento chegamos a pensar que entramos no túnel do tempo e chegamos ao Brasil em um futuro nada distante.

http://economico.sapo.pt/noticias/30-reaccoes-a-um-portugal-sem-governo_114193.html

Seguem abaixo alguns dos tickers para os títulos de 10 anos de alguns países europeus com problemas. Repare que já pagam juros reais bem acima do que se paga aqui no Brasil. Só não se sabe até quando.

http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GGGB10YR:IND
http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GIGB10YR:IND
http://www.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GSPT10YR:IND
http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GSPG10YR:IND
http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GBTPGR10:IND

11 de outubro de 2010

Cortejando mercados e ajudando governos ao mesmo tempo

Sabia que a China apoiava o mercado de títulos europeus, mas não tinha ainda ligado as coisas e observado pelo ponto de vista Chinês.

A Europa, ao contrário dos EUA, está seguindo o caminho difícil na crise, fazendo ajustes fiscais e torcendo para que reformas estruturais ajudem no médio prazo. No curto prazo sabemos que, com QE ou sem, não há solução. O euro tem se valorizado porque o ECB, ao menos por enquanto, não está caindo de cabeça na solução mágica de imprimir dinheiro para desvalorizar a própria moeda e ver se a crise vai embora.

Porque diferente dos EUA a Europa tem a crise do Euro, a crise fiscal, e não é louca de entrar em QE porque realizar um calote desses sem muita consequência imediata só mesmo quem controla a moeda de reserva - o dólar.

É neste contexto que a China apóia a Europa, e se dispõe a entrar com o que falta no momento por lá: dinheiro vivo para comprar títulos dos governos europeus. Eles querem outro mercado forte e maduro para levar o mesmo esquema que operavam com os EUA: vocês recebem nossos produtos e nos pagam com títulos da dívida pública.

Aparentemente o que pode ser um arranjo ruim para os EUA pode não ser tão inconveniente assim no atual momento Europeu. Porque o maior problema por lá é o fiscal, e não o das exportações.

17 de maio de 2010

Euro fraco? Bom para os exportadores alemães.

Estava ontem ouvindo mais uma excelente análise do Peter Schiff no YouTube, em que ele comentou o provável caminho de desvalorização do euro, a monetização da dívida pública, termo técnico que descreve o processo de venda de títulos públicos bancados principalmente por 'compras' do banco central, prática conhecida popularmente como 'imprimir dinheiro'. Falou sobre 'moral hazard' e ressaltou que no final a sociedade inteira paga pelas perdas de terceiros, ao ter sua riqueza roubada pela inflação resultante de uma política de relaxamento monetário.

O BCE acenou para esta possibilidade ao garantir que aceitará como colateral, independente de fundamentos, títulos gregos, portugueses e demais títulos de governos europeus. Dizem as leis econômicas, ou melhor, diz o bom senso, que diante desta possibilidade, todos os bancos da Europa vão depositar tantos títulos podres quanto for possível debaixo da asa do BCE.

Mas, pensemos agora, qual será o efeito de um euro fraco para a Europa, dados os fundamentos econômicos dos países-membros? Será que a economia da Grécia vai se beneficiar a curto prazo com um euro fraco? Pode até ser, mas os fundamentos econômicos deste país não vão se alterar significativamente por causa disso. Porque a Grécia não possui tantas exportações, embora seja muito forte no trasporte marítimo. Por outro lado, a Grécia depende bastante do fluxo de turistas, que em sua maioria são provenientes da zona do euro.

Já a Alemanha é um dos maiores exportadores do mundo, e que por causa de sua produtividade maior, é tanto o principal exportador europeu quanto o maior 'exportador' para o mercado interno europeu. Alemães sempre pagaram preços menores na UE, por terem uma disponibilidade maior e mais competitiva de produtos de qualidade. Quem tem parentes ou amigos morando na Alemanha pode comprovar isso na prática.

Na prática o euro na Alemanha em termos de poder de compra sempre valeu uns 10% a mais. E na Espanha, Irlanda, Portugal, uns 20% a menos. É quando a realidade começa a entrar em choque com as hipóteses de mobilidade de produtos, empresas e mão-de-obra que os economistas assumem válidas na união monetária...

Resumindo, até agora a Alemanha foi a locomotiva da Europa, com grande exportação de produtos de alto valor agregado, como máquinas industriais. Este é um setor que se contrai bastante em uma crise, pois está mais distante de produtos finais na estrutura de produção. Mas a queda do euro vai efetivamente estimular este setor, bem como outros setores exportadores da Alemanha.

Alguns comentaristas apontaram que haverá deflação forte pela primeira vez na Espanha, Grécia. Isto é verdade. Mas não estou convencido que o pacote seja tão deflacionário assim. Porque precisamos ver o que vai acontecer com a oferta de crédito na Alemanha e outros países do centro. Se durante a fase de fundação do euro o crédito saiu do centro para o sul da Europa, agora é provável que este crédito invista mais nos países do centro, bem como nos mercados emergentes.

O sul da Europa teve seu maior influxo de capital em décadas. De agora em diante é só aperto para eles.

14 de maio de 2010

O ataque dos lobos especuladores

Na figura acima, vemos dois líderes europeus mostrando como é possível domesticar estes animais tão arredios.

Paul Volcker dá sua opinião sobre o euro

Paul Volcker, o conselheiro 'durão' de Obama, responsável por salvar o dólar e curar a duras penas os EUA da estagflação dos anos 80, deu seu comentário sobre o euro hoje em uma entrevista.

Salientou a falta de incentivo que os países-membros possuem de seguirem em um caminho de austeridade fiscal, o que aumenta o risco de uma desintegração do euro.


13 de maio de 2010

Rumo aos Estados Unidos da Europa

Um blog da Economist que monitora a UE publicou a melhor análise até agora, na minha opinião, sobre o pacote europeu.

A parte mais interessante dá uma noção do que está reservado para o futuro da Europa.

As autoridades francesas principalmente, e com alguma relutância as alemãs, concordaram em criar um 'veículo de crédito especial' - Não chame de fundo do euro, ou os alemães vão ficar muito irritados, diz a revista - que dará garantias aos títulos com problemas. Mas a idéia é começar a oferecer no mercado uma espécie de 'título da dívida européia', embalado, para que os 'lobos' investidores não separem os mais fraquinhos do bloco para a carnificina. Vão ter que brigar agora com 'mamãe europa', uma criatura mítica de origem frango-belga-germânica.

Está sendo uma briga para ver que órgão vai controlar este fundo.

Foi realmente baseado no artigo 122 sobre catástrofes e outros 'eventos fora do controle'.

O texto original menciona também a criação de um imposto global sobre transações no mercado financeiro. O ranço anti-mercado está ficando muito forte.

O mercado financeiro, muito atacado pelas autoridades européias, é chamado de 'lobo especulador' quando aposta contra o euro, e é chamado de 'mercados internacionais' quando colabora, e, por exemplo, investe neste novo euro-fundo. Estão se organizando rapidamente para patrocinar uma agência de avaliação de risco européia, para que possa ser controlada com mais facilidade do que Moody's e Standard & Poors.

A conclusão política disso tudo é sinistra para a Europa. As autoridades da UE se recusam a reformar o euro de maneira que possa ser usado por nações autônomas e soberanas. Se recusam a ouvir os mercados. Se recusam mesmo a encarar seus defeitos. Na opinião deles, o euro é perfeito, pois o objetivo destas elites políticas é a formação dos Estados Unidos da Europa.

A Grécia perdeu sua soberania fiscal e será uma espécie de protetorado europeu, no que tange seu orçamento. O mesmo acontecerá com outros estados com problemas. Isso é algo extremamente controverso.

Durante muitos anos a UE propiciou muitas vantagens para os europeus, principalmente por causa do mercado comum e da moeda comum. Mas acredito que a grande maioria dos europeus não deseja uma UE mais forte do que os estados membros, e é exatamente isso que eles vão acelerar agora.

Se um país-membro não concordar com as novas condições, estará 'livre' para abandonar o euro e entrar em colapso fiscal.

Já posso imaginar multidões daqui há alguns meses marchando contra as reformas da UE, queimando bandeiras azuis, vilificando a UE da mesma maneira que o FMI, com muito menos razões, foi vilificado na América Latina por impor contrapartidas de austeridade fiscal a quem recebia seus empréstimos.

Outra reação possível é na Alemanha, com a população se recusando a sustentar os países com problemas apenas para satisfazer as ambições políticas sem limites dos euro-políticos.

11 de maio de 2010

Problemas de família

Sabe aquele seu primo enrolado que vive precisando de dinheiro?

Durante uns anos ele recebeu mesada da família para estudar, viajar, se especializar. Os outros membros da família, que sempre trabalharam desde jovens, queriam que este primo tivesse melhores oportunidades na vida. Ninguém sabia direito como é que ele ganhava a vida, mas durante um tempo parecia que ele estava indo bastante bem.

Mas aí veio a crise, e ele perdeu o emprego e não consegue mais financiamento para sustentar o padrão de vida ao qual estava acostumado.

Sem ter a quem recorrer, ele propôs que você assine como fiador do apartamento dele e das contas dele, e você aceitou, junto com outros membros da família.

Em contrapartida, esse primo se compromete a, de agora em diante, viver com parcimônia, se dedicar a conseguir um bom emprego...

10 de maio de 2010

De onde vem o dinheiro para o pacote europeu?

O Financial Times tem uma apresentação explicando que saem :

440 BN euros de empréstimos bilaterais e garantias dos países da zona do euro que seguram a dívida dos PIIGS em caso de default,

60 BN de euros dos demais países que não adotam o euro mas estão na EU, através do sistema de balanço de pagamentos,

E 250 BN de euros do FMI ( inclusive com uns 150 milhões patrocinados por você, contribuinte brasileiro ).

Então na prática isso quer dizer o seguinte. Governo da França e Alemanha e demais países fizeram uma reunião de cúpula, e em caráter emergencial, sem aprovar isso em nenhum parlamento, entraram como fiadores dos títulos gregos, portugueses, espanhóis, irlandeses... Socializaram o risco dos PIIGS com o pagador de impostos destes países.

Os países do centro do euro tem baixo risco, e podem vender seus títulos no mercado a 3-4%, e agora vão repassar esse custo menor para os outros de alto risco, que conseguiam apenas crédito a 6%,8%,10% ao ano.

Outro efeito deste alto risco dos títulos dos PIIGS é que estes títulos estavam deixando de ser aceitos pelo ECB como colateral no sistema monetário do euro. Isto significa que estes países na prática iam ser cortados do sistema monetário europeu - porque os bancos desses países majoritariamente tem como reservas esses títulos.

Aí o ECB foi pressionado para mudar as regras e aceitá-los na marra. E agora, pelo que entendi, vai aceitá-los para sempre.

Quer dizer, um banco europeu deposita como reservas no ECB títulos de má qualidade, que são tratados da mesma maneira que títulos alemães. É parecido com o que o Fed americano fez, ao se encher de papéis podres dos bancos americanos.

As consequências desse novo arranjo para a Europa são bastante grandes.

Pacote de meio trilhão de euros na União Européia

Os políticos da União Européia concordaram em um plano de emergência improvisado no final de semana para colocar um basta nos 'ataques ao euro' promovidos por 'lobos especuladores'.

Fizeram a única coisa que governos podem fazer numa situação destas: intervenção maciça no mercado, com o propósito de fazer quem apostou contra o euro perder muito dinheiro. Isto será feito com um volume enorme de meio trilhão de euros. E o ECB foi completamente rebaixado no processo, mostrando que quem controla o euro por trás dos panos são mesmo os políticos europeus. Isto abala a confiança no euro no longo prazo. Mas foi uma decisão fácil, pois simplesmente não haveria mais 'longo prazo' para o euro.

Este pacote no contexto da UE não pode ser feito sem muitas gambiarras, que serão contestadas veementemente nos países-membros. Sem poder obrigar os países-membros a pagar a conta de outros, por exemplo, os políticos da EU invocaram o artigo 122, que diz que 'países-membros com desastres naturais ou dificuldades excepcionais além de seu controle' podem receber assistência financeira. Será que uma deterioração fiscal é agora algo além do controle do governo?

Artigo 122 do Tratado de Lisboa

Isto pode causar uma verdadeira ascenção na Europa de políticos nacionalistas. No Reino Unido este movimento é articulado e muito forte. E, como se sabe, o UK não adota o euro. E, acreditem ou não, todos os países serão 'convidados' a botar a mão no bolso e colocar bilhões para ajudar neste fundo. Mesmo os que não usam o euro.

Nigel Farage, do UK indepence party, fazendo troça do aniversário de 10 anos do euro. 'É melhor vocês celebrarem este, porque pode não haver um próximo aniversário de 20 anos'.
http://www.youtube.com/watch?v=5DlVFKBwbuU

Neste discurso, o mesmo líder do UKIP chama o presidente da UE de 'um burocrata bancário de baixo escalão'. O discurso é agressivo, mas correto ao apontar a legitimidade popular precária que estas instituições européias tem para justificar sua preponderância aos círculos políticos nacionais.
http://www.youtube.com/watch?v=bypLwI5AQvY&feature=fvw

A situação do Reino Unido é bastante delicada. As eleições não foram decisivas, com nenhum dos partidos obtendo uma vitória clara. Eles possuem problemas fiscais muito grandes, herança maldita dos governos trabalhistas. Porém, um dos países mais endividados dos PIIGS, como vimos em artigo anterior, é a Irlanda. Certamente vão pensar melhor, pois se a Irlanda quebrar, atingiria em cheio o sistema bancário britânico, mesmo sem estar no euro.

Por aí já dá para termos uma idéia de como o debate político vai esquentar na Europa. E enquanto nos países doadores os políticos serão completamente execrados pela população, na Grécia e outros países, continuaremos vendo protestos nas ruas com grande tensão política, se recusando a abrir mão de direitos adquiridos.

Os porquinhos, por enquanto, fugiram da casinha de palha para a casinha de madeira... Ganharam um tempo. E o vento, quando recomeçar, irá soprar em todo mundo...

7 de maio de 2010

A teia da dívida européia

O NYT fez um grafo mostrando quem deve para quem no seguinte link

Várias observações saem de uma análise deste gráfico:

- Muitos títulos da Grécia foram comprados em Portugal.
- Mas muito mais títulos portugueses estão nos bancos da Espanha.
- Irlanda e UK tem laços históricos e a Irlanda tem, relativamente, a dívida maior de todas.
- A França investe pesadamente na Itália.

Em cima destes dados, eu montei a seguinte tabela

debtor \ creditor
UK
France
Germany
Italy
Spain
Ireland
Portugal
Greece
Greece
15
75
45
7
1
10
8
0
Portugal
24
45
46
7
86
5
0
0
Ireland
188
60
184
18
16
0
22
1
Spain
144
220
240
31
0
30
28
0
Italy
77
511
190
0
47
46
5
1

Usei os seguintes dados de GDP

Billions of $
UK
France
Germany
Italy
Spain
Ireland
Portugal
Greece
Nominal GDP ($)
2183
2670
3300
2118
1464
227
227
330

E calculei a soma cumulativa do percentual de dívida em relação ao PIB, seguindo a seguinte ordem de default:

Grécia -> Portugal -> Irlanda -> Espanha -> Itália



Percentage on creditor GDP
UK
France
Germany
Italy
Spain
Ireland
Portugal
Greece
Greece defaults
0.69%
2.8%
1.36%
0.33%
0.07%
4.4%
3.5%
-
followed by Portugal
1.79%
4.49%
2.79%
0.66%
5.94%
6.6%
3.5%
0
followed by Ireland
10.4%
6.4%
8.3%
1.51%
7.04%
6.6%
13.22%
0.3%
followed by Spain
15.6%
14.9%
15.6%
2.9%
7.04%
19.8%
25.5%
0.3%
followed by Italy
19.1%
34.1%
21.3%
2.9%
10.25%
40.0%
27.7%
0.6%

A tabela deve ser lida da seguinte maneira: Se a Grécia entrar em default, e causar a quebra de Portugal, a dívida com credores irlandeses representará 6.6% do PIB da Irlanda. Caso a Irlanda quebre, o efeito de todas estas quebras nos credores do Reino Unido será equivalente a 10.4% do PIB britânico.

6 de maio de 2010

A Grécia é apenas a ponta do iceberg

Artigo do Nouriel Roubini, economista de mão cheia e profeta do apocalipse, traduzido para o português pelo Estadão.

5 de maio de 2010

Mercados com forte queda na europa

O euro hoje continua despencando, e o mercado absorvendo a crise grega, possível contágio para Portugal e Espanha, e uma deterioração dos fundamentos do euro, como explicamos na matéria anterior.

Mas olhando o índice de volatilidade ^VIX vemos que ainda falta muito para comparar com o que aconteceu em novembro-2008.

5 de abril de 2010

Mais um artigo do FT sobre a crise grega



'Me arrico a fazer duas previsões. A Grécia não vai entrar em moratória este ano ( a dívida de curto prazo foi rolada a 6% ). A outra previsão é, que a Grécia deverá ter que entrar em moratória em algum momento, por causa da dinâmica da dívida pública e do processo de deflação que ocorrerá na Grécia se se mantiverem dentro do euro.


A conclusão é pessimista. Fazendo uma simulação, Wolfgang Münchau enumera as futuras alternativas do estado grego, nenhuma delas muito fácil no longo prazo.

http://www.ft.com/cms/s/0/372886dc-400d-11df-8d23-00144feabdc0.html

8 de março de 2010

Toma forma proposta de 'FME', um 'fundo monetário europeu'

Mais uma vitória da política e das necessidades práticas de se consertar uma coisa que já começou errada. A iniciativa ganha impulso político sem apoio do banco central europeu. A alternativa seria inimaginável para os europeus: países em má condição fiscal tendo que deixar o euro e causando uma situação semelhante ao que aconteceu no Brasil e Argentina no final dos anos 90, quando as moedas saíram da paridade com o dólar.

http://www.nytimes.com/2010/03/09/business/global/09iht-euro.html

23 de fevereiro de 2010

Grécia ameaça mais que o Euro

Mais um artigo sobre a crise européia e seus efeitos na UE.

Em resumo, aponta, como já é comum em outros artigos, o grande erro que foi formar uma união monetária sem ter uma união política.


But there is no sign of any such move. Europe is stuck. So what has gone wrong? The problem is that the “economics first, politics later” method is almost Marxist in its assumption that economics will inevitably dictate a particular political response. But democratic politics involves choice.

Comento: Não vejo problema nenhum com uma ênfase na integração econômica da europa. O problema está na moeda fiat. A moeda fiat carrega em si os genes da organização estatal. O melhor nome para uma moeda deste tipo é extamente este: moeda estatal. Infelizmente o culto ao estado já é tão legitimizado que poucos se apercebem destas incongruências.

É impossível ter uma integração econômica livre e soberana através de uma moeda estatal criada por uma colcha de estados diferentes. Aí sim, seria necessário uma integração política - indesejável, para a maioria dos europeus. O euro tem um problema fundamental de design. Não sei se é possível consertá-lo. Não sei se é possível ter uma união monetária fiat. Duas possibilidades já foram testadas pela realidade: moeda baseada em commodity (ouro) ou uma europa sem moeda comum, com cada país emitindo a sua moeda.

O euro está sendo testado agora. E parece que não se sustentará.

22 de fevereiro de 2010

Link para artigo do Geoge Soros sobre o Euro

Estou lendo o novo caderno econômico do Estado online. Ótimo conteúdo em português, e o acompanhamento do que estão falando nos jornais internacionais importantes.

O blog do Sívlio Crespo salienta hoje este importante artigo no FT onde Soros nos diz o que pensa sobre o Euro. Aquilo que já comentamos: aos poucos se começa a discutir as tecnicalidades do euro, e o retrato não é bonito. Isto, uns anos atrás, era unicamente discutido pelos 'euro-céticos', a turma eternamente 'do contra', o que agora se vê, é que estes argumentos mereciam mais atenção dos economistas do mainstream...

11 de fevereiro de 2010

Um presente de grego

Os manda-chuvas da UE decidiram ceder à pressão e oferecer um pacote de ajuda à Grécia, cujos termos ainda não são conhecidos.

Será que deveremos aguardar, na próxima semana, um pacote português, espanhol, britânico, italiano? É um problema de moral hazard complicado. Especialmente quando alguns governos destes países iniciavam reformas dolorosas e necessárias, difíceis de serem defendidas perante à opinião pública.

O problema da UE continua sendo que não há um plano de escape para SAIR do euro. Cada país que arriscar um desacoplamento, será a mesma estória.

Por causa do moral hazard, Bruxelas deverá impor alguma penalidade a quem precisar de ajuda. Provavelmente menos autonomia e mais gerência européia nas contas da nação em problemas, bem mais do que a pressão exercida por FMI.

Isto alteraria um dos princípios da UE, de gerenciamento de contas independentes entre as nações membros. Mas parece ser uma decorrência. Não é possível ser salvo pela Alemanha e continuar independente.

Por outro lado, os políticos dos países que resgatam também vão ser alvos de grandes críticas. Seus eleitores não ficarão nada contentes
em ter que trabalhar duro para pagar pelos erros dos outros.