29 de março de 2010

Dilma critica 'neoliberalismo' e exalta o 'estado indutor'


A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou a criticar o governo anterior em seu discurso na cerimônia de lançamento do PAC 2. Ela disse que, no Brasil, existiram três modelos de Estado. O primeiro, na década de 50, era o Estado produtor, que atuava diretamente na economia e às vezes era autoritário. O segundo "foi o Estado mínimo do neoliberalismo que nos antecedeu". O "Estado do não", enfatizou. "Não havia Planejamento estratégico, não havia crescimento de investimento público e não havia parceria com a iniciativa privada". "Foi um Estado omisso", acrescentou.

O terceiro modelo do Estado brasileiro, segundo a ministra, foi implantado durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. "É o do Estado indutor, regulador, que cria condições para que os investimentos sejam feitos e cobra". Segundo a ministra, esse modelo respeita a iniciativa privada, não abre mão do desenvolvimento, mas garante a estabilidade macroeconômica. A regra central, segundo a ministra, é que o desenvolvimento ocorra com distribuição de renda. "Três expressões renasceram no governo Lula: planejamento, investimento e desenvolvimento com inclusão social. Deixamos para trás décadas de improvisação".

Comento: Observa-se na verdade apenas dois modelos. O da década de 50, ao qual Dilma quer retornar, é aquele no qual o estado gastava os tubos para realizar os projetos desenvolvimentistas dos seus idealizadores. O que, por sua vez, levou a uma total crise fiscal. O que, por sua vez, nos levou à hiper-inflação, que é como um estado quebrado paga as suas contas.

Finalmente, com Fernando Henrique e seus antecessores passamos por uma época bastante conturbada de ajustes fiscais, no qual medidas liberalizantes fizeram parte. Sem isso, o estado jamais poderia rolar sua dívida sem recorrer ao truque diário da hiper-inflação. E o mais irônico é que sem estes ajustes liberais eles não teriam grana hoje para fazer demagogia e plano de metas no estilo anos 50.

E depois das crises asiática e do México, depois da quebra da Argentina, veio o mega-boom, no qual o Brasil entrou atrasado. E agora estão podendo gastar os tubos novamente. Para quem sabe, daqui a uns meros 10 anos, as contas públicas entrem em um colapso total que forcem mais um ciclo de reformas.

Moral da estória: lucrar e gastar com os ajustes feitos pelos outros e falar mal do 'neoliberalismo' é fácil. O PT, sabendo que a maioria da população é ignorante, não se preocupa com questões fiscais, vende uma idéia insustentável do estado gastador sem peso na consciência. Porque quem paga imposto conscientemente por aqui é uma minoria.

Um 'estado indutor' seria um estado que colocasse as regras do jogo para a iniciativa privada entrar. Parece que é esse peixe que ela quis vender. Mas o governo deles passou muito longe disso, pois a tentação do petista governar como uma junta militar é muito grande. E inclusive regulando costumes e liberdades pessoais, que os militares faziam em nome da 'moral de dos bons costumes'. Um retrocesso e tanto.

Muita gente ficou rica na época com contatos entre empresas e governo autoritário, e não tenho dúvidas que este é o modelo almejado pelo PT.

Um comentário:

Andrey disse...

Como já falei, o PT nao passa de um Freerider, porém, quero ver quando eles precisarem fazer ajustes como foi feito anteriormente. sera que farão, ou terão de recorrer ao FMI novamente pra cobrir os rombos que estao ano a ano fazendo.