27 de março de 2012
Os ingratos operários da inovação cruzam os braços
Os estudantes pedem aumento de 40%.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,alunos-de-pos-convocam-greve-nacional-para-cobrar-reajuste-nas-bolsas,854142,0.htm#
Pois podem parar permanentemente. E se juntar à força de trabalho que sustenta suas bolsas.
Enquanto em muitos países é preciso pagar para estudar, aqui o pagador de imposto, que na média não tem nem o curso superior, precisa patrocinar completamente os estudos avançados dos nossos doutores.
Estes não só não pagam, como ainda desfrutam de uma bolsa, que alguns pensam que é salário, ou que deveria ser.
Como retorno à sociedade, longos currículos Lattes e trabalhos com relevância e qualidade para lá de duvidosa, em sua grande maioria.
5 de março de 2012
Pirataria no Brasil não perdoa mais nem presente de criança


3 de março de 2012
O bispo e a grande fábrica de minhocas
24 de janeiro de 2012
Papagaios federais
23 de setembro de 2011
O erro crasso do general genovês
A medida dificultando o hedge cambial foi duramente criticada nos mesmos dias em que foi anunciada, por gente que entende do assunto. Mas o que interessa?
Os usurpadores do trono não ouvem a ninguém, atiram nos mensageiros e declaram guerra sem antes consultar aos estrategistas.
Seguem apenas o conselho de um certo general genovês, da escola de guerra heterodoxa, que não aguentando o clima de paz entediante sobre o reino, abriu a barriga do pombo e rufou os tambores da guerra.
Logo na primeira batalha, cometeu mais um de seus erros CRASSOS.
Achou que o inimigo jamais chegaria pelo outro lado, dispensou a cavalaria porque não gostou do odor do que os cavalos dos mercenários exalavam. Era um grande problema. Para que precisamos desses mercenários, que lutam por dinheiro e uma hora estão de um lado e outra do outro?
Abriu nosso flanco. A tempestade chegou e nas primeiras saraivadas o real foi trucidado.
Sem poder contar com os mercenários, começou a sangrar imediatamente a cavalaria da reserva oficial, tentando parar aos gritos a debandada das tropas. O forte do general genovês é a improvisação. Vamos ver nos próximos dias mais episódios desta batalha
10 de maio de 2011
Como evitar a inflação da era Lula
Pensei que demoraria alguns meses até chegarmos a este tipo de sugestão, extraído de um comentário do blog do Kupfer:
http://blogs.estadao.com.br/jpkupfer/o-preco-dos-servicos/comment-page-1/#comment-32677
"Na componente da inflação provocada por serviços vejo pouco a fazer pelo governo. Depende mais é da mentalidade da população. Nem sequer serve de desculpa para aumento da tx Selic.
O(a) sujeito(a) vai precisar admitir cortar o cabelo sem aquela lavagem extra com os aditivos etc. ou então procurar um outro salão ….mais em conta.
Se o dentista está cobrando muito mais caro ele não tem motivos mesmo que use material importado pois o dólar está baixo ….será exploração mesmo! Ídem ao médico que nem material usa…."
...
Não compre o adiável e quero ver como o médico, dentista, etc. vão pagar o aluguel do consultório, da secretária, condomínio, etc. Vão ter que baixar.
Quanto a profissões como mecânicos, eletricistas, etc…vale a concorrência e a pechincha.
____________________________________________________________________________________
O corte de cabelo de 10R$ entrou para a história, assim como o frango de 1 R$ e a nota de 1 Barão?
Sem problemas! Pegue a tesoura que o seu filho usava na aula de artes antes do aperto do orçamento doméstico. Você apenas precisa comprar um espelhinho na Casa China por apenas 5R$ e treinar na frente dele o seu próprio corte de cabelo!
Demora um tempo para ficar direito nas primeiras vezes, mas neste momento em que especuladores conspiram para trazer de volta o dragão da inflação, é justificável reduzir gastos com aparência e com serviços supérfluos.
Para que gastar com dentista? Com um rolo de barbante de 2R$ da Casa China você tem estoque o suficiente para muitas consultas! Basta usar uma maçaneta, um veículo, tente várias combinações, improvise, e se surpreenderá com o resultado.
Também serve para reduzir os custos de manutenção com o automóvel. Um pouco de Super-Bonder ( versão genérica da casa China ) e uns esparadrapos, e o seu carro zero comprado na era Lula vai funcionar por muitos anos! Talvez você até use ele, para se locomover até o banco e pagar a última prestação.
Alguma parente de idade avançada faleceu e você precisa de serviços funerários? Dado o atual panorama macroecônomico, que apesar de absolutamente sob controle sofre a ação de alguns oportunistas, o que que poderia criar um quadro inflacionário pressionado por maior demanda, não estivesse o governo tão vigilante, não seria o caso de esperar uma oferta melhor para enterrar a velhinha como ela merece?
Vá até a casa dela. No quartinho dos fundos você vai encontrar um artefato muito utilizado pelas famílias brasileiras nos anos 80. Se chama FREEZER HORIZONTAL CONSUL. As famílias brasileiras usavam este dispositivo para armazenar mantimentos no início do mês.
Coloque a velhinha dentro e diga com orgulho : TEM QUE DAR CERTO ! EU SOU FISCAL DO SARNEY!
31 de março de 2011
Banco Central de volta para o passado
Os analistas e palpiteiros econômicos que acreditam que um pouco de inflação seja bom para o crescimento estão vibrando com esta notícia. Bem como aqueles partidários que acham que a missão do atual governo é elevada demais para ser abortada por problemas de caixa. Frequentemente, estes dois conjuntos se intersectam.
Conseguiram o que sempre pediram: taxas reais negativas. Veja manchete do estadão hoje, inflação supera todos os investimentos no trimestre.
http://economia.estadao.com.br/noticias/suas-contas+brasil,inflacao-supera-investimentos-no-ano,not_60986,0.htm
Eles acreditam que a missão do BC não é parar de imprimir dinheiro, e sim deixar a máquina rodando 24 horas por dia e irem se preocupar com outras coisas. Para que meta então? É uma mudança total no rumo do BC, que efetivamente saiu da frente dos planos políticos do governo, rasgando uma credibilidade adquirida recentemente a um custo elevado.
O IGP-M está em 11% e mesmo o 'core inflation' do BCB se continuar como está chega o final do ano em 10%. Mas aí eles aumentam o salário mínimo em 12% e fica tudo por isso mesmo. Vão empurrando com a barriga até o país quebrar.
Os brasileiros leigos - e bota leigos nisso - ACREDITAM em um governo de picaretas, que obviamente atropelou o BC. Ministros sem nenhuma seriedade como este Sr. Mantega conseguiram o que tanto queriam: que o Brasil e o Real entrassem na 'guerra monetária' onde os governos irresponsáveis e seus eleitores infantilizados se recusam a admitir a péssima situação em que suas nações se encontram, e sem poder encarar a crise de frente, querem desvalorizar e destruir a credibilidade de suas moedas ainda mais rápido do que os seus pares.
Nós não precisávamos disto. Mas o governo sim.
Quando os preços começarem a aumentar, eles vão culpar o mercado, os especuladores, os lojistas, etc. Isto tudo é bem repetitivo, é sempre a mesma coisa. Se bobear vão até colocar o Banco Central e a Fazenda para vigiar preços e microgerenciar o mercado. Aliás, não podemos esquecer o controle governamental sobre o preço da gasolina, que não deixou que o aumento do petróleo chegasse no IPCA. Porque com o reajuste da gasolina o índice já teria batido nos 7%.
26 de março de 2011
Governo quer aumentar IOF em compra no exterior para mais de 6%
"O governo monitora e adota medidas se perceber distorções e excessos", disse ontem o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel.
Distorções e excessos por parte de quem? Porque o governo não cuida de suas contas e nos deixa em paz? Se eles estão com medo de uma vulnerabilidade maior das contas deles por causa dos fluxos externos, porque não equilibram suas contas? Como sempre, eles preferem controlar as nossas.
Parece ser uma medida bastante confusa, porque se desestimulam o consumo do brasileiro no exterior - incluindo aí, não esqueçamos, todo o comércio online com lojas no exterior - como é que o real vai parar de se fortalecer em relação ao dólar? Não é outra das intervenções favoritas do governo?
Aí eles inventam outra medida para 'corrigir excessos', por exemplo, pegando todos estes os bernankinhos que estão entrando a rodo e dando para seus industriais preferidos comprarem empresas no exterior. Aí pode, não é sr. Tulio Maciel?
Mas, enquanto a gente discute, previsão de mais 400 milhões nos cofres do governo, que é o que interessa pra eles.
3 de março de 2011
O fim do desenvolvimentismo está próximo
Linhas de crédito que disponibilizam para as empresas brasileiras taxas abaixo da inflação para a compra de equipamentos, expansão de fábricas e outros projetos. O governo bem que tenta o discurso da austeridade. Mas nossa realidade econômica hoje não se sustenta sem estímulos artificiais. O surto desenvolvimentista que tomou o país é um pouco melhor do que o insustentável subsídio americano à habitação que gerou o subprime, porque por pior que seja a qualidade do gasto estatal, ao menos é um gasto em produção. Mas também isso não o livra das mesmas distorções.
Com uma economia completamente viciada nestes estímulos artificiais, o prospecto para as empresas brasileiras nos próximos meses é de grande euforia e forte crescimento. Porém um crescimento de má qualidade, com alto custo pelo benefício e que custará bastante caro no futuro, com a saturação dos mercados anos lá para a frente, sem nem entrar no problema da pressão inflacionária que já se faz sentir agora mesmo.
Um belo dia o tesouro não terá mais 50 bilhões para renovar os programas de estímulos artificiais. Um belo dia empresas brasileiras terão que conquistar mercados e fazer uma venda sem subsídios, e competindo com o mundo todo de igual para igual, sem contar com uma das maiores barreiras tarifárias do mundo. Terão que conquistar mercados externos para recuperar a desaceleração do mercado intero, e o terão de fazer baseados exclusivamente no mérito e no custo-benefício de seus produtos e descobrirão que suas vendas serão uma fração do que foi nos anos de estímulos, nos anos em que 'o melhor banco do mundo' estava operando em velocidade máxima.
Descobrirão que há pouca demanda externa para produtos industriais brasileiros, em geral caros e de qualidade pior. O mercado interno se retrairá, haverá cortes de produção, redução de investimentos, projetos inacabados, muitas demissões, o que retro-alimentará o quadro negativo para as contas nacionais em outras frentes, como o aumento do gasto com seguro-desemprego, e a perda por parte dos órgãos estatais dos recursos do FGTS.
Um belo dia - nada distante - não haverá mais como cobrir déficits da previdência, aumentar SM, aumentar Bolsa-Família e o bolsa-empresário do BNDES, tudo ao mesmo tempo e em progressões geométricas. Caminhamos para um quadro de total falência das contas públicas, e o governo aparentemente sabe disso e busca minimizar o impacto e tentar desarmar este mecanismo, antes que aconteça e promova uma versão tupiniquim do que acontece no mundo árabe. A perda do controle do governo sobre a sociedade é o pior que pode ocorrer para qualquer governo, especialmente este, que provavelmente não planeja se aposentar tão cedo.
Entretanto isto é que pode acontecer, a menos que da cartola do governo periodicamente saiam centenas e centenas de bilhões para cobrir todas estas demandas, ano após ano. Não parece ser o caso nem mesmo agora, já que o BNDES está sendo capitalizado com ações da Petrobrás.
17 de fevereiro de 2011
Efeitos colaterais dos aumentos reais no salário mínimo
A constituição de 88 entre outros problemas a longo prazo para o país estipulou que o SM serve para indexar o programa de auxílio a quem jamais contribuiu no sistema de previdência. Isto não é pensão, mas sim caridade estatal (LOAS), e deveria ser sujeita a outros critérios e reajustada de acordo com as possibilidades, e não indexada. É uma quantia bastante elevada, mesmo comparando com a quantia equivalente oferecida em países da Europa.
A outra distorção é o aumento do valor mínimo das pensões do INSS. O camarada pagou 300 R$, mas recebe 500 R$, obviamente não há possibilidade alguma de um sistema desses absorver sucessivos aumentos reais do SM. Como os pensionistas do INSS sabem bem, se a sua pensão é acima de 1 SM os reajustes não são automaticamente indexados ao SM, assim como na economia real o SM não faz diferença para aquelas áreas acima do SM, e apenas serve para destruir vagas formais de emprego abaixo do SM. Qualquer economista sério sabe o efeito do SM na economia, e porque os sindicatos curiosamente se preocupam tanto com ele, já que seus membros ganham acima do SM.
A famosa frase do Samuel Pessoa eu leio assim: se me dissessem há 14 anos que o Brasil ia entrar na bolha econômica mundial e ia poder pagar por tudo isso durante algum tempo, eu também não iria acreditar. O governo Dilma está obviamente limpando o lixo tóxico que o chefe deixou e se preparando para o pior. Porque o Brasil seria apenas mais um país em crise fiscal caso sejamos surpreendidos pelos desenlaces da crise mundial, caso nada seja feito agora. E eles sabem que nessa situação a popularidade despenca tão rápido quanto subiu.
24 de janeiro de 2011
Protecionismo dificulta pesquisa tecnológica no Brasil
Presidente do CNPq:
Estamos tomando medidas para mudar isso. O Importa Fácil tem etapas e, se você estiver treinado nessas etapas, é fácil. O único problema é que só pode ser feita a importação pelos Correios. Se tiver treino e não esquecer nenhum papel, é fácil. Estamos preparando um curso de educação à distância, de no máximo uma hora, para ensinar a fazer uma importação. Mas fazer importação no Brasil é, muitas vezes, mais difícil que nos Estados Unidos. Isso porque temos uma lei de 1990 que dá isenção de taxas e impostos à importação para pesquisa. Se por um lado é bom, porque te permite comprar mais coisas com o mesmo dinheiro, é a razão de tanta burocracia. Nos EUA não tem dispensa de imposto. Por isso há empresas especializadas em importar para fornecer material aos pesquisadores.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,e-preciso-promover-pesquisa-nas-empresas,669760,0.htm
Comento:
Muito da nossa burocracia se explica pelo protecionismo brasileiro. Para estimular a indústria eles colocam uma muralha em volta do país, e assim somos sempre os últimos a adotar as novas tecnologias, os últimos a ficar sabendo, e no final os que pagam mais caro por ela.
Isto atinge o astrônomo amador, o fotógrafo, o cientista do CNPq, o viciado em tecnologia que desenvolve aplicativos e quer obter sempre os últimos gadgets, que por aqui são tarifados abusivamente.
E afeta até mesmo as próprias indústrias abaixo da cadeia que precisam comprar de fornecedores locais máquinas e componentes piores e mais caros, ou então pagar os impostos abusivos e empregar gente cuidando de importação de componentes, e lidando com as inúmeras surpresas da receita federal.
Este sistema afeta todo mundo, na verdade, até chegar ao consumidor final que compra um produto com tecnologia de 5 anos atrás recém lançado no Brasil pagando o dobro do preço lá de fora. É um sistema que não funciona e que funciona particularmente mal na área de tecnologia.
3 de dezembro de 2010
Brasil acorda para a real situação da expansão do crédito ao consumidor
A evolução da notícia aqui dentro:
"Dilma deve tirar Meirelles do BC
para reduzir juros, diz jornal"
"Setúbal descarta bolha e vê crédito no Brasil crescer por alguns anos"
"Não existe bolha de crédito no Brasil" José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse
Aí depois de uma semana:
"O Brasil corre o risco de passar por uma bolha de crédito?"
Aí um dia depois
"Aperto monetário visa evitar bolha no crédito, diz Meirelles"
Senhores passageiros, apertem os cintos! A conta vai chegar
11 de novembro de 2010
O que a imprensa nacional não disse sobre o caso Panamericano
Aí, surpresa, a cavalaria aparece e o estado compra o Banco Votorantim, a Caixa compra metade do Panamericano, deixando o controle na mão de um genro do Sílvio Santos formado em Educação Física.
http://blogs.ft.com/beyond-brics/2010/11/11/panamericano-affair-turns-spotlight-on-brazils-credit-boom/
http://blogs.ft.com/beyond-brics/2010/08/12/consumer-defaults-on-the-rise-in-brazil/
18 de outubro de 2010
A reforma da grande pirâmide
http://en.wikipedia.org/wiki/Caritas_(Ponzi_scheme)
O governo da Romênia resisitiu a atacar este esquema de pirâmide com medo de protestos e da impopularidade. Soa familiar.
As pessoas adoram bolhas e pirâmides, esta é que é a realidade. Não há nenhum investimento real que chegue perto do retorno oferecido pelas pirâmides em seu começo.
O sistema de pensões é o maior esquema de Ponzi do mundo, deixa Maddof e Ponzi no chinelo, e causa grandes decepções em quase todos os países onde foi implantado e reformado com seus sucessivos remendos. Entretanto, quando foi implementado - no começo da pirâmide - fazia a alegria geral dos políticos e da população da época, que resolveram um problema prático sem gastar nada.
Em uma discussão em um espaço no blog do Kupfer coloquei algumas opiniões e conclui, no final, que no Brasil o sistema de pensões é um caso perfeito de importação de um sistema que não funciona para um país que não funciona.
Porque aqui, por razões demográficas, ainda haveria espaço para a pirâmide crescer antes do seu inevitável desmoronamento. Ou, seria possível remendar tando a pirâmide até que se tornasse uma loteria da longevidade, onde os que morrem antes pagam as pensões de quem morre depois. Tudo isso contrasta com a idéia popular de que contribuições previdenciárias são uma espécie de investimento. Não são.
Só que, no caso brasileiro em tempo recorde o sistema foi implodido em primeiro lugar por 1 milhão de funcionários federais, que tem seu sistema à parte, separado do INSS, com déficit anual de 25 bilhões de reais, e em segundo lugar por um dos maiores programas do mundo de distribuição de renda, feito pelo INSS, no qual os trabalhadores do setor privado garantem o pagamento de 1 salário mínimo para quem jamais contribuiu na pirâmide. Ambos apresentam déficit que cai no ministério da previdência. E o estado precisa pagar 10% ao ano de juros para cobrir este rombo.
Em um esquema de pensões legítimo há acumulação de poupança, e aplicação de juros sobre juros que fazem o montante crescer. Já no modelo estatal há acumulação de déficit, com os juros que fazem esta dívida crescer.
Notaram o absurdo da situação? Temos um esquema de pirâmide, que por si já não funciona, que no Brasil virou garantia de renda para o clero governamental e suas viúvas e virou programa social financiado pela pirâmide dos outros.
O déficit atual está em 50 bilhões por ano, no qual metade é só pra pagar as pensões dos funças.
Para aprender um pouco mais sobre este tema, geralmente abordado de maneira emocional e irracional, encomendei o livro do Fábio Giambiagi que está por 13 R$ nas Americanas:
http://www.americanas.com.br/produto/5603559/livros/economia/economiabrasileira/livro-reforma-da-previdencia:-o-encontro-marcado
Este é com certeza um dos temas que a imprensa não tem dado destaque ultimamente. Até parece que estamos em uma zona de prosperidade sem nenhum problema. Imaginem o que será deste país quando acordarmos do transe lulista e percebermos que temos um problema de dívida pública agravado pelos déficits previdenciários, uma situação que não se resolve sem uma boa dose de decepção.
11 de outubro de 2010
Opinião de Pedro Malan
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623099,0.php#noticia
Comento:
De fato a memória deste período precisa ser resgatada. Apesar do plano real ter trazido muitos benefícios imediatos à maior parte da população, o governo Fernando Henrique, no qual Pedro Malan deu sua enorme contribuição, teve que lidar com problemas de reorganização do estado muito grandes e dolorosos, mas que colocaram o país na rota certa, com os frutos sendo colhidos ao longo do tempo. O maior deles: uma moeda estável, os efeitos de redução da pobreza consequentes disso, e um sistema financeiro mais sólido do que o dos países desenvolvidos.
Nós certamente pagamos um preço por estes anos de ajuste. Não foi fácil. Valeu à pena? CERTAMENTE QUE SIM.
É ridículo o governo atual vir agora colocar propaganda na TV comparando o Brasil que precisava de resgate do FMI com o Brasil de agora que 'empresta ao FMI'. São situações diferentes. E ao mesmo tempo que colhem os frutos das reformas passadas, se encarregam de desfazê-las, relaxando nos últimos anos com as contas públicas, e usando emissão de dívida em real, 10x mais cara que dívida externa, para financiar a fatia estatal e do partido em estatais e outros aportes de investimento.
O Brasil de hoje não tem grandes problemas com as suas contas, se formos comparar com o tsunami de outras épocas. Mas houve uma deterioração clara e o futuro governo já poderá sentir o efeito desta 'herança maldita' do PT. Lula é um bom surfista, e não é um bom administrador.
Lula deu uma entrevista à The Economist onde reclamou muito dos grandes entraves ao investimento, mesmo estatal, no Brasil. Mas qual é o legado administrativo dele sobre este tema que ele conheceu durante sua administração? Nada, absolutamente nada. Não teve coragem de reformar, surfou no bom momento do país e se preocupou com a popularidade momentânea acima de tudo.
E tentaram conciliar um movimento populista de massas com os interesses radicais do partido. Tentaram deixar um legado nefasto, que foi o do PDH3 e outros atentados contra a liberdade no estilo 'assinei e não li'. Entre outros atropelos, este plano se chocava contra valores conservadores da sociedade brasileira. Então agora que não venham chorar sobre o leite derramado.
A jaguatirica também quer encarar o tigre
Senão vejamos. Qual é o jogo que a China vem jogando nas últimas décadas?
Subsidiar o consumo dos consumidores americanos e europeus, exportando para estas zonas mais do que importa, turbinando seu processo de industrialização voltada à exportação e acumulando um balanço positivo ano após ano. Nada diferente do 'modelo asiático' que por anos foi a base do crescimento do Japão e da Coréia, com forte intervencionismo estatal, mas com empresas e conglomerados privados, e consumidores estrangeiros fazendo a seleção de mercado, para não cair naquele protecionismo de mercado interno sem competitividade que conhecemos tão bem.
Como sob este modelo há balanço comercial positivo, o Yuan se valorizaria naturalmente. Aí entra a manipulação do governo Chinês, que enxuga os dólares que entram na China, evitando esta desvalorização, dificultando a vida do chinês e ao mesmo tempo formando uma imensa reserva de títulos do governo americano. Exatamente como foi feito por muito tempo aqui no Brasil. Só que os fluxos positivos deles são enormes, e a reserva, a primeira ou segunda maior do mundo.
Isto cria enorme demanda por títulos americanos, o que abaixa as taxas de juros nos EUA, já com viés de baixa pela simples entrada de produtos baratos.
Resultado: A China manda produtos para eles e recebe títulos da dívida dos governos de volta. Um modelo paradoxal onde o governo do país pobre em desenvolvimento privilegia a indústria exportadora às custas de encarecer o nível de vida de sua própria população, que trabalha extra e acumula poupanças forçadas que financiam os projetos e o estilo de vida mais avançados dos países mais ricos.
Tudo estava bom e ninguém reclamava tanto antes da crise. Porque todos gostam de produtos baratos e juros baixos, certo? Todos estes containeres de produtos vão parar em 'Walmarts' e subsidiam a vida dos americanos, especialmente os mais pobres. O Fed cumpre cegamente seu papel no sistema monetário, que é evitar que haja queda de preços, e com isso dá-lhe botar os juros perto de zero e criar crédito no sistema bancário.
Só que no atual nível de desenvolvimento dos EUA e Europa, estes juros baixos distorceram fortemente a economia. Isto sempre acontece, mas no caso deles a distorção foi gigante. E causou mudanças de comportamento econômico bastante grandes, e em geral negativas. Sem investimentos viáveis que possam trazer um retorno, os bancos usaram estes juros baixos para financiar bolha atrás de bolha, e comportamentos irresponsáveis e de alto-risco.
Não é de se admirar que algumas gerações deixaram de lado profissões mais técnicas para fazer carreira em algum setor bolha. Ou que muitos passassem a viver como proprietário de imóveis, na ciranda de compra-vende e embolsando sempre uma diferença positiva.
O sistema monetário moderno funciona assim, e, sem querer me aprofundar neste tema, a razão da crise está em problemas técnicos deste sistema, que é um sistema inventado. É um sistema que funciona no médio prazo, por uns 30-50 anos. Mas não é um sistema robusto para durar 100 anos. O sistema monetário natural do mundo sempre foi o uso de commodities metálicas como ouro e prata.
Para finalizar, há um país na América do Sul que não possui poupanças, que possui taxas de juros altas como consequência disso, e que tem grandes oportunidades de investimento que não podem ser todas atendidas graças à escassez de poupança. Este país é uma potência no setor de commodities minerais e agrícolas, e tem alguns dos produtos mais desejados pela China, como alimentos, minério e energia.
O papel dos EUA como parceiro comercial brasileiro ainda é importante, mas deve continuar em declínio graças à crise. Enquanto o papel da China só tende a crescer.
Em uma situação dessas falar em 'usar arsenal monetário do Brasil contra China' é, fazendo trocadilho, dar um verdadeiro tiro no pé.
O grande medo é do Brasil se aproximar da China e ficar preso no papel de fornecedor de matéria-prima. Não acredito que seja o caso, principalmente se resolvermos nossos próprios problemas.
E tem um motivo importante pelo qual o Brasil fica na exportação básica. Porque é difícil de importar componentes, agregar valor e reexportar. É um modelo alienígena para o industrial brasileiro, conclamado a nacionalizar toda a cadeira, e acostumado a reinventar a roda, localizar componentes já aqui no Brasil, e vender produtos mais-ou-menos para o mercado local. Isso quando já não aderiram ao novo modelo de 'nacionalizar' os produtos chineses mais defasados colocando um selinho em cima.
Este modelo de importar o melhor e mais barato e agregar valor é exatamente no que os chineses se especializaram, e podíamos fazer o mesmo por aqui. Se observarmos dados industriais, veremos que a China importa muitos componentes do Japão, Malásia, Coréia. Porque este modelo é o que funciona para a indústria moderna.
Portanto acredito que devíamos nos aproximar da China, e não entrar nessa briga desnecessariamente.
Um primeiro passo seria apoiar o comércio com a China em Yuan e Reais, compra de títulos brasileiros pelo governo da China, pacto de livre-comércio, com a entrada de componentes baratos para que a nossa indústria, cujo desmoronamento parece inevitável, possa se reconstruir sob um novo sistema de produção mais moderno, voltado ao mercado externo e com foco em adicionar valor sobre componentes comoditizados.
4 de outubro de 2010
Amadurecimento da democracia
Alguns jornalistas entretanto se empolgam, e comemoram a 'festa da democracia'. Comemoram a 'maioridade do eleitor. Então vejamos o estado atual das coisas:
Temos voto imposto e acabrestado. Com o extenso uso da máquina pública, independente de quem está no poder, boa parte da população vota na sistematicamente na situação, independente de qualquer consideração. A compra de votos é proibida no varejo mas é liberada no atacado, com candidatos prometendo quantias caso sejam eleitos. Para interessar o eleitor, só mesmo a promessa imediata de mais dinheiro no bolso. Que vai sair do bolso de outro eleitor, evidentemente.
Assim como em outros países, fatores culturais como religião, posição em relação ao aborto e quiçá até time de preferência contam muito mais do que corrupção, idéias sobre o rumo do país, economia e administração pública. A população adora a monarquia. Vota em dinastias, famílias e sobrenomes. Um candidato ao governo do Distrito Federal - entidade política cuja própria existência é um mistério para mim - teve sua candidatura impugnada, mas sua esposa ainda levou 30% dos votos.
Vemos um total desconhecimento da população sobre pacto federativo, sobre as funções de senador, deputado. Ninguém sabe nada. Os candidatos não se candidatam a uma posição política: isso aconteça talvez na Suíça. Por aqui, se candidatam a Messias.
Temos hoje talvez uns 10% de brasileiros realmente capazes de exercer a cidadania. Pessoas que acompanham o debate cívico, que se informam e tem alguma noção de como funciona. Os demais, votam porque são convocados cartorialmente, e não querem pagar uma multa eleitoral. Fazem fila e mais fila para imprimir papeizinhos e depois fazem fila para votar, com um percentual gigante de erros de digitação, mesmo com campanhas eleitorais que mostram aos incapazes de digitar um número as teclas que eles precisam apertar.
Foi uma vergonha ver o supremo decidindo sobre quais documentos levar a poucos dias da eleição. Mais uma prova de que, decididamente, este não é um país sério. Temos aí uma 'justiça eleitoral', invenção tipicamente brasileira, que emprega vasta burocracia e não são capazes nem mesmo de evitar que candidatos palhaços concorram, como o 'abestalhado', que foi o deputado mais votado pelo estado mais rico do país, beneficiando outros candidatos graças a este espetacular furo nas leis de quociente eleitoral.
Finalmente, assistimos à implementação de uma lei de Ficha-Limpa, que como tipicamente acontece no Brasil, vai parar em flexíveis e nada transparentes decisões judiciais.
Admiro o otimismo de quem celebra o amadurecimento da nossa democracia. Mas falar em maioridade eleitoral em um quadro desses é bastante precipitado. Quem sabe em uns 50 anos nós chegamos lá!
Na pesquisa da escola do meu filho perguntaram: qual é a maior vantagem da democracia. Tive que pensar.
No nosso contexto, sinceramente, a maior vantagem é que ela possibilita uma transição menos violenta entre os grupos interessados na tomada do poder. Assim como nas batalhas entre as cidades gregas ou italianas, os príncipes entravam em campo com seus cavalos e seus lanceiros, desfilavam suas estratégias, movimentavam as tropas, flanqueavam com a cavalaria, até o lado menos ágil admitir derrota. Não era bem uma batalha. Geralmente tudo não passava de um ritual.
Da mesma forma, a campanha aqui é um ritual, e a democracia apenas nominal. Porque ela não é exercida plenamente, e nem seria possível com esta escala e o alto nível de centralização da política federal. O que é necessário é manter a todo custo a estrita observância das leis, a independência da imprensa, e a possibilidade de escrutínio público, exercido sobre quem quer que ganhe nas urnas - e todos os candidatos à príncipe precisam se submeter a isso.
A coisa precisa tocar a si mesma. Até para nos preparamos no futuro para um eventual presidente Tiririca...
2 de outubro de 2010
A grande ausência no debate presidencial
http://blogs.estadao.com.br/celso-ming/2010/10/01/a-grande-ausencia/comment-page-1/#comment-2128
Comento:
Não sei se isto é de todo mal, porque indica que a 'herança maldita' na verdade não era tão maldita assim, e hoje virou 'consenso maldito'. Todos concordam sobre o consenso. Claro que é difícil governar com responsabilidade fiscal, mas no final compensa. Mesmo os populistas sabem disso. O seu eleitor pode não entender nada do assunto, mas se a moeda ou a economia entra em parafuso ele vai jogar a culpa no atual governante.
Especificamente sobre a questão dos juros, hoje o país poderia até escolher, pois temos alguns caminhos para reduzir juros de maneira sustentável. Porém, todos eles implicam em altos custos de ajuste. Assim como o plano Real resultou em um custo enorme de ajuste que até hoje não foi bem entendido pelas pessoas.
O futuro governo poderá aceitar a valorização natural do Real, o que causaria uma pressão de baixa nos índices de inflação - e os juros tomariam um rumo de baixa. Porém, este cenário é temido pela indústria nacional.
O futuro governo pode retomar o único caminho sutentável para reduzir a enorme parcela de juros que o país paga: parar de gastar tanto, conseguir superavits nominais, o que neste contexto internacional de quebra geral permitiria rolar a dívida com taxas bem menores, se apresentando ao mercado como um dos poucos países a apresentar as contas em ordem.
Finalmente, outro tema importante já abordado pelo Celso Ming, o futuro governo poderia inicializar o regime de capitalização na previdência, o que passaria, pela primeira vez, para surpresa dos leigos, a realmente acumular poupança ao invés de gastar agora e acumular promessas. Para minha surpresa o PV adotou esta proposta, e no debate presidencial o candidato José Serra também se comprometeu com ela.
O PT por sua vez tem duas escolhas. Ou os petistas começam a arrumar a casa, visando permanecer lá por um bom tempo, ou terminam de roer as paredes e deixam a bomba explodir na mão de sua candidata.
Administrar é isso, fazer escolhas difíceis. Conciliar a vontade de comer a vaca agora com o desejo de deixar a vaca viva e tirar o leite ao longo do tempo.
Infelizmente em campanha eleitoral eles se candidatam ao posto de salvador da pátria e mercadores de milagres. Tudo é fácil. Um vai aumentar isso, o outro vai criar aquilo. A nossa população é simples, infantilizada para a democracia. O eleitor ainda não é maduro o suficiente para entender que no final ele é que paga por estas promessas de almoço grátis.
30 de setembro de 2010
Quem chega ao posto de mãe Joana não precisa prestar contas para ninguém
Agora, de sopetão, o governo usa dois de seus brinquedos favoritos, o BNDES e a Petrobrás, para dar uma maquiada nas contas públicas, e atingir a meta de superávit primário que eles iam perder. Alguns dias antes eles disseram que não usariam mais o BNDES neste tipo de operação. Evidentemente mudaram de idéia.
http://blogs.estadao.com.br/rolf-kuntz/2010/09/29/o-custo-da-arrumacao/
Isto dá um grande reforço na nossa reputação de usuário pesado da ‘contabilidade criativa’, e certamente não ajuda em nada o país à longo prazo. O problema é que governo federal por aqui pensa que pode administrar como se fosse a casa da mãe Joana. Arrumando a casa de qualquer jeito e à sua maneira, abrindo brechas e espalhando gambiarras. Eles acham que ganhar eleições e ter altos índices de popularidade os libera de seguir práticas de transparência e de boa governança.
Justamente esta idéia de que se tem do estado como tendo o direito sagrado de se erguer acima de qualquer restrição, seja auto-imposta ou através da exposição de certos temas pela imprensa, é que ecoa perfeitamente com a doutrina fascista, que enxerga o estado como expressão máxima do povo, não admitindo qualquer oposição. Note que estamos usando o termo 'fascista' historicamente e com causa, e não como palavrão, como é comum pela esquerda.
Desta doutrina herdamos outros elementos, tais como nosso forte corporativismo, também bastante valorizado por Lula, como seria esperado em um presidente sindicalista. E esta tendência de tranformar governo em árbitro supremo, infiscalizável por natureza, e de criar uma religião laica de culto ao estado.
Precisamos acabar com isso. Em primeiro lugar, chega de contorcionismo e de MPs aparecendo pra dar um jeitinho nas contas na última hora. Isto é inaceitável. O governo federal precisa jogar dentro de regras estabelecidas. Estados e municípios são bem mais limitados em suas aventuras pela LRF, criada pelo governo anterior, quando o estado estava, realmente, ainda saindo do fundo do poço.
Hoje estamos em uma situação macroeconômica bem melhor, graças a esta e outras reformas fundamentais. Mas no que o atual governo contribuiu? Qual será o legado do governo atual? Será certamente o de avançar no ideal do estado fascista: consolidar a mítica do líder e da grandeza nacional acima das regras e trivialidades administrativas, fiscalizar tudo e todos, mas não prestar contas para ninguém. Transformar anseios populares em patriotada, e agir com amadorismo e extremo 'patrimonialismo partidário' no trato da máquina pública.
Será que vamos ter que chegar novamente ao fundo do poço para amadurecer e continuar avançando administrativamente? Parece que sim. Porque infelizmente estes temas técnicos não interessam o eleitor. Só há um interesse nacional quando as turbinas do avião começam a falhar.
28 de setembro de 2010
A pedra filosofal de Mantega
Basta emitir dívida pública, comprar ativos no mesmo valor, e salientar que a dívida líquida não aumenta.
Dá para capitalizar a Petrobrás colocando como garantia o petróleo debaixo da terra, dá para recomprar a Vale usando o minério debaixo do solo, construir estrada colocando como garantia as rendas futuras, construir usinas com a garantia de venda da energia, quiça até lançar um foguete brasileiro à lua, dando como garantia terrenos lunares.