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30 de março de 2012

Operação maré vermelha chega ao Oceano Índico

Uma separação amigável

Em meio a desaceleração industrial, Brasil e Índia buscam desestimular o comércio predatório.

Após participar da Quarta Cúpula dos Brics, esta semana, em Nova Déli, a presidente Dilma Rousseff encerra a viagem à Índia com uma série de encontros com líderes políticos e empresários indianos, que tem entre os principais objetivos assinar um acordo de defesa comercial mútua entre os dois países.

Em 2011, o comércio bilateral entre Brasil e Índia chegou a US$ 9,2 bilhões, pouco abaixo da meta de US$ 10 bilhões, um desempenho considerado péssimo pelo governo, e explicado pelos efeitos da crise financeira internacional.

-É inaceitável que produtos indianos entrem no mercado brasileiro para competir com os nossos produtos. Por outro lado, o governo indiano reclama que o mesmo acontece com produtos brasileiros, que fazem a rota oposta, evadindo o controle sobre a evasão dos nossos produtos e invadindo a Índia. Nos comprometemos com o governo indiano em estabelecer um cronograma de proteção comercial mútua que acabe com esta verdadeira barbaridade.

A nova meta agora deve ser a de zerar este fluxo comercial até 2015.

Os principais produtos exportados pelo Brasil para a Índia são minério de ferro, soja, açúcar e carne de frango. O Brasil tem comprado da Índia óleos derivados de petróleo, ceras minerais e produtos químicos orgânicos.

Com este resultado, ambos os países ficam em uma situação de dependência cruzada, e não se desenvolvem as commodities na Índia bem como não se desenvolvem os derivados de petróleo e produtos químicos no Brasil.

O governo do Brasil tem o interesse que o minério de ferro permaneça em território nacional e seja transformado em aço. O açúcar já foi alvo de projetos visando diminuir sua exportação, porque ao exportar estas divisas ao exterior é o país todo que fica mais pobre, e sem etanol.

A indústria química brasileira também objeta que sem um plano nacional para o setor, com vasta concessão de subsídios à produção química no Brasil, o setor não conseguirá competir com a produção indiana. O plano já teria conseguido o aval do ministro Guido Mantega.

Por outro lado, outros técnicos do governo consideram que os derivados de petróleo indianos são necessários ao país até que a Petrobrás se torne auto-suficiente no setor de derivados, fato que já foi obtido pela empresa repetidas vezes.

- A Petrobrás, orgulho da nação brasileira, já venceu várias vezes o desafio da auto-suficiência. Não pouparemos esforços até que o Brasil obtenha este troféu mais uma vez. Vamos ser pentacampeões em auto-suficiência! - disse a presidenta.

A Índia também objeta à exportação destes derivados argumentando que são frutos do sagrado subsolo indiano, que neste país devem ser aproveitados, para erradicar a pobreza e promover o crescimento econômico equitativo.

Os chefes de estado apertaram as mãos celebrando este acordo histórico que abre caminho para uma futura retirada diplomática da Índia no Brasil e vice-versa.

- Nós nunca entedemos mesmo as piadas de futebol do seu presidente anterior. Nosso esporte nacional é o críquete. Não temos nenhum interesse em novelas brasileiras filmadas na Índia. Buscamos apenas corrigir uma situação que foi criada pela ganância das potências européias séculos atrás, e que jamais deveria ter acontecido.

Foram unânimes ao criticar, com o auxílio de seus tradutores oficiais, o grupo dos países ricos, que juntamente com a China " ... continuam com sua agressiva guerra comercial, destruindo nossas atividades econômicas e nos empurrando produtos à preço de banana", fruto que ambas as nações clamam a invenção e os direitos comerciais, mas que na verdade surgiu no sudeste asiático.

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral-economia,em-meio-a-desaceleracao-industrial-brasil-e-india-buscam-estimular-comercio,107944,0.htm

5 de março de 2012

Pirataria no Brasil não perdoa mais nem presente de criança



Quem poderá nos defender?

Assim como na estória contada no Mises Brasil, http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1216, o presente da vovó também foi interceptado pelos Privateers.

Desta forma, uma mensagem da vovó e uns carrinhos de presente para meu filho de 2 anos são insidiosamente uma ameaça à indústria desta ilha tropical, só poderão ser liberados se eu comparecer pessoalmente ao centro da província, munido do resgate, apenas em dinheiro, na quantia de 478,56 R$ - valor que nos estranha bastante, mas é quanto os imediatos do Barba-Azul acham que deveria ser desta vez - atropelando os meandros dos códigos oficiais da pirataria que eles mesmos deveriam seguir.


Pelo livro, eles calculam o resgate incluindo também o valor do frete, que, aliás, é interrompido antes do destino final em minha casa. E as custas do almoxarifado-pirata correm por minha conta, é claro. Ahoy!

Já tive cargas sem valor mercantil algum reviradas, confiscadas, e que precisaram ser resgatadas. Tinha acabado de voltar do velho continente cheio de idéias, trazendo a última tecnologia. Amostras, materiais e experimentos.

Coitado, tinha me esquecido como a coisa funcionava nessas terras tropicais - onde em se plantando, tudo realmente dá, mas é preciso antes laudo técnico, e em seguida dar entrada com um despachante no processo de admissão temporária das sementes, junto ao covil de piratas mais próximo da sua casa.

Para quem é pequeno e iniciante nas artes do buccaneering, melhor não plantar sob este sistema. Você vai precisar contratar vários assistentes só para lidar com os piratas, entender e interpretar o que eles dizem. A cada semana muda.

Precisará sentir muito cheiro de rum, pagar muitas taxas e produzir evidências e documentos, traduzí-los, estampá-los de selinhos dourados, comparecer pessoalmente perante um de seus ajudandes. Ou, se preferir, contratar o serviço de empresas especializadas em lidar com os piratas - e acostumadas ao cheiro deles.

Estes serviços são uma especialidade local, e movimentam bastante a economia da ilha, que graças ao trabalho de seus incessantes corsários, permanece protegida contra a perda de competividade global.

Se quiser, poderá gastar tempo e dinheiro, e com muita astúcia, nas horas em que a coruja pia, atravessar a fronteira no breu, ou passando os barris pela mão de algum pirata mancomunado, recebendo um por fora, longe do olho do capitão. Mas isto seria um delito extremamente sério.

Já os piratas legalizados são bastante cívicos. Dizem que a pirataria possui como interesse último nada menos que o bem geral da colônia. Aliás, isto nem se chama mais desta maneira. Somos livres, não estamos mais em tempos de reis. Ou estamos?

E se você achar que houve algum engano, pode até mesmo reclamar com um subordinado do capitão. É o seu DIREITO.

Com todos os seus documentos de alforria em mãos, aguarde pacientemente por uma audiência.

Será então introduzido à uma prática ainda mais perversa do que andar na prancha : terá que gesticular perante o atendente-marujo, convencê-lo da existência de formulários de revisão da Receita Federal, preenchê-los e aguardar por uns meses. Macacos me mordam...

24 de janeiro de 2011

Protecionismo dificulta pesquisa tecnológica no Brasil

Estado: Pesquisadores dizem que o sistema de importação do CNPq, o Importa Fácil, é difícil.

Presidente do CNPq:

Estamos tomando medidas para mudar isso. O Importa Fácil tem etapas e, se você estiver treinado nessas etapas, é fácil. O único problema é que só pode ser feita a importação pelos Correios. Se tiver treino e não esquecer nenhum papel, é fácil. Estamos preparando um curso de educação à distância, de no máximo uma hora, para ensinar a fazer uma importação. Mas fazer importação no Brasil é, muitas vezes, mais difícil que nos Estados Unidos. Isso porque temos uma lei de 1990 que dá isenção de taxas e impostos à importação para pesquisa. Se por um lado é bom, porque te permite comprar mais coisas com o mesmo dinheiro, é a razão de tanta burocracia. Nos EUA não tem dispensa de imposto. Por isso há empresas especializadas em importar para fornecer material aos pesquisadores.


http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,e-preciso-promover-pesquisa-nas-empresas,669760,0.htm

Comento:

Muito da nossa burocracia se explica pelo protecionismo brasileiro. Para estimular a indústria eles colocam uma muralha em volta do país, e assim somos sempre os últimos a adotar as novas tecnologias, os últimos a ficar sabendo, e no final os que pagam mais caro por ela.

Isto atinge o astrônomo amador, o fotógrafo, o cientista do CNPq, o viciado em tecnologia que desenvolve aplicativos e quer obter sempre os últimos gadgets, que por aqui são tarifados abusivamente.

E afeta até mesmo as próprias indústrias abaixo da cadeia que precisam comprar de fornecedores locais máquinas e componentes piores e mais caros, ou então pagar os impostos abusivos e empregar gente cuidando de importação de componentes, e lidando com as inúmeras surpresas da receita federal.

Este sistema afeta todo mundo, na verdade, até chegar ao consumidor final que compra um produto com tecnologia de 5 anos atrás recém lançado no Brasil pagando o dobro do preço lá de fora. É um sistema que não funciona e que funciona particularmente mal na área de tecnologia.

11 de outubro de 2010

A jaguatirica também quer encarar o tigre

Alguns comentaristas na imprensa vem pedindo apoio às sanções contra a China. É bastante evidente o interesse do exportador industrial ao se unir nesta campanha contra as intervenções chinesas. Mas é um erro brigar com cachorro-ou felino- grande sem ter porque.

Senão vejamos. Qual é o jogo que a China vem jogando nas últimas décadas?

Subsidiar o consumo dos consumidores americanos e europeus, exportando para estas zonas mais do que importa, turbinando seu processo de industrialização voltada à exportação e acumulando um balanço positivo ano após ano. Nada diferente do 'modelo asiático' que por anos foi a base do crescimento do Japão e da Coréia, com forte intervencionismo estatal, mas com empresas e conglomerados privados, e consumidores estrangeiros fazendo a seleção de mercado, para não cair naquele protecionismo de mercado interno sem competitividade que conhecemos tão bem.

Como sob este modelo há balanço comercial positivo, o Yuan se valorizaria naturalmente. Aí entra a manipulação do governo Chinês, que enxuga os dólares que entram na China, evitando esta desvalorização, dificultando a vida do chinês e ao mesmo tempo formando uma imensa reserva de títulos do governo americano. Exatamente como foi feito por muito tempo aqui no Brasil. Só que os fluxos positivos deles são enormes, e a reserva, a primeira ou segunda maior do mundo.

Isto cria enorme demanda por títulos americanos, o que abaixa as taxas de juros nos EUA, já com viés de baixa pela simples entrada de produtos baratos.

Resultado: A China manda produtos para eles e recebe títulos da dívida dos governos de volta. Um modelo paradoxal onde o governo do país pobre em desenvolvimento privilegia a indústria exportadora às custas de encarecer o nível de vida de sua própria população, que trabalha extra e acumula poupanças forçadas que financiam os projetos e o estilo de vida mais avançados dos países mais ricos.

Tudo estava bom e ninguém reclamava tanto antes da crise. Porque todos gostam de produtos baratos e juros baixos, certo? Todos estes containeres de produtos vão parar em 'Walmarts' e subsidiam a vida dos americanos, especialmente os mais pobres. O Fed cumpre cegamente seu papel no sistema monetário, que é evitar que haja queda de preços, e com isso dá-lhe botar os juros perto de zero e criar crédito no sistema bancário.

Só que no atual nível de desenvolvimento dos EUA e Europa, estes juros baixos distorceram fortemente a economia. Isto sempre acontece, mas no caso deles a distorção foi gigante. E causou mudanças de comportamento econômico bastante grandes, e em geral negativas. Sem investimentos viáveis que possam trazer um retorno, os bancos usaram estes juros baixos para financiar bolha atrás de bolha, e comportamentos irresponsáveis e de alto-risco.

Não é de se admirar que algumas gerações deixaram de lado profissões mais técnicas para fazer carreira em algum setor bolha. Ou que muitos passassem a viver como proprietário de imóveis, na ciranda de compra-vende e embolsando sempre uma diferença positiva.

O sistema monetário moderno funciona assim, e, sem querer me aprofundar neste tema, a razão da crise está em problemas técnicos deste sistema, que é um sistema inventado. É um sistema que funciona no médio prazo, por uns 30-50 anos. Mas não é um sistema robusto para durar 100 anos. O sistema monetário natural do mundo sempre foi o uso de commodities metálicas como ouro e prata.

Para finalizar, há um país na América do Sul que não possui poupanças, que possui taxas de juros altas como consequência disso, e que tem grandes oportunidades de investimento que não podem ser todas atendidas graças à escassez de poupança. Este país é uma potência no setor de commodities minerais e agrícolas, e tem alguns dos produtos mais desejados pela China, como alimentos, minério e energia.

O papel dos EUA como parceiro comercial brasileiro ainda é importante, mas deve continuar em declínio graças à crise. Enquanto o papel da China só tende a crescer.

Em uma situação dessas falar em 'usar arsenal monetário do Brasil contra China' é, fazendo trocadilho, dar um verdadeiro tiro no pé.

O grande medo é do Brasil se aproximar da China e ficar preso no papel de fornecedor de matéria-prima. Não acredito que seja o caso, principalmente se resolvermos nossos próprios problemas.

E tem um motivo importante pelo qual o Brasil fica na exportação básica. Porque é difícil de importar componentes, agregar valor e reexportar. É um modelo alienígena para o industrial brasileiro, conclamado a nacionalizar toda a cadeira, e acostumado a reinventar a roda, localizar componentes já aqui no Brasil, e vender produtos mais-ou-menos para o mercado local. Isso quando já não aderiram ao novo modelo de 'nacionalizar' os produtos chineses mais defasados colocando um selinho em cima.

Este modelo de importar o melhor e mais barato e agregar valor é exatamente no que os chineses se especializaram, e podíamos fazer o mesmo por aqui. Se observarmos dados industriais, veremos que a China importa muitos componentes do Japão, Malásia, Coréia. Porque este modelo é o que funciona para a indústria moderna.

Portanto acredito que devíamos nos aproximar da China, e não entrar nessa briga desnecessariamente.

Um primeiro passo seria apoiar o comércio com a China em Yuan e Reais, compra de títulos brasileiros pelo governo da China, pacto de livre-comércio, com a entrada de componentes baratos para que a nossa indústria, cujo desmoronamento parece inevitável, possa se reconstruir sob um novo sistema de produção mais moderno, voltado ao mercado externo e com foco em adicionar valor sobre componentes comoditizados.

1 de setembro de 2010

Argentina protege sua indústria de celulares... do Brasil?

Não sei se é para rir ou para chorar esta notícia. Argentina implementou um projeto de zona franca na Terra do Fogo, onde uns gatos-pingados montam uns celulares para vender para o mercado local. Assim como no Brasil. Uma indústria puramente oportunista, sequestrada por interesses políticos, sem nenhum pull no mercado global. Aquela velha equação: 10 pra mim, 10 pra você e 10 pro coreano se instalar em algum território inóspito, montar uma fábrica totalmente automatizada, ou apenas reembalando os produtos que chegam da China, e coletar impostos no lugar certo e assim conseguir vender seus produtos aos nossos servos, digo, cidadãos.

Como o mercado brasileiro é muito maior do que o argentino, nossos esforços protecionistas colam melhor com os fabricantes japoneses, chineses, coreanos. Aí eles passam a abastecer outros países defasados tecnologicamente com as plantas do Brasil. Ou seja, o Brasil, por seu tamanho, é 'excêntrico' em seu protecionismo.
A Argentina, simplesmente louca.

A reportagem conclui: "Contrariando o senso comum, a China vende à Argentina aparelhos mais sofisticados, que não serão montados na Terra do Fogo". Como é que isso contradiz alguma coisa se todo mundo sabe que praticamente todas as fábricas de eletrônicos do mundo terceirizaram a produção para a China? Lá eles produzem de verdade, para o mercado global, e não para vender apenas no mercado chinês, que em si já seria bastante grande.

Para mim o que contraria o senso comum é ver os argentinos abastecidos com celulares da Zona Franca de Manaus ou da Terra do Fogo... Pois é, isto é a reserva de mercado 2.0...

http://www.valoronline.com.br/?impresso/brasil/89/6469818/-apostrofo--imposto-tecnologico--argentino-trava-venda-de-celulares-do-brasil&utm_source=newsletter&utm_medium=manha_01092010&utm_campaign=informativo

24 de agosto de 2010

Lula restringe investimentos estrangeiros no campo

Atendendo à pressão do 'empresariado nacional', i.e. aquela dúzia de empresários de sobrenomes de origem estrangeira estabelecidos há muito tempo no Brasil, o presidente Lula assinou parecer da AGU baseado em lei do governo Médici que limita a compra de terras por estrangeiros. Em um momento em que o país precisa atrair investimentos e em que a China possui poupança de sobra para investir, este tema valeria no mínimo um debate aprofundado.

Mas para quê debate? Os empresários amigos do poder e seu soberano já decidiram. Então o Brasil decidiu.

http://www.valoronline.com.br/?impresso/caderno_a/83/6450659/uniao-limita-compra-de-terras-por-estrangeiros&scrollX=0&scrollY=276&tamFonte=

9 de agosto de 2010

Indústria nacional x juros subsidiados : alguma coisa tem que ceder

A taxa Selic é definida pelo Copom. Tem uma entrada do mercado, porque se fixarem uma meta muito distante do que o mercado está pedindo vão ter que intervir muito fortemente, com injeções muito grandes de dinheiro novo ( ou retiradas massivas de liquidez do sistema ). Esta quantidade de moeda da economia é um dos principais determinantes do poder de compra da moeda.

Se o país abandonasse o protecionismo e abrisse as fronteiras, quebraria as nossas 'abimaqs', mas os preços cairíam tanto que durante anos teríamos uma queda acentuada dos juros. Porque a política do BC nunca deixa os preços caírem. Eles injetam liquidez no sistema para que os preços sempre subam 4% ao ano, que é a meta. Funciona pros dois lados. Quando os preços estão com viés de alta, eles precisam enxugar, que é a situação de praxe.

Mas se o estado brasileiro não cobrasse 50% de imposto para um pobre comprar uma roupa de cama importada da China, este produto teria uma queda de preço vertiginosa. Aí o BC colocaria a taxa de juros lá embaixo, o que financiaria novas atividades econômicas no Brasil alinhadas com esta abertura comercial. Obviamente neste novo mundo o setor industrial brasileiro teria que se adaptar e encontrar seu novo espaço. O Brasil se uniria ao rol de países que se desindustralizaram por causa da competição chinesa, ganhando grande poder de compra, e migrando para commodities e serviços.

Não acredito que vá viver para ver esta mudança. A mentalidade aqui é fortemente protecionista. As entidades patronais falam, e todos abaixam a cabeça. Especialmente os socialistas, herdeiros do poder, que defendem a política de bolsa- empresário porque para eles este arranjo com forte presença estatal é muito mais familiar do que um sistema de mercado. Vamos continuar fingindo que o mundo não existe.

Partilho da preocupação com os altos juros, e com a expansão sem fim da dívida pública. Mas não concordo com apontar um único bode expiatório (bancos malvados). Ora, o governo é o principal responsável por sua crescente dívida interna. Se ele não estivesse sempre tão ávido em se endividar, até, como vimos, para financiar o BNDES, petro-sal e outros projetos, aí os juros cairiam.

Se você pensar, se o BC realmente fosse fazer a vontade dos bancos, levaria as reservas bancárias, chamadas pro aqui pelo confuso nome de 'empréstimo compulsório' para perto de zero. É o que a Febraban vive pedindo. Pense bem: vale mais ao banco operar como na europa e EUA - com reservas quase próximas de zero, e com multiplicadores monetários para 10x, 20x. Ou seja, cada 1000R$ no banco circula e vira 10.000R$.

Vale mais pro banco cobrar 5% ao ano desses 10.000 R$ alavancados em cima de 1000R$ do que cobrar 20% ao ano em cima de 2.000 R$ alavancados em 1000R$.

O resultado disso é o que nós vimos nos últimos dois anos: crédito ultra-barato, bolhas, e no final, corridas bancárias, e o salvamento em tempo recorde do sistema bancário para impedir uma implosão do sistema. O Brasil já passou por tudo isso, e tem hoje um sistema monetário bastante conservador.

20 de julho de 2010

A revolução das tomadas

O Inmetro resolveu há alguns anos introduzir um formato brasileiro de tomadas. O familiar formato usado atualmente é um híbrido entre o europeu e o americano, permitindo a conexão de aparelhos tanto com plugue chato quanto cilíndrico. Mas isso não estava bem com o Inmetro.

Resolveram padronizar, e agora em 2010, e agora, com o típico autoritarismo que é considerado normal por essas bandas, simplesmente proibíram a produção e a importação de aparelhos que não se conformam ao novo padrão.

Ou seja, se você for a uma loja de material elétrico procurar por adaptadores antigos, não vai encontrar. Agora sei porque. Porque sua comercialização é proibida.

Assim, com mil justificativas, o Inmetro ajuda a criar mais um enclave nacional. O das tomadas. A indústria nacional teve que engolir, e decerto alguns vêem com bons olhos o isolamento dos importados, que virão com o plugue errado e precisarão de adaptadores.

Ignoram a resposta não tão compreensiva dos consumidores - vozes as quais que governo e inmetro estão isolados, mas os fabricantes de eletrodomésticos não. Eu me impressiono com a quantidade de empresário oportunista que se leva pela conversa do governo no Brasil. Depois quebram a cara, como no caso da TV Digital.

E enquanto perdem dias e dias falando com políticos, vão inevitavelmente perdendo liderança tecnológica, pois não estão ouvindo aos mercados nem trabalhando em novos produtos.

Já os fabricantes de tomadas devem estar contentes, pois muitos terão que gastar e trocar tomadas em sua casa, a maioria em perfeito estado de funcionamento. E, novamente, se protegem momentaneamente dos produtos chineses, mais baratos.

Lá em casa, por causa do protecionismo e dos altos impostos, evitamos a todo custo comprar elétricos e eletrônicos no Brasil. Compramos tudo no exterior em uma eventual viagem, ou através de conhecidos. Alguns sites na internet aproveitam algumas brechas e enviam coisas pequenas para o Brasil, furando o bloqueio dos galeões do protecionismo brasileiro.

Já morei fora do Brasil e tenho uma penca de aparelhos importados. Pelo jeito, da próxima vez vamos comprar também os plugues e tomadas universais para instalar na nossa casa.

O objetivo desses fabricantes e do governo deve ser mesmo esfolar o povão, que ainda não viaja, não tem informação, e que na maior parte das vezes não sabe que está pagando 70% a mais do que o preço de mercado internacional, por um produto obsoleto em 3-5 anos, e vota feliz nos atuais incumbentes.

A nossa indústria eletro-eletrônica é anacrônica. Existe com o único objetivo de esfolar o grande mercado interno. Porque não é do jeito brasileiro que este setor de eletro-eletrônica opera. E todas as fábricas européias e americanas estão na Ásia, e só aqui na contramão. Claro, aqui não se investe muito nem em design nem em tecnologia, então iriam fazer o quê na China? E o pior, obrigaram os empresários a se instalar na Amazônia, no meio do nada e longe dos mercados consumidores. E sequer se questiona isso hoje em dia.

Somos completamente irrelevantes para o resto do mundo neste setor. O modelo protecionista adotado pelo estado brasileiro não permite que empreendedores brasileiros comprem máquinas, tecnologia e tragam pessoal especializado e possam agregar valor a uma cadeia que é internacionalizada há décadas. Então ficamos fingindo que o mundo não existe, comprando produto obsoleto, e, para mostrar que o Inmetro faz alguma coisa, mudando o formato das tomadas. Só falta agora mudar a tensão da nossa tomada para 150V e 30Hz.

22 de junho de 2010

Lula quer conter venda de terras a estrangeiros

A posição de destaque do Brasil no mercado agrícola e de álcool traz muitos investimentos estrangeiros para o interior do Brasil. E milhares de brasileiros são proprietários de terras no Paraguai, responsáveis pela maior parte da produção de soja deste país.

Da mesma maneira, grupos estrangeiros que compram terras no Brasil contribuem para ocupar a mão-de-obra rural, provavelmente já em falta, o que se traduz no mercado por salários mais altos, valorização das terras, aumento da produção agrícola e infusão de tecnologia. Isto tudo traz dinamismo e uma liberdade maior no campo, com a entrada de um grande número de 'outsiders' em um mercado marcado pelo oligopólio e pelo coronelismo, reciclado pela esquerda com seu sindicalismo agrário.

Mas não vamos nos livrar dos grilhões do feudalismo agrário tão cedo. Lula coloca o Brasil na mesma linha agrária nacionalista do Paraguai e outros países que buscam coibir a propriedade de terras por empresas estrangeiras. Lula acena com uma inédita retórica xenofóbica para proteger o 'interesse brasileiro', o que quer dizer, o interesse de grupos brasileiros estabelecidos no setor agrário. Além de proteger possíveis aliados, boa parte de sua posição certamente decorre a xenofobia pura e cega. Mais uma oportunidade perdida.

27 de abril de 2010

Mercosul não conseguiu sequer união alfandegária

Quem torce por livre-comércio e uma redução do protecionismo no Brasil, sabe que o Mercosul acabou não ajudando em quase nada, pois foi neutralizado pelos sentimentos protecionistas da Argentina e do Brasil, mas principalmente Argentina, que tomou um rumo em sua história muito intervencionista.

No blog do Celso Ming no Estadão ele repercutiu a declaração de José Serra contra o bloco, que teria impossibilitado o país de assinar tratados bilaterais. É aquela teoria do 'anti-bloco', como a gente já costumava dizer, aceita por um presidenciável.

http://blogs.estadao.com.br/celso-ming/2010/04/26/a-farsa/

O articulista lamenta que o Mercosul acabou se tornando uma mera união alfandegária, estabelecendo quais taxas de importação devem ser aplicadas em quais produtos.

Só que aí há um problema. Uruguai e Paraguai, como todo país pequeno, necessitam de acesso ao mercado mundial. O brasileiro não tem idéia do quanto o país está isolado do mercado mundial através de tarifas absurdas. E lembrando que em cima do II ainda vai ter IPI e ICMS.

Então como é que o bloco não implodiu antes, sendo que obrigaria os países menores a aceitar o protecionismo brasileiro? Muito simples. Eles simplesmente adotaram tarifas diferentes em quase tudo. Faça a pesquisa de algum item e veja por si mesmo.


Ex. setor automotivo (possui centenas de sub-itens para atender interesses específicos)

Tarifa

Automotiva Argentina:
35.00 %Norma
Automotiva Brasil:
35.00 %Norma
Automotiva Paraguai:
10.00 %Norma
Automotiva Uruguai:
23.00 %Norm

Roupa de cama

Tarifa

TEC:
35.00 %

Exceções à TEC

Confecções Uruguai:
20.00 %Norma
Confecções Paraguai:
20.00 %Norma Nota


E por aí vai. Sempre que alguma coisa é fabricada no Brasil por algum setor, dá-lhe tarifa de 35%, com exeções.