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27 de março de 2012

As estatais da inovação

Para reagir à desindustrialização, protecionismo e investimento na inovação... através de iniciativas estatais. Que tal uma estatal da inovação? Só mesmo no Brasil.

http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201108031354_TRR_80007863

2 de fevereiro de 2011

A revolução da tecnologia

Se está comentando muito o efeito que as redes sociais estão tendo na política em face aos protestos no norte da África. Tanto nas sociedades democráticas quanto nas autoritárias a tecnologia está mudando as regras do jogo. Podemos apostar que um dos temas caros ao governo este ano será como 'regular' este novo mundo, e evitar que mobilizações políticas apareçam do nada e se multipliquem em dias, e ameacem o status quo.

Este é um tema sobre o qual absolutamente todos os governos se debruçam. Porque todo governo possui por natureza uma imensa vontade de auto-preservação, acima de qualquer outra consideração. Desde os países autoritários que, como o Egito, chegam a desligar serviços de comunicação, passando pela China, que busca usar tecnologia para vigiar eletronicamente seus cidadãos, Europa e EUA que buscam fazer um cordão de isolamento aos novos movimentos políticos, e punir exemplarmente episódios tais como os dos hackers do WikiLeaks, e, finalmente, Brasil e outros emergentes no meio do caminho entre autoritarismo e democracia, que buscam seduzir grandes e pequenos a entrarem no jogo oficial, usando a justiça para reprimir o livre direito à informação, porém tentando manter as aparências e evitando proibições e outras medidas drásticas.

Governos de emergentes como Rússia, Brasil e China são bastante caros à pratica de manter meios de comunicação oficiais camuflados na internet, pagos por baixo dos panos com verbas públicas ou do partido para dar a aparência de um autêntico movimento político, e servindo de válvula de escape ao radicalismo em suas organizações.

Existe hoje tecnologia suficiente sob controle dos governos mais atualizados em tecnologia que permite vasculhar a internet, buscando, por exemplo, pedófilos e criminosos eletrônicos. Mas o carro-chefe destas tecnologias é a busca de informações que podem levar à prisão de esquemas de pedofilia.

Pois bem, exatamente estes mesmos equipamentos, usados para o bem, mas sob os quais não se faz muito controle, poderiam ser usados tranquilamente para a espionagem política. Diria até que isto já está acontecendo em estágio avançado no nosso país.

Mas da mesma maneira que os criminosos, grupos políticos de oposição na internet podem também usar ferramentas de tecnologia que evitam o escrutínio do crescente aparato de vigilância eletrônica. É um jogo de gato-e-rato, uma verdadeira corrida armamentista nas tecnologias de comunicação.

24 de janeiro de 2011

Protecionismo dificulta pesquisa tecnológica no Brasil

Estado: Pesquisadores dizem que o sistema de importação do CNPq, o Importa Fácil, é difícil.

Presidente do CNPq:

Estamos tomando medidas para mudar isso. O Importa Fácil tem etapas e, se você estiver treinado nessas etapas, é fácil. O único problema é que só pode ser feita a importação pelos Correios. Se tiver treino e não esquecer nenhum papel, é fácil. Estamos preparando um curso de educação à distância, de no máximo uma hora, para ensinar a fazer uma importação. Mas fazer importação no Brasil é, muitas vezes, mais difícil que nos Estados Unidos. Isso porque temos uma lei de 1990 que dá isenção de taxas e impostos à importação para pesquisa. Se por um lado é bom, porque te permite comprar mais coisas com o mesmo dinheiro, é a razão de tanta burocracia. Nos EUA não tem dispensa de imposto. Por isso há empresas especializadas em importar para fornecer material aos pesquisadores.


http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,e-preciso-promover-pesquisa-nas-empresas,669760,0.htm

Comento:

Muito da nossa burocracia se explica pelo protecionismo brasileiro. Para estimular a indústria eles colocam uma muralha em volta do país, e assim somos sempre os últimos a adotar as novas tecnologias, os últimos a ficar sabendo, e no final os que pagam mais caro por ela.

Isto atinge o astrônomo amador, o fotógrafo, o cientista do CNPq, o viciado em tecnologia que desenvolve aplicativos e quer obter sempre os últimos gadgets, que por aqui são tarifados abusivamente.

E afeta até mesmo as próprias indústrias abaixo da cadeia que precisam comprar de fornecedores locais máquinas e componentes piores e mais caros, ou então pagar os impostos abusivos e empregar gente cuidando de importação de componentes, e lidando com as inúmeras surpresas da receita federal.

Este sistema afeta todo mundo, na verdade, até chegar ao consumidor final que compra um produto com tecnologia de 5 anos atrás recém lançado no Brasil pagando o dobro do preço lá de fora. É um sistema que não funciona e que funciona particularmente mal na área de tecnologia.

1 de setembro de 2010

Argentina protege sua indústria de celulares... do Brasil?

Não sei se é para rir ou para chorar esta notícia. Argentina implementou um projeto de zona franca na Terra do Fogo, onde uns gatos-pingados montam uns celulares para vender para o mercado local. Assim como no Brasil. Uma indústria puramente oportunista, sequestrada por interesses políticos, sem nenhum pull no mercado global. Aquela velha equação: 10 pra mim, 10 pra você e 10 pro coreano se instalar em algum território inóspito, montar uma fábrica totalmente automatizada, ou apenas reembalando os produtos que chegam da China, e coletar impostos no lugar certo e assim conseguir vender seus produtos aos nossos servos, digo, cidadãos.

Como o mercado brasileiro é muito maior do que o argentino, nossos esforços protecionistas colam melhor com os fabricantes japoneses, chineses, coreanos. Aí eles passam a abastecer outros países defasados tecnologicamente com as plantas do Brasil. Ou seja, o Brasil, por seu tamanho, é 'excêntrico' em seu protecionismo.
A Argentina, simplesmente louca.

A reportagem conclui: "Contrariando o senso comum, a China vende à Argentina aparelhos mais sofisticados, que não serão montados na Terra do Fogo". Como é que isso contradiz alguma coisa se todo mundo sabe que praticamente todas as fábricas de eletrônicos do mundo terceirizaram a produção para a China? Lá eles produzem de verdade, para o mercado global, e não para vender apenas no mercado chinês, que em si já seria bastante grande.

Para mim o que contraria o senso comum é ver os argentinos abastecidos com celulares da Zona Franca de Manaus ou da Terra do Fogo... Pois é, isto é a reserva de mercado 2.0...

http://www.valoronline.com.br/?impresso/brasil/89/6469818/-apostrofo--imposto-tecnologico--argentino-trava-venda-de-celulares-do-brasil&utm_source=newsletter&utm_medium=manha_01092010&utm_campaign=informativo