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26 de maio de 2012

Uma brincadeira de crianças


Os alemães tem sido convencidos pela seu status-quo de que os problemas da Europa tem origem na periferia, e não se dão conta de que décadas de crescimento econômico falso foi também patrocinada pelo Euro na própria Alemanha.

A indústria alemã esteve este tempo todo brincando de um jogo que brincávamos quando crianças com nossos amigos.

Primeiro colocávamos todos os nossos brinquedos favoritos em uma mesa - carrinhos, revistas, figurinhas.

-Não, não pode brincar ainda. Precisa comprar com dinheiro.

E aí, para alívio de todos, distribuíamos o dinheirinho do 'Banco Imobiliário' para todos. Agora pode escolher qual você quer comprar. Naquela idade, diversão garantida.

Bem, a grande diferença é que ninguém se importava em usar isso para produzir estatísticas tais como 'crescimento de PIB'. E sempre recolhíamos no final da brincadeira nossos brinquedos e nosso dinheirinho de brincadeira.

17 de abril de 2012

Como traduzir 'business acumen' em espanhol

As empresas espanholas atualmente se dividem em quatro grupos principais de atuação:

as que investiram na construção civil durante a bolha imobiliária,

as que investiram na energia alternativa contando com os incentivos fiscais oferecidos durante a bolha de arrecadação causada pela bolha imobiliária,

os bancos que financiaram tudo isso contando com os juros baixos patrocinados pelo ECB,

e aquelas empresas mais felizardas de todas: que investiram na ARGENTINA e outras arapucas de investidor :D.

Aqui mesmo no Brasil já tem algumas virando as cartas e tomando as naus de volta pra Espanha no prejuízo.

Não aprendem nunca que não vale à pena ganhar uns pontos a mais de lucratividade se for para operar sem segurança jurídica, se for para cooperar com governos populista-demagógicos que jamais vão cumprir o acordado na hora das 'doações' debaixo da mesa e jamais vão reajustar tarifas quando a inflação que eles criam começa a vazar para todos os lados.

27 de março de 2012

As estatais da inovação

Para reagir à desindustrialização, protecionismo e investimento na inovação... através de iniciativas estatais. Que tal uma estatal da inovação? Só mesmo no Brasil.

http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201108031354_TRR_80007863

26 de março de 2012

Austeridade sem lavagem estomacal

http://blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2012/03/26/historias-de-sucesso/

A maneira mais rápida de curar uma bebedeira é realmente adotar a abstinência, mas antes passar no banheiro e purgar o organismo da bebida. Senão vai demorar muito mais tempo.

O governo da Irlanda decidiu nacionalizar o sistema bancário, não permitiu o desmoronamento de setores artificiais de sua economia antes de se adequar a um programa de reformas que seria necessário para fechar as contas no dia seguinte. Decidiram carregar este coquetel tóxico no estômago por muitos anos.

Se a Irlanda fosse uma paciente chegando a uma clínica de recuperação, deveria passar urgentemente por uma lavagem estomacal.

O mesmo aconteceu com a Grécia, que se recusa a dar um calote porque sabe que isso significaria viver sem seu estado de bem-estar, abrir mão de uma série de confortos que foram prometidos aos gregos, mas que foram simplesmente financiados por endividamento em linhas de crédito européias.

Estes deram entrada na clínica com uma garrafa de pinga escondida na sacola. Se recusam a largar a 'marvada'. Assinariam o que fosse preciso para conseguir mais uma dose do barman europeu.

Mas é claro que nenhuma destas coisas faz sentido para o Sr Krugman, que acredita que a melhor maneira de fazer esse tratamento é simplesmente servir uma dose ainda mais pesada para o paciente. Coisa aliás que foi posta em prática hoje pelo Sr Bernanke, que serviu ao mercado mais uma rodada de estimulantes. Vai mais uma aí?

15 de março de 2012

A China é mais capitalista que os EUA? Peter Schiff was wrong this time.


Schiff aceitou o debate, mas sabia que tinha entrado para perder.

É verdade que os EUA tem caminhado em direção ao capitalismo de estado, e a China saiu do comunismo para o capitalismo de estado. Mas a distância entre os dois ainda é muito grande.

É claro que em muitas coisas na China seria impossível ou impraticável copiar os modelos do estado social do ocidente. Eles não tem como implementar um esquema de pirâmide que distribua benefícios, por exemplo. Quebraria muito rápido. Eles estão muito mais restritos pelas realidades econômicas do que os EUA.

Eles não tem como coordenar a concessão de benefícios para a população imigrante, e qual província pagaria por isso, então tem uma situação em que as pessoas precisam economizar para prover para o futuro - o que contrói uma base de capital, onde certamente Schiff tem razão, porque sem capital não há como falar em capitalismo. E o primeiro problema é definir o que se entende por capitalismo, coisa que apenas o Schiff teve base para fazer.

Só que alguém com mais conhecimento prático da China, como Minxin Pei, pode facilmente citar dezenas de coisas que acontecem na China que não tem nada a ver com capitalismo, a mais gritante sendo a falta da segurança jurídica, com um estado autoritário que toma o lado de quem tem os melhores contatos, coisa que não aconteceria jamais nos EUA com o mesmo nível de descaramento. Os EUA caminha para um vasto controle estatal do sistema financeiro e parte da indústria? Bem, é exatamente esta a situação na China HOJE.

Poderia ser um de nós a argumentar como ele que, não, o Brasil não é mais capitalista que os EUA, apesar das mudanças relativas, e apesar de realmente ter um quesito ou outro onde temos mais capitalismo.

E chegamos a uma situação hoje de desgaste deste sistema, onde com um passo a mais em direção ao capitalismo poderia se enfraquecer demais a autoridade do governo chinês. Depois da crise mundial vimos uma reversão também na China.

Por outro lado, como observou bem Ian Bremmer, se é verdade que os EUA tem mudado seu modelo em direção ao capitalismo de estado, também teriam algumas dificuldade para se adaptar neste sistema, porque não está na estrutura do estado americano um número de instituições que conhecemos bem, que servem para controlar as coisas de cima para baixo. Obama tem controlado o que pode através do FED e de outras maneiras indiretas. Imagine o quanto ele gostaria de ter uma Petrobras ou um BNDES na mao. Mas para a sorte dos americanos, eles ainda não tem.

Talvez no final das contas nos EUA eles fiquem mesmo brigando entre si e jamais entrem em um consenso necessário para se tornarem ainda mais estatistas do que já tem acontecido nos últimos anos, como vimos no debate sobre a dívida.

E aí vem o lado humorístico do debate : para Orville Schell, sentado ao lado do Schiff, esta indecisão americana é que é a verdadeira desgraça, e o fato de ter que lidar com uma bancada religiosa do meio-oeste. Ele na verdade é admirador da tecnocracia e da visão homogênea e de longo prazo do estado forte chinês, que, na cabeça dele, é o que significa capitalismo. É a visão do intelectual americano, que provavelmente acredita em decisões tomadas pela junta do partido comunista bem mais do que os chineses.

8 de dezembro de 2011

Comentário de Jim Rogers sobre a economia brasileira

Keene: E o que dizer da economia brasileira, com PIB praticamente estagnado? Isso é mais que uma pausa para os mercados emergentes, não é?

Jim: Pois é, é uma pena, porque sempre que as commodities vão bem, o Brasil vai bem. Aí chega a queda e eles começam a improvisar nas medidas econômicas, começam a cometer erros. Desta vez a mulher começou a errar mesmo antes do mercado desaquecer. Controles no câmbio, novas tarifas. Tarifas contra os chineses, os maiores clientes dela. Então eles já começaram a errar. É quase impossível para estrangeiros comprarem terras no Brasil. Estão improvisando com a economia, e não deveriam.


Um de meus gurus econômicos.

18 de outubro de 2011

23 de setembro de 2011

O erro crasso do general genovês

A medida dificultando o hedge cambial foi duramente criticada nos mesmos dias em que foi anunciada, por gente que entende do assunto. Mas o que interessa?

Os usurpadores do trono não ouvem a ninguém, atiram nos mensageiros e declaram guerra sem antes consultar aos estrategistas.

Seguem apenas o conselho de um certo general genovês, da escola de guerra heterodoxa, que não aguentando o clima de paz entediante sobre o reino, abriu a barriga do pombo e rufou os tambores da guerra.

Logo na primeira batalha, cometeu mais um de seus erros CRASSOS.

Achou que o inimigo jamais chegaria pelo outro lado, dispensou a cavalaria porque não gostou do odor do que os cavalos dos mercenários exalavam. Era um grande problema. Para que precisamos desses mercenários, que lutam por dinheiro e uma hora estão de um lado e outra do outro?

Abriu nosso flanco. A tempestade chegou e nas primeiras saraivadas o real foi trucidado.

Sem poder contar com os mercenários, começou a sangrar imediatamente a cavalaria da reserva oficial, tentando parar aos gritos a debandada das tropas. O forte do general genovês é a improvisação. Vamos ver nos próximos dias mais episódios desta batalha

22 de agosto de 2011

Rebeldes com causa e sem causa

Como eu gostaria que à frente desse movimento Tea Party estivesse o Ron Paul. Mas a política sendo o que é, veremos no Tea Party uma mistura de temas para agradar ao eleitorado mais conservador, inclusive itens da agenda religiosa e conservadora, o que vai atrair algumas críticas fáceis.

Agora, o que interessa para a recuperação é saber se austeridade e equilíbrio de contas sem aumento de impostos continuará no pacote desse movimento ou não, uma vez sentidos os efeitos. Porque assistencialismo também pode fazer parte da agenda religiosa e conservadora.

Mesmo assim, vejo mesmo no Tea Party dos EUA algo muito mais próximo da atitude cívica de um cidadão adulto do que um monte de 'indignados' com o término dos programas sociais, culpando bodes expiatórios ( FMI, Merkel, Banco Mundial ) e cantando hinos em praça pública.

Rumo, eles não tem. Se soubessem algo sobre mercado de trabalho, exigiriam, por exemplo, a redução dos entraves trabalhistas espanhóis. O tipo de proposta que não causa a mínima excitação nestes grupos.

Ao contrário, exigem empregos e assistencialismos, de maneira não muito diferentes dos rioters do Reino Unido, que 'exigem' um gadget ou um produto, sendo que estes já não chamam isso de democracia, e simplesmente quebram a vidraça e pegam o que querem.

Mas revolta e energia de sobra eles tem, e no pior caso isso pode levar para a Europa agitações violentas como a das capitais da primavera árabe. Se formos ver o perfil social da primavera árabe, jovens, formados, confusos e sem futuro, veremos que a Europa não está tão longe assim dessa realidade.

Apesar disso, os tea-parties, com propostas reais e organizando reuniões em seus quintais é que vão ser chamados de fanáticos.

11 de agosto de 2011

A escalada da pirâmide

Vamos fazer uma pequena conta.

Uma jovem se casa e ingressa no esquema do INSS pagando 5% de contribuição de 1 SM.

Se este dinheiro fosse investido - O QUE NÃO É - teríamos o acúmulo de juros sobre juros.

Uma quantia X depositada anualmente ( para simplificar ) ao longo de N anos e recebendo juros r se multiplica em:

X * ( ( (1+r)^N - 1 )/(r) )

Se este capital recebesse juros reais acima da inflação de 5%, teríamos ao final de 30 anos de contribuição o montante de 70x a contribuição, aproximadamente.

A contribuição é pequena, de 1/20 de um SM, e dá direito a 1 SM.

Se isto fosse investido e recebesse juros - o que seria o melhor caso POSSÍVEL - seria suficiente para 3.5 anos de pagamento de 1 SM.

O dinheiro continuaria rendendo juros, mas convenhamos, economias representando 3.5 x um pagamento anual de 1 SM não levariam uma aposentadoria muito longe.

A expectativa de sobrevida do sexo feminino aos 60 anos é de 20 a 22 anos, dependendo da região do país e das condições.

Agora o pior : essa dona-de-casa pode já se 'aposentar' aos 50 ANOS!

Agora o pior : o INSS é um esquema de Ponzi, não há sequer acúmulo de juros. O que entra tem que igualar o que sai. O resto o estado tira por impostos ou inflação para tapar o inevitável rombo.

Para sustentar uma dona de casa em 2040 será necessário a entrada de 20 donas de casa no 'mercado de trabalho'. Obviamente o que bota mesmo dinheiro no sistema é a contribuição das empresas, da ordem de 20%. Mesmo assim não evita uma quebra, porque uma pirâmide sempre quebra, a menos que vire uma corrente, o que obviamente ninguém quer, porque não ofereceria vantagem alguma a quem é 'contemplado' nesse esquema.

Além de donas-de-casa temos várias classes de isenção de empresas do Simples, e em geral a tendência é prometer benefícios futuros e arrecadar agora para rolar a pirâmide mais um pouco, aos que certamente serão um peso no futuro.

A medida foi aprovada e aplaudida no congresso por membros de todos os partidos.


Entenderam agora porque um colapso total das contas públicas é tanto inevitável quanto necessário?

UPDATE: sem comentários, dois anos de 1/20 de SM vão aposentar uma geração de donas de casa.

Mais outra brecha:

Isso já virou uma bagunça tão grande que não é possível que dure 10 anos desta forma. Talvez nem durante essa crise estas regras se mantenham. Ao menos uma coisa vai ser bonito : ver os petistas se enforcando com a própria corda que eles mesmos passaram em seu pescoço. Dona Dilma vai ter que vetar ou quebrar.

A dose não foi o suficiente

O que era comentado apenas em blogs e por observadores econômicos se confirmou, e os mercados subitamente se deram conta das implicações da insustentabilidade fiscal dos países ricos e da incapacidade do Fed de produzir qualquer poção mágica que não involva inflação.

Isto já vem sendo defendido pelos grupo dos keynesianos irresponsáveis. Paul Krugman usa o termo 'grupo de pessoas muito sérias' para desmerecer os que exigem austeridade fiscal. Eu uso o termo 'grupo dos keynesianos irresponsáveis' para me referir a Krugman, Bernanke, Rogoff, Stigliz e outros panacas com diplomas e títulos mas com total incapacidade e vontade de abrir mão de sua teoria econômica furada.

Se a cobaia não ressucita, é porque a dose não foi suficiente. Esse é o mantra.

2 de agosto de 2011

No fundo eles sabem que funciona, mas quem vai tapar o rombo?

O governo deve estar mesmo desesperado com a deterioração da economia. Porque quando eles estão realmente muito, muito desesperados eles mostram que sabem que só tem uma coisa que funciona : corte de impostos, desoneração, redução do custo-Brasil.

Claro que isso contrasta com todas as promessas que eles fazem ao outro lado, mas por um tempo eles querem ter as duas coisas.

Eles estão para baixar mais um de seus decretos hoje que isenta setores da indústria intensivos em mão-de-obra de pagar a 'contribuição patronal' do INSS de 20%, um dos maiores entraves para a criação de empregos e para a competitividade do Brasil de um modo geral.

Imagine o progresso que teríamos no Brasil se esta peso enorme fosse retirado da nossa economia. Apenas podemos imaginar o que seria a economia desse país se este e outros entraves fossem removidos.

Claro que o decreto contém inúmeras outras medidas, mas o que realmente interessa é essa aí, e por isso o governo teve que obter o consentimento de sindicatos antes de anunciar.

Com isso o INSS deixa de ser uma pedra no pé apenas de alguns setores selecionados, mas tem um 'pequeno' probleminha, vai ser certo o crescimento de um rombo no INSS, que segundo a notícia, 'será coberto com dotações do tesouro'. Hum, interessante...

A realidade é que em algum momento nosso país vai ter que encarar este problema de frente, e quero ver os políticos na televisão tentando explicar aos 'segurados' enfurecidos do INSS que o sistema não passa de um esquema de pirâmide, que os brasileiros pegaram e conseguiram piorar ainda mais com suas aposentadorias precoces. Isto só vai acontecer quando o país for colocado contra a parede pelos seus financiadores, como acontece com alguns países da Europa.

Claro, esta mensagem ninguém vai querer ouvir. Então esta medida é positiva em dose dupla, primeiro por nos dar um gosto do que seria um setor industrial que não fosse obrigado a sustentar um esquema de pirâmide que os governos passados prometeram aos brasileiros, segundo porque é mais uma volta que a corda dá no próprio pescoço do atual governo, que está se enforcando bonito no próprio legado da era Lula que eles mesmos criaram.

28 de junho de 2011

Breve em um país próximo da sua casa

TAXATION

  • Taxes will increase by 2.32bn euros this year, with additional taxes of 3.38bn euros in 2012, 152m euros in 2013 and 699m euros in 2014.
  • A solidarity levy of between 1% and 5% of income will be levied on households to raise 1.38bn euros.
  • The tax-free threshold for income tax will be lowered from 12,000 to 8,000 euros.
  • There will be higher property taxes
  • VAT rates are to rise: the 19% rate will increase to 23%, 11% becomes 13%, and 5.5% will increase to 6.5%.
  • The VAT rate for restaurants and bars will rise to 23% from 13%.
  • Luxury levies will be introduced on yachts, pools and cars.
  • Some tax exemptions will be scrapped
  • Excise taxes on fuel, cigarettes and alcohol will rise by one third.
  • Special levies on profitable firms, high-value properties and people with high incomes will be introduced.

PUBLIC SECTOR CUTS

  • The public sector wage bill will be cut by 770m euros in 2011, 600m euros in 2012, 448m euros in 2013, 300m euros in 2014 and 71m euros in 2015.
  • Nominal public sector wages will be cut by 15%.
  • Wages of employees of state-owned enterprises will be cut by 30% and there will be a cap on wages and bonuses.
  • All temporary contracts for public sector workers will be terminated.
  • Only one in 10 civil servants retiring this year will be replaced and only one in 5 in coming years.

SPENDING CUTS

  • Defence spending will be cut by 200m euros in 2012, and by 333m euros each year from 2013 to 2015.
  • Health spending will be cut by 310m euros this year and a further 1.81bn euros in 2012-2015, mainly by lowering regulated prices for drugs.
  • Public investment will be cut by 850m euros this year.
  • Subsidies for local government will be reduced.
  • Education spending will be cut by closing or merging 1,976 schools.

CUTTING BENEFITS

  • Social security will be cut by 1.09bn euros this year, 1.28bn euros in 2012, 1.03bn euros in 2013, 1.01bn euros in 2014 and 700m euros in 2015.
  • There will be more means-testing and some benefits will be cut.
  • The government hopes to collect more social security contributions by cracking down on evasion and undeclared work.
  • The statutory retirement age will be raised to 65, 40 years of work will be needed for a full pension and benefits will be linked more closely to lifetime contributions.

PRIVATISATION

  • The government aims to raise 50bn euros from privatisations by 2015, including:
  • Selling stakes this year in the betting monopoly OPAP, the lender Hellenic Postbank, port operators Piraeus Port and Thessaloniki Port as well as Thessaloniki Water.
  • It has agreed to sell 10% of Hellenic Telecom to Deutsche Telekom for about 400m euros.
  • Next year, the government plans to sell stakes in Athens Water, refiner Hellenic Petroleum, electricity utility PPC, lender ATEbank as well as ports, airports, motorway concessions, state land and mining rights.
  • It plans further sales to raise 7bn euros in 2013, 13bn euros in 2014 and 15bn euros in 2015.

http://www.bbc.co.uk/news/business-13940431?print=true

5 de maio de 2011

Margin call nas commodities

Está sendo atribuído aos maus resultados da economia americana a recente queda nas commodities. Vou explicar porque não compro esta explicação, e indicar o verdadeiro responsável pelos movimentos do mercado nos últimos dias.

Em primeiro lugar, do jeito que funciona o mercado futuro, o investidor, seja um produtor ou comprador que usa o mercado futuro como garantia de preço, ou um especulador que assume um risco e tenta se antecipar à tendência de preços, não precisa depositar o valor total do contrato na bolsa de futuros. Ele deposita uma quantia 'de boa-fé', que na prática permite ao investidor se alavancar bastante.

No caso dos contratos futuros de prata, cujo contrato mais negociado é da Comex nos Estados Unidos, o colateral era cada vez menor em razão dos aumentos diários de até 5% no preço da prata. Isto atraiu grande número de especuladores que estavam brincando alavancados.

Muitos rumores e teorias conspiratórias se espalharam na Internet, alguns com um fundo de verdade. Nos anos 70 alguns especuladores quase quebraram o Comex nos EUA porque ao final do contrato quem está comprado tem a opção de receber a mercadoria, e quem está vendido e passar da data também tem a obrigação de entregar a mercadoria.

Em condições normais uma pequena percentagem destes contratos chegam à maturidade, coisa em torno de 2% ou 3%.

Mas se boa parte dos que estão comprados resolverem receber a prata física, o Comex teria um grande problema. Por ser alavancado, este mercado demandaria quantidades imensas de prata, que não poderiam ser supridas mesmo em mais de um ano de produção.

Portanto a Comex mantém um estoque de prata registrada para realizar estas entregas. O vendedor paga o pato, ou a prata, e o Comex entrega ao comprador do seu estoque.

Os irmãos Hunt quase levaram o Comex abaixo de forma não muito diferente do que uma corrida bancária. Não havia prata no mercado à vista. Mas o Comex e o governo americano, como era de se esperar, mudaram as regras do jogo: entraram no campinho, deram um soco no goleiro do time adversário e roubaram a bola do jogo. Acusaram justa ou injustamente os irmãos Hunt de terem conspirado e manipulado o mercado.

Quando especuladores encontram estas falhas a coisa sempre rompe do lado mais fraco. Os especuladores sempre são acusados de crimes, reais ou imaginários, nem que as leis sejam passadas especialmente para isso.

Os irmãos Hunt foram auxiliados por um operador Libanês-brasileiro bastante famoso por aqui chamado Naji Nahas. Um dia quero entender melhor a estória deste mega-especulador que quebrou a Bolsa do Rio, quase quebrou a de São Paulo, e foi tratado como criminoso o resto da vida.

Desta vez, não tínhamos um alvo em potencial para acusar de manipular o mercado da prata. Tínhamos uma multidão. Sua ascenção meteórica decorria do fato de que a prata sempre foi o 'ouro do pobre', sendo bastante acessível a compra de moedas de prata em alguns países como México, Canadá, EUA, Austrália.

A demanda por moedas bullion, ou moedas de investimento, aumentou muito. E, silenciosamente aumentam os seguidores de pontos de vista políticos-econômicos semelhantes ao desse blog: descrentes das autoridades monetárias, conscientes da manipulação em massa exercida por governos, e sabedores da necessidade de buscar uma saída individual para a crise em que estamos, apesar das tentativas oficiais de tentar escondê-la.

Pois isto somado à inexperiência, à ganância e ao alavancamento deu ao Comex uma estratégia completamente válida para esmagar os novos especuladores em prata do mercado futuro. Os garotos mais velhos deram uma surra nos moleques.

Alguns dizem pela Internet que a Comex temia uma corrida à prata, como a dos irmãos Hunt. Mas a verdade é que poucos destes especuladores caseiros dispunham de 250K$ para pagar 100% de apenas um contrato de 5000 oz de prata.

Mas o fato é que pela forma que a bolsa de futuros opera, estava ridículo exigir menos de 5% de colateral. Só que como a prata subiu muito rápido, a resposta da Comex também veio rápida, e quebrou o mercado. A partir de segundo de maio, curiosamente bem depois do feriado, começaram a aumentar dia após dia as margens de segurança nos contratos de prata. E foi uma quebra atrás da outra.

Subiram as margens 5 vezes seguidas, e agora está em torno de 21K$ iniciais para um contrato, e uns 16K$ de margem mínima de manutenção. Isto corresponde a uns 8.4% do contrato de prata a 50$, mas 12% de um contrato de prata a 35$.

Esta sequência de aumentos de margem causou o mercado a desabar, com muitos especuladores vendendo tudo que podem para cobrir a margem e segurar seus contratos. É um movimento de curto-prazo, e não esta queda geral das commodities que muitos economistas pró-establishment querem acreditar, com seus óculos cor-de-rosa.

É temporariamente uma grande destruição de dinheiro alavancado, o que leva os preços abaixo.

É verdade que há uma percepção que os mercados emergentes pouco possam fazer para evitar aumentos de juros, porque se passarem aumentos de preços para seus eleitores, estão arriscando perder a cabeça.

Mas nos EUA, Europa e outros não há nenhuma vontade muito grande de sair aumentando juros. Este sim, seria a única coisa que fundamentalmente faria as commodities voltarem a um nível mais baixo.

Quando o governo culpa os especuladores por aumentos de preços, eles sempre se esquecem que para cada especulador comprado tem um vendido, ou seja, eles se cancelam. O que não é tão fácil de cancelar é o consumo maior das classes emergentes da China, Índia, Brasil, que demandam mais e mais e sem aumento de produção equivalente pressiona os preços.

29 de abril de 2011

América Latina em direção à crise

Uma análise lúcida e bastante negativa para o futuro da região nos próximos meses.
http://video.ft.com/v/922925950001/Latin-America-could-be-heading-for-a-crisis

7 de abril de 2011

O combustível das ilusões

Quando o mercado sofre intervenção econômica do governo, as pessoas leigas não sabem disso, e tendem a aceitar o resultado como um retrato da realidade. Governos sempre tentam usar este fato a favor deles.

A gasolina aqui sempre foi cara. A nossa carga tributária só perde para a de alguns países europeus, como Turquia, Reino Unido e Alemanha. Estamos perto destes, cobrando uns 3$ em impostos por gallon, mais ou menos 50% do preço é imposto. Por isso é natural aos brasileiros pensar que a gasolina aqui é cara.

Só que para aumentar o controle social no país e a sensação de bem-estar, o governo Lula, ao invés de desonerar, em algum momento não muito definido decidiu controlar o preço da gasolina para que esse não estivesse mais aos sabores das variações do petróleo no mercado internacional. Um dia diziam que o barril ia cair, que era temporário. No outro dia diziam que iam manter por algum tempo à mais, fazer uma média. Quase ninguém ia achar ruim, não é mesmo? Aí quando a ficha cai você se dá conta: estamos sob controle de preços. E todo preço falso introduz distorções na economia.

Subsidiar combustíveis é um ítem manjado na agenda do político populista, muito usado em republiquetas mundo afora. É a velha política de pão e circo acrescida de gás, eletricidade e gasolina. Uma onda de prosperidade falsa tomou o país, e com o mercado aquecido com cortes de impostos, aumentamos nossa frota de carros para 38 milhões.

Produzi este gráfico com alguns dados do site da ANP, produção e consumo de derivados de petróleo.



A curva azul é a do consumo de combustíveis. A curva vermelha, por baixo, é a da produção de derivados do petróleo. O álcool fazia a diferença.

Só que com o maior preço do açúcar, a cana virou açúcar e não etanol.

O plano do governo para manter o estado de aparências é extraordinário. A Petrobrás importa gasolina e até mesmo etanol de milho, e enquanto a empresa diz que pode repassar aumentos do petróleo, nosso czar econômico ministro Mantega diz que não.

Enquanto este estado de negação da realidade persistir, mais intervenção e mais improvisação por parte do governo. Poderiam, por exemplo, a qualquer momento taxar o açúcar para obrigar os produtores de cana a venderem a produção para usinas de etanol. Os Kirchner obviamente fizeram escola entre os dirigentes petistas. A Argentina mostra o caminho do que vai se tornar este país com o agravamento da crise nos próximos meses.

Veja no gráfico da reportagem a disparidade de preço entre a gasolina e o álcool diminuindo ao longo do tempo, graças à intervenção estatal, que agora cobra seu preço. E será que tem algum brasileiro que pensa que aqui a gasolina está mais barata do que deveria ser seu preço real de mercado? É difícil encontrar alguém que entenda isso. Aí é quando a miragem se volta contra um governo.

Com uma frota maior, com o petróleo mais caro e sem capacidade de produção de gasolina, a única saída para o governo é o etanol.

Voltando ao nosso parágrafo inicial, quando as pessoas leigas enxergam os preços do mercado, elas não sabem o que está por trás, se há intervenção ou não. Elas assumem que é o preço de mercado. Os preços da gasolina no Brasil estão muito mais baratos do que seriam caso os preços estivessem livres, considerando a mesma carga de impostos, que obviamente é a última coisa que o governo iria mexer.

Os brasileiros ficarão furiosos nos próximos meses quando os controles no preço de gasolina forem abaixo, seja por causa de filas em postos e possíveis racionamentos, seja quando alguém no governo com um pouquinho mais de bom senso resolver deixar a Petrobrás desmontar a miragem da gasolina, para que a empresa possa equilibrar a oferta com a demanda, e o consumo comece a cair.

De alguma maneira, alguma coisa vai ceder, e espero que a experiência ajude para acordar os brasileiros da enorme ilusão que foi o governo Lula.

24 de março de 2011

Austeridade, melhor agora do que tarde.

Ao ler algumas das declarações sobre a queda do primeiro-ministro e o agravamento da crise em Portugal, por um momento chegamos a pensar que entramos no túnel do tempo e chegamos ao Brasil em um futuro nada distante.

http://economico.sapo.pt/noticias/30-reaccoes-a-um-portugal-sem-governo_114193.html

Seguem abaixo alguns dos tickers para os títulos de 10 anos de alguns países europeus com problemas. Repare que já pagam juros reais bem acima do que se paga aqui no Brasil. Só não se sabe até quando.

http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GGGB10YR:IND
http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GIGB10YR:IND
http://www.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GSPT10YR:IND
http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GSPG10YR:IND
http://noir.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GBTPGR10:IND