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10 de outubro de 2011
11 de outubro de 2010
Cortejando mercados e ajudando governos ao mesmo tempo
Sabia que a China apoiava o mercado de títulos europeus, mas não tinha ainda ligado as coisas e observado pelo ponto de vista Chinês.
A Europa, ao contrário dos EUA, está seguindo o caminho difícil na crise, fazendo ajustes fiscais e torcendo para que reformas estruturais ajudem no médio prazo. No curto prazo sabemos que, com QE ou sem, não há solução. O euro tem se valorizado porque o ECB, ao menos por enquanto, não está caindo de cabeça na solução mágica de imprimir dinheiro para desvalorizar a própria moeda e ver se a crise vai embora.
Porque diferente dos EUA a Europa tem a crise do Euro, a crise fiscal, e não é louca de entrar em QE porque realizar um calote desses sem muita consequência imediata só mesmo quem controla a moeda de reserva - o dólar.
É neste contexto que a China apóia a Europa, e se dispõe a entrar com o que falta no momento por lá: dinheiro vivo para comprar títulos dos governos europeus. Eles querem outro mercado forte e maduro para levar o mesmo esquema que operavam com os EUA: vocês recebem nossos produtos e nos pagam com títulos da dívida pública.
Aparentemente o que pode ser um arranjo ruim para os EUA pode não ser tão inconveniente assim no atual momento Europeu. Porque o maior problema por lá é o fiscal, e não o das exportações.
A Europa, ao contrário dos EUA, está seguindo o caminho difícil na crise, fazendo ajustes fiscais e torcendo para que reformas estruturais ajudem no médio prazo. No curto prazo sabemos que, com QE ou sem, não há solução. O euro tem se valorizado porque o ECB, ao menos por enquanto, não está caindo de cabeça na solução mágica de imprimir dinheiro para desvalorizar a própria moeda e ver se a crise vai embora.
Porque diferente dos EUA a Europa tem a crise do Euro, a crise fiscal, e não é louca de entrar em QE porque realizar um calote desses sem muita consequência imediata só mesmo quem controla a moeda de reserva - o dólar.
É neste contexto que a China apóia a Europa, e se dispõe a entrar com o que falta no momento por lá: dinheiro vivo para comprar títulos dos governos europeus. Eles querem outro mercado forte e maduro para levar o mesmo esquema que operavam com os EUA: vocês recebem nossos produtos e nos pagam com títulos da dívida pública.
Aparentemente o que pode ser um arranjo ruim para os EUA pode não ser tão inconveniente assim no atual momento Europeu. Porque o maior problema por lá é o fiscal, e não o das exportações.
4 de outubro de 2010
Um candidato que falou de economia
Teve um. O candidato Plínio, que teve uma única proposta apresentada, em todo o tempo em que foi exposto em debates. Dar o calote na dívida. Sim, na interna também. Você investe na renda fixa? Tomou, burguês.
Plínio é ex-funça, declarou dois milhões de patrimônio. Mas, tirando esse contraste entre comunista rico e liberal pobre, assim como a gente, ele também não gosta da explosão da dívida pública.
Só que Plínio encontrou uma pedra filosofal muito melhor ainda do que a do Mantega. Uma verdadeira pedra de crack: calote geral. Deve ser isso que serve de fonte da juventude para o agitado octagenário. Pelo menos, se der errado não lhe sobra lá muitas décadas mesmo!
Que beleza que seria uma proposta dessas. Não estaríamos mais discutindo os problemas da dívida pública, e sim como obter comida, velas e outros mantimentos. E pensar que a CNBB já apoiou uma proposta dessas...
O PSOL ficaria feliz de destruir o capitalismo, voltando no tempo para corrigir este erro histórico. Voltaríamos àquela etapa anterior do desenvolvimento econômico, antes do surgimento da moeda. Construiríamos as bases de uma economia solidária centrada no escambo.
Plínio é a prova que estamos vendo um grande intercâmbio nestas eleições.
Aquele entre a classe política e a classe dos palhaços.
Se Plínio quisesse implementar algo muito mais fácil não precisaria de tanta bravata. Muito melhor que dar calote é desvalorizar a dívida. Bastaria convidar Paul Krugman para ser assessor econômico, e iniciar o 'afrouxamento monetário' aqui no Brasil. Nome de moeda para colocar no que sobrar depois não ia faltar.
Plínio é ex-funça, declarou dois milhões de patrimônio. Mas, tirando esse contraste entre comunista rico e liberal pobre, assim como a gente, ele também não gosta da explosão da dívida pública.
Só que Plínio encontrou uma pedra filosofal muito melhor ainda do que a do Mantega. Uma verdadeira pedra de crack: calote geral. Deve ser isso que serve de fonte da juventude para o agitado octagenário. Pelo menos, se der errado não lhe sobra lá muitas décadas mesmo!
Que beleza que seria uma proposta dessas. Não estaríamos mais discutindo os problemas da dívida pública, e sim como obter comida, velas e outros mantimentos. E pensar que a CNBB já apoiou uma proposta dessas...
O PSOL ficaria feliz de destruir o capitalismo, voltando no tempo para corrigir este erro histórico. Voltaríamos àquela etapa anterior do desenvolvimento econômico, antes do surgimento da moeda. Construiríamos as bases de uma economia solidária centrada no escambo.
Plínio é a prova que estamos vendo um grande intercâmbio nestas eleições.
Aquele entre a classe política e a classe dos palhaços.
Se Plínio quisesse implementar algo muito mais fácil não precisaria de tanta bravata. Muito melhor que dar calote é desvalorizar a dívida. Bastaria convidar Paul Krugman para ser assessor econômico, e iniciar o 'afrouxamento monetário' aqui no Brasil. Nome de moeda para colocar no que sobrar depois não ia faltar.
28 de setembro de 2010
A pedra filosofal de Mantega
Com pedra filosofal do Mantega, todos os problemas da nação estão resolvidos.
Basta emitir dívida pública, comprar ativos no mesmo valor, e salientar que a dívida líquida não aumenta.
Dá para capitalizar a Petrobrás colocando como garantia o petróleo debaixo da terra, dá para recomprar a Vale usando o minério debaixo do solo, construir estrada colocando como garantia as rendas futuras, construir usinas com a garantia de venda da energia, quiça até lançar um foguete brasileiro à lua, dando como garantia terrenos lunares.
Basta emitir dívida pública, comprar ativos no mesmo valor, e salientar que a dívida líquida não aumenta.
Dá para capitalizar a Petrobrás colocando como garantia o petróleo debaixo da terra, dá para recomprar a Vale usando o minério debaixo do solo, construir estrada colocando como garantia as rendas futuras, construir usinas com a garantia de venda da energia, quiça até lançar um foguete brasileiro à lua, dando como garantia terrenos lunares.
19 de maio de 2010
Pior que ataque do Godzilla : A dívida pública japonesa
Como se diz 'quantitative easing' em japonês?
Corte de 10bi é piada
Leandro Roque no site "do Mises" (www.mises.org.br) já havia alertado que o corte de R$ 10 bilhões anunciado pelo governo era "uma empulhação grotesca":
"A vigarice funciona assim: no ano passado, a despesa total foi estimada em R$ 1.664.747.856.320,00. Para esse ano, o orçamento previsto é de R$ 1.832.823.010.022,00. Ou seja: um aumento de módicos R$ 168.075.153.702 de um ano para o outro.
E o que o governo está dizendo? Que vai cortar 10 bilhões desse aumento de 168 bilhões. Ou seja: o tão propalado corte de gastos significa na verdade um aumento de gastos um pouquinho menor que o previsto. E a mídia cai na conversa!"
Hoje o ex-presidente do BC, Affonso Pastore, vai no mesmo ponto e afirma que o corte "é insuficiente para esfriar a economia".
Estadão: O Banco Central se atrasou?
Sem dúvida. Antes dos últimos dados, um ciclo de alta de três pontos porcentuais da Selic (taxa básica) era consenso de mercado. Hoje o pessoal já pensa em quatro pontos porcentuais, e também em que se mexa de novo nos compulsórios, para cima. Então o BC errou em não começar a subir a Selic em março, mas começou a corrigir.
O BC é independente e erros acontecem. Mas agora tem de bater firme em cima da inflação e eu acho que isso vai levar a um ciclo de aperto monetário que, infelizmente, é longo.
"A vigarice funciona assim: no ano passado, a despesa total foi estimada em R$ 1.664.747.856.320,00. Para esse ano, o orçamento previsto é de R$ 1.832.823.010.022,00. Ou seja: um aumento de módicos R$ 168.075.153.702 de um ano para o outro.
E o que o governo está dizendo? Que vai cortar 10 bilhões desse aumento de 168 bilhões. Ou seja: o tão propalado corte de gastos significa na verdade um aumento de gastos um pouquinho menor que o previsto. E a mídia cai na conversa!"
Hoje o ex-presidente do BC, Affonso Pastore, vai no mesmo ponto e afirma que o corte "é insuficiente para esfriar a economia".
Estadão: O Banco Central se atrasou?
Sem dúvida. Antes dos últimos dados, um ciclo de alta de três pontos porcentuais da Selic (taxa básica) era consenso de mercado. Hoje o pessoal já pensa em quatro pontos porcentuais, e também em que se mexa de novo nos compulsórios, para cima. Então o BC errou em não começar a subir a Selic em março, mas começou a corrigir.
O BC é independente e erros acontecem. Mas agora tem de bater firme em cima da inflação e eu acho que isso vai levar a um ciclo de aperto monetário que, infelizmente, é longo.
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17 de maio de 2010
Gary North explica como funciona o sistema
O establishment econômico usou a ganância dos eleitores para criar uma árvore de dinheiro para os bancos. E tem funcionado da seguinte maneira, desde um pouco antes da primeira guerra.
Os políticos prometem distribuir aos seus eleitores a renda retirada dos mais ricos. Os eleitores recebem promessas de emprego público, subsídios governamentais para sindicatos e para um generoso sistema de pensões. O estado do bem-estar cresce.
Os políticos sabem que não é possível aumentar os impostos o bastante para honrar estes compromissos. Eles passam a usar um sistema contábil "pay-as-you-go": A conta nunca fecha, mas é passada automaticamente às gerações futuras, através da rolagem da dívida pública e do sistema previdenciário.
Os governos se endividam. Os investidores compram a dívida pública, porque é garantida pelo governo. Estes investimentos são considerados livres de risco.
Estouram guerras. Os governos se endividam ainda mais. Esta dívida jamais será paga. Ela sempre aumenta. A dívida velha é rolada indefinidamente.
Os governos continuam vendendo promessas ainda maiores aos seus eleitores, que acreditam que estas promessas irão render frutos algum dia.
Quando começam tempos mais difíceis, os bancos centrais compram dívida pública com moeda fiat. Eles mantém a dívida rolando, e aumentando.
Qualquer ameaça de moratória derruba o sistema financeiro. Quando chega a crise, governos e o banco central assumem as perdas dos maiores bancos comerciais.
Os eleitores não fazem nada, pois eles mesmos estão completamente afundados em dívidas. Não possuem mais economias. Eles vivem de promessas governamentais. Não desejam uma quebra geral.
(...)
Este arranjo está agora caindo aos pedaços. O alto nível de endividamento está criando oportunidades, onde os especuladores expõem as mentiras dos governos e dos bancos centrais. Há lucros enormes a serem realizados no final deste espetáculo.
Artigo original no contexto dos PIIGS pode ser encontrado aqui:
Comento: O artigo original trata da exaustão do estado de bem-estar social. Alguns liberais mais exaltados, ligados aos Austríacos e às correntes anarquistas, se precipitam ao enterrar vivo o estado de bem-estar social. Esquecem que o norte da Europa vive sob este sistema, já passou por crises, e já o reformou, removendo entraves burocráticos e criando portas de saída dos programas estatais.
O norte da Europa hoje paga pela conta do sul, e está longe de um colapso financeiro, embora as mudanças de comportamento econômico resultantes de um sistema de bem-estar social sejam em geral negativas no longo prazo.
Concordo que estamos vendo uma espécie de colapso deste sistema. Mas a conta chega bem antes nos países sem uma cultura de seriedade no trato das contas públicas.
North também fala de uma 'moratória' da dívida. Tal moratória é impossível nos EUA. O estado simplesmente controla a moeda fiat, coisa que não acontece na Grécia, e que não aconteceu nas crises de dívida externa na América Latina e na Ásia. Só quem pode imprimir dólar é, justamente, o Fed americano.
Portanto, o que acontece na sequência de uma dívida impagável não é moratória, e sim a monetização da dívida, que resulta em uma inflação ou hiper-inflação. As perdas bancárias americanas não foram em títulos da dívida. Não é um comportamento irracional de mercado considerar a dívida pública como baixo risco. É realmente baixo risco, pois bancos, banco central e estado realmente tem a maquininha na mão.
Mas é extremamente verdadeira e sinistra a observação sobre o endividamento privado. Uma situação nos países ricos onde a maioria da população possui dívidas pode se tornar ainda pior do que a situação dos países em desenvolvimento, onde grande parte do eleitorado vota em demagogos pois não tem nada a perder. Porque escravos por dívidas não tem muita capacidade de resistir ao avanço dos que tem o poder de cancelar a dívida de alguns e levar outros à falência.
Princípios democráticos e republicanos são compatíveis apenas com uma sociedade livre. É necessário que a maioria da população possua liberdade, informação, propriedade privada. Caso contrário ninguém tem nada a perder e a demagogia reina solta. Nos aproximamos da tirania.
5 de maio de 2010
Comediantes da dívida pública
Em mais um 'round' de pesquisa sobre a dívida pública, dei uma lida sobre a CPI da dívida pública.
Esta CPI foi instalada em 2009 por 'movimentos sociais' interessados em investigar 'a verdadeira natureza da dívida pública brasileira, que chega a consumir até 47% do orçamento que o país poderia direcionar para educação, saúde e outros investimentos.'
Ou seja, seguindo a linha clássica da ignorância da esquerda, o culpado pela dívida pública, conclusão tomada mesmo antes da CPI começar, são os juros, que justamente como mostramos nos artigos anteriores é uma das facetas da dívida pública.
É como se reclamassem que estão endividados por causa dos juros do cheque especial, e não por causa da dívida em si. Aí querem abaixar na marra estes juros - o que se faz comprando títulos públicos no mercado, injetando crédito e causando inflação - para que possam ficar livres para gastar ainda mais.
Se o estado puder refinanciar sua dívida de maneira a pagar menos, ótimo. Mas obviamente não é isso que os economistas 'anti-neoliberais' querem dizer. No fundo eles não ligam para a inflação, não ligam para a moeda, e por má fé ou ignorância, estão se lixando para a população.
É triste ver que parlamentares não sabem como isto funciona. Tudo bem que eles são do Psol, e o mecanismo monetário é mesmo sorrateiramente técnico. Mas se fosse depender da capacidade de certos parlamentares de entender assuntos econômicos, estaríamos ainda na época do escambo, ou talvez nem isso.
Em todo caso, é engraçado ver estes patetas criarem uma CPI para analisar a dívida pública justo na hora em que Lulinha e sua turma aproveitaram a crise mundial para salvar Votorantim, capitalizar Petrobrás, salvar a Sadia da falência... E depois financiar as obras de desenvolvimento tocados à moda antiga. Lula arrebentou a boca do balão, em termos de dívida pública. Quer transformar o BNDES no maior banco estatal da galáxia.
Quem toma do BNDES pega com juros subsidiados por todo mundo que pega taxas normais nos bancos. O Brasil é um dos poucos países do mundo onde existem duas taxas de juros. Uma para os com-subsídio e outra para os sem-subsídio. O BNDES existe porque toma na marra recursos do dos trabalhadores e das empresas, através do FAT, do PIS/PASEP. Um dos pedregulhos mais pesados na mochila do 'custo-brasil'. E recentemente, o BNDES passou a ser financiado diretamente pelo tesouro, o que dá uma dimensão muito maior ao problema.
Se formos ver onde o BNDES anda aplicando a maioria dos seus vastos recursos, vamos ver meia dúzia de grandes empresas, o 'chaebol' brasileiro. Empresas que teriam total condição de jogar de acordo com as regras do capitalismo e obter crédito de maneira convencional.
Empresas estatais, semi-estatais, e com grande influência política. Os grandes projetos tem uma prepoderância como nunca antes na história deste país - ressalvas feitas ao regime militar e a contrução de Brasília - perigo, perigo.
O resultado disso tudo antes foi um grande inchaço na dívida do país. E não é nada diferente agora.
Como é típico por estas bandas, o governo investe um tempão massageando estatísticas, falando de dívida 'líquida' versus dívida 'bruta', picaretagem semelhante ao uso de termos como 'superávit primário'.
Institutos de pesquisa econômica dentro da 'zona amiga' do governo começam agora a pintar uma imagem de que o aumento na dívida existe, ok, mas é por causa do gasto social e do 'modelo de estado' que os brasileiros escolheram (!).
Nem mencione para os novos-estatistas-de-cabeça-erguida a ineficiência da máquina pública. Eles acham que isso é bandeira do PSDB, o único cachorro no momento com uma chance remota de roubar esse osso deles. Eles entendem o mundo como um combate eterno entre as forças do bem, que são eles, e as forças do mal, que consistem no PSDB.
Vão esfregar estudos do IPEA na sua cara 'provando' que o setor público 'produz' mais que o privado. Quem sabe então em um futuro próximo eles vão estar pagando impostos para nós, e não vice-versa? Já seria hora de Brasília começar a pagar dividendos depois de tudo que 'investimos' neles.
Dentro dessa nova tentativa de confundir a opinião pública, vemos os bilhões do BNDES para as grandes empresas e projetos do governo, mascarados como não se fosse dívida, pois 'o estado vai receber isso de volta'. O governo quer nos vender o número de dívida líquida, e não bruta.
Isto simplesmente ignora de propósito que ao assumir todos estes mega-projetos o estado está assumindo também o risco destes projetos falharem. E aí o que vai acontecer? Bota na conta do tesouro...
Mas sabem qual foi a conclusão da tal CPI da dívida?
O relator Pedro Novais, do PMDB-MA, se deparou com esquemas controversos, como o de repasses diretos ao BNDES e Petrobrás via emissão de títulos, e exigiu, corretamente, que tudo isso deva ter o aval do congresso. Notou também a falta de transparência e a babel de dados confusos de propósito, e pediu mais transparência. Recomendações louváveis!
Mas no final, deu um fechamento bem ao gosto do PSol, que instalou a CPI. Concluiu que os juros altos são responsáveis pela escalada da dívida, conclusão que comete aquela falácia básica de ignorar como funciona o sistema monetário.
O relator fez uma observação correta: ao trocar dívida em dólar por dívida em real estamos pagando uma conta bem mais alta. Só que justamente o governo não queria mais entrada de dólares para não prejudicar os empresários exportadores. Além de querer mostrar por aí que o país está 'quites' com FMI.
Agora, para acabar esta análise, e como exemplo de como é difícil sair alguma coisa útil das CPIs e do nosso congresso nacional, vejamos o que foi recomendado após toda esta discussão:
"Dois projetos que estão no Senado receberam apoio do relator. Ambos fixam limites para as dívidas, líquida e bruta, em 350% e 650% das receitas líquidas correntes da União. O Brasil já vem cumprindo esses limites, que são compatíveis com o endividamento de países com o perfil brasileiro. "
Vejamos... Me corrijam se eu estou errado, mas pelas minhas contas isto daria 52.5% do PIB para a dívida líquida, e 97.5% do PIB para a dívida bruta, que é a que se usa neste tipo de análise.
Tomei o PIB estimado em 3 trilhões de reais, para simplificar, e a Receita líquida corrente dos últimos 12 meses, em 450 bilhões de reais.
Dados das receitas líquidas correntes da união aqui:
Este nível de endividameto está bastante fora da possibilidade no momento. Então, como muitas outras leis, esta lei não teria efeito prático nenhum.
Não saberia dizer até quando o mercado 'toparia' a dívida pública brasileira, mas deve ser bem abaixo de 100% do PIB.
Só existe uma meia dúzia de países no mundo com um endividamento tão grande. Um deles é o Japão. Uma grande exceção, pois conta com alta taxa de poupança interna, que acaba voltando para os títulos da dívida pública japoneses, que não rendem - e não precisam render - quase nada.
Outro país com este perfil de endividamento, além de Itália, Grécia, que atualmente não são exemplo pra ninguém, é o Zimbábue. Este país no sul da África, antiga Rodésia, era relativamente próspero. É talvez o pior caso de gerenciamento de moeda e das contas públicas do mundo. O país se acabou na hiper-inflação. O Zimbábue possui endividamento de 300% do PIB.
Então vemos que limitar a dívida pública bruta a aproximadamente 100% do PIB é uma medida bastante inócua... Quando a dívida chegar neste patamar o país já estará quebrado.
Mas quem sabe? Talvez um dia seja útil ter uma lei que evite o Brasil ficar em uma situação pior que a o Zimbábue.
Sobre a CPI
Sobre a atuação oportunista do BNDES na crise
29 de abril de 2010
Governo prepara MP para dar conexão direta entre o tesouro e empresas privilegiadas
O BNDES recebeu 100 bilhões de aportes financiados exclusivamente com dívida pública. Não vai ser feito, obviamente, nenhum corte por parte do governo para fazer essa quantia.
Agora, assustadoramente, o governo quer tornar permanente o que era para ser provisório. Uma 'linha direta' de crédito financiado pelo tesouro direto para Petrobrás, Vale e outras grandes empresas com grande influência estatal, e projetos com riscos elevados, como se tornou Belo Monte, onde o estado acabou segurando a bucha sozinho.
O colunista Antônio Machado faz essa importante conexão com o mesmo dispositivo que era usado na época da ditadura.
Se olharmos friamente, há uma conexão grande entre o Lulismo e os governos ufanistas da ditadura militar, os que governaram antes dos problemas aparecerem. Um estado forte, autoritarismo, ufanismo, exploração da copa do mundo. E adivinhe como os milicos financiavam seus projetos estatais? Isso mesmo, conexão direta. O que contribuiu muito para a hiper-inflação que seguiu depois. É um risco enorme deixar essa porta aberta.
O orçamento público não é feito para ser investido em empresas.
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22 de abril de 2010
Mais Lula x FHC : A estória não contada da dívida pública
Publiquei um post aqui um tempo atrás falando sobre as grandes dificuldades fiscais após o plano real, fato bastante esquecido na nossa história recente. Como resultado do plano real tivemos uma grave crise fiscal e um enorme aumento da carga tributária. As privatizações feitas pelo PSDB precisam ser vistas neste contexto, já que os petistas de carteirinha lançam uma grande campanha de falsificação histórica apontando o 'estado fraco' da era social-democrata. Ora essa. Tivessem os petistas assumido naquela época através do sr. Lula, muito provavelmente teríamos alta inflação até hoje. Pois o sr. Lula mostrou em seu governo o quanto foge das mais mínimas reformas estruturais.
Ao contrário do PT, há de se reconhecer que Fernando Henrique não empurrou com a barriga. Autorizaram competentes economistas (talvez pela primeira vez em muitas décadas) a levar adiante um plano que teria consequências catastróficas para as contas públicas, e que teria que cortar na carne, se desfazendo de empresas e cortando investimentos até que as contas fossem saneadas.
Valeu à pena? É óbvio que sim. O imposto inflacionário é imposto escondido. É o mais insidioso de todos os impostos. Era o maior problema do país nesta época. Melhor reconhecer nossa carga tributária real, que a partir desta época se revelou em torno de 35%, do que ficar fingindo que a carga tributária é baixa, mas deixar o governo e os bancos lucrarem em cima das perdas inflacionárias dos outros.
Os bancos brasileiros também passaram portanto por grave crise, especialmente os bancos públicos. Tiveram que se adaptar para uma situação completamente diferente da qual eles sempre trabalharam.
Em suma, uma série de esqueletos foi retirada do armário nestes anos. E as reformas fiscais deram as condições para que o governo Lula, principalmente em seu segundo mandato, entrasse nessa farra fiscal na qual nos encontramos agora.
Recentemente encontrei este excelente blog
O autor, Amilton Aquino, publicou nada mais que uma série de 10 posts tratando exclusivamente deste importante assunto.
É bom que o país tome conhecimento desta história o quanto antes. A inflação está aí batendo na porta. Os juros alcançaram seu nível mínimo, abaixo do que todos gostariam. Agora, é só para cima. O culpado é o gasto governamental, mas não importa. Vão apontar o dedo em outra direção. O presidente do Banco Central sabe do problema. Mas é tema proibido, portanto não toca no assunto.
A boa situação fiscal do país rapidamente foi comprometida. Os efeitos só serão sentidos daqui a alguns anos. Como todo presidente gastador, Lula entrará para a história amado pelo povo, e detestado por quem vê fatos e números e enxerga as consequências do que ele fez para o futuro do país. Além de ter conduzido uma política externa equivocada e atentado várias vezes contra princípios fundamentais da democracia, deixará uma verdadeira bomba fiscal para seu sucessor. Isso começa a ficar claro recentemente, com vários indicadores de que a gastança chegou ao seu limite.
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