“Se me dissessem há 14 anos que o salário mínimo iria dobrar em termos reais e que a taxa de desemprego ia cair de 15% para 7%, eu não ia acreditar” Samuel Pessoa
A constituição de 88 entre outros problemas a longo prazo para o país estipulou que o SM serve para indexar o programa de auxílio a quem jamais contribuiu no sistema de previdência. Isto não é pensão, mas sim caridade estatal (LOAS), e deveria ser sujeita a outros critérios e reajustada de acordo com as possibilidades, e não indexada. É uma quantia bastante elevada, mesmo comparando com a quantia equivalente oferecida em países da Europa.
A outra distorção é o aumento do valor mínimo das pensões do INSS. O camarada pagou 300 R$, mas recebe 500 R$, obviamente não há possibilidade alguma de um sistema desses absorver sucessivos aumentos reais do SM. Como os pensionistas do INSS sabem bem, se a sua pensão é acima de 1 SM os reajustes não são automaticamente indexados ao SM, assim como na economia real o SM não faz diferença para aquelas áreas acima do SM, e apenas serve para destruir vagas formais de emprego abaixo do SM. Qualquer economista sério sabe o efeito do SM na economia, e porque os sindicatos curiosamente se preocupam tanto com ele, já que seus membros ganham acima do SM.
A famosa frase do Samuel Pessoa eu leio assim: se me dissessem há 14 anos que o Brasil ia entrar na bolha econômica mundial e ia poder pagar por tudo isso durante algum tempo, eu também não iria acreditar. O governo Dilma está obviamente limpando o lixo tóxico que o chefe deixou e se preparando para o pior. Porque o Brasil seria apenas mais um país em crise fiscal caso sejamos surpreendidos pelos desenlaces da crise mundial, caso nada seja feito agora. E eles sabem que nessa situação a popularidade despenca tão rápido quanto subiu.
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17 de fevereiro de 2011
11 de outubro de 2010
Opinião de Pedro Malan
Diálogo de surdos?
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623099,0.php#noticia
Comento:
De fato a memória deste período precisa ser resgatada. Apesar do plano real ter trazido muitos benefícios imediatos à maior parte da população, o governo Fernando Henrique, no qual Pedro Malan deu sua enorme contribuição, teve que lidar com problemas de reorganização do estado muito grandes e dolorosos, mas que colocaram o país na rota certa, com os frutos sendo colhidos ao longo do tempo. O maior deles: uma moeda estável, os efeitos de redução da pobreza consequentes disso, e um sistema financeiro mais sólido do que o dos países desenvolvidos.
Nós certamente pagamos um preço por estes anos de ajuste. Não foi fácil. Valeu à pena? CERTAMENTE QUE SIM.
É ridículo o governo atual vir agora colocar propaganda na TV comparando o Brasil que precisava de resgate do FMI com o Brasil de agora que 'empresta ao FMI'. São situações diferentes. E ao mesmo tempo que colhem os frutos das reformas passadas, se encarregam de desfazê-las, relaxando nos últimos anos com as contas públicas, e usando emissão de dívida em real, 10x mais cara que dívida externa, para financiar a fatia estatal e do partido em estatais e outros aportes de investimento.
O Brasil de hoje não tem grandes problemas com as suas contas, se formos comparar com o tsunami de outras épocas. Mas houve uma deterioração clara e o futuro governo já poderá sentir o efeito desta 'herança maldita' do PT. Lula é um bom surfista, e não é um bom administrador.
Lula deu uma entrevista à The Economist onde reclamou muito dos grandes entraves ao investimento, mesmo estatal, no Brasil. Mas qual é o legado administrativo dele sobre este tema que ele conheceu durante sua administração? Nada, absolutamente nada. Não teve coragem de reformar, surfou no bom momento do país e se preocupou com a popularidade momentânea acima de tudo.
E tentaram conciliar um movimento populista de massas com os interesses radicais do partido. Tentaram deixar um legado nefasto, que foi o do PDH3 e outros atentados contra a liberdade no estilo 'assinei e não li'. Entre outros atropelos, este plano se chocava contra valores conservadores da sociedade brasileira. Então agora que não venham chorar sobre o leite derramado.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623099,0.php#noticia
Comento:
De fato a memória deste período precisa ser resgatada. Apesar do plano real ter trazido muitos benefícios imediatos à maior parte da população, o governo Fernando Henrique, no qual Pedro Malan deu sua enorme contribuição, teve que lidar com problemas de reorganização do estado muito grandes e dolorosos, mas que colocaram o país na rota certa, com os frutos sendo colhidos ao longo do tempo. O maior deles: uma moeda estável, os efeitos de redução da pobreza consequentes disso, e um sistema financeiro mais sólido do que o dos países desenvolvidos.
Nós certamente pagamos um preço por estes anos de ajuste. Não foi fácil. Valeu à pena? CERTAMENTE QUE SIM.
É ridículo o governo atual vir agora colocar propaganda na TV comparando o Brasil que precisava de resgate do FMI com o Brasil de agora que 'empresta ao FMI'. São situações diferentes. E ao mesmo tempo que colhem os frutos das reformas passadas, se encarregam de desfazê-las, relaxando nos últimos anos com as contas públicas, e usando emissão de dívida em real, 10x mais cara que dívida externa, para financiar a fatia estatal e do partido em estatais e outros aportes de investimento.
O Brasil de hoje não tem grandes problemas com as suas contas, se formos comparar com o tsunami de outras épocas. Mas houve uma deterioração clara e o futuro governo já poderá sentir o efeito desta 'herança maldita' do PT. Lula é um bom surfista, e não é um bom administrador.
Lula deu uma entrevista à The Economist onde reclamou muito dos grandes entraves ao investimento, mesmo estatal, no Brasil. Mas qual é o legado administrativo dele sobre este tema que ele conheceu durante sua administração? Nada, absolutamente nada. Não teve coragem de reformar, surfou no bom momento do país e se preocupou com a popularidade momentânea acima de tudo.
E tentaram conciliar um movimento populista de massas com os interesses radicais do partido. Tentaram deixar um legado nefasto, que foi o do PDH3 e outros atentados contra a liberdade no estilo 'assinei e não li'. Entre outros atropelos, este plano se chocava contra valores conservadores da sociedade brasileira. Então agora que não venham chorar sobre o leite derramado.
30 de setembro de 2010
Quem chega ao posto de mãe Joana não precisa prestar contas para ninguém
Nas últimas semans assistimos a algumas manobras contábeis feitas pelo governo em clima eleitoral. Assistimos a um grande contorcionismo, uma fórmula mágica que o governo buscou para capitalizar a Petrobras sem ter capital disponível, e sem que o capital dos investidores pudesse ameaçar a preponderância da fatia do estado. Isso, para quem entende o modo de pensamento da esquerda, era algo bastante esperado.
Agora, de sopetão, o governo usa dois de seus brinquedos favoritos, o BNDES e a Petrobrás, para dar uma maquiada nas contas públicas, e atingir a meta de superávit primário que eles iam perder. Alguns dias antes eles disseram que não usariam mais o BNDES neste tipo de operação. Evidentemente mudaram de idéia.
http://blogs.estadao.com.br/rolf-kuntz/2010/09/29/o-custo-da-arrumacao/
Isto dá um grande reforço na nossa reputação de usuário pesado da ‘contabilidade criativa’, e certamente não ajuda em nada o país à longo prazo. O problema é que governo federal por aqui pensa que pode administrar como se fosse a casa da mãe Joana. Arrumando a casa de qualquer jeito e à sua maneira, abrindo brechas e espalhando gambiarras. Eles acham que ganhar eleições e ter altos índices de popularidade os libera de seguir práticas de transparência e de boa governança.
Justamente esta idéia de que se tem do estado como tendo o direito sagrado de se erguer acima de qualquer restrição, seja auto-imposta ou através da exposição de certos temas pela imprensa, é que ecoa perfeitamente com a doutrina fascista, que enxerga o estado como expressão máxima do povo, não admitindo qualquer oposição. Note que estamos usando o termo 'fascista' historicamente e com causa, e não como palavrão, como é comum pela esquerda.
Desta doutrina herdamos outros elementos, tais como nosso forte corporativismo, também bastante valorizado por Lula, como seria esperado em um presidente sindicalista. E esta tendência de tranformar governo em árbitro supremo, infiscalizável por natureza, e de criar uma religião laica de culto ao estado.
Precisamos acabar com isso. Em primeiro lugar, chega de contorcionismo e de MPs aparecendo pra dar um jeitinho nas contas na última hora. Isto é inaceitável. O governo federal precisa jogar dentro de regras estabelecidas. Estados e municípios são bem mais limitados em suas aventuras pela LRF, criada pelo governo anterior, quando o estado estava, realmente, ainda saindo do fundo do poço.
Hoje estamos em uma situação macroeconômica bem melhor, graças a esta e outras reformas fundamentais. Mas no que o atual governo contribuiu? Qual será o legado do governo atual? Será certamente o de avançar no ideal do estado fascista: consolidar a mítica do líder e da grandeza nacional acima das regras e trivialidades administrativas, fiscalizar tudo e todos, mas não prestar contas para ninguém. Transformar anseios populares em patriotada, e agir com amadorismo e extremo 'patrimonialismo partidário' no trato da máquina pública.
Será que vamos ter que chegar novamente ao fundo do poço para amadurecer e continuar avançando administrativamente? Parece que sim. Porque infelizmente estes temas técnicos não interessam o eleitor. Só há um interesse nacional quando as turbinas do avião começam a falhar.
Agora, de sopetão, o governo usa dois de seus brinquedos favoritos, o BNDES e a Petrobrás, para dar uma maquiada nas contas públicas, e atingir a meta de superávit primário que eles iam perder. Alguns dias antes eles disseram que não usariam mais o BNDES neste tipo de operação. Evidentemente mudaram de idéia.
http://blogs.estadao.com.br/rolf-kuntz/2010/09/29/o-custo-da-arrumacao/
Isto dá um grande reforço na nossa reputação de usuário pesado da ‘contabilidade criativa’, e certamente não ajuda em nada o país à longo prazo. O problema é que governo federal por aqui pensa que pode administrar como se fosse a casa da mãe Joana. Arrumando a casa de qualquer jeito e à sua maneira, abrindo brechas e espalhando gambiarras. Eles acham que ganhar eleições e ter altos índices de popularidade os libera de seguir práticas de transparência e de boa governança.
Justamente esta idéia de que se tem do estado como tendo o direito sagrado de se erguer acima de qualquer restrição, seja auto-imposta ou através da exposição de certos temas pela imprensa, é que ecoa perfeitamente com a doutrina fascista, que enxerga o estado como expressão máxima do povo, não admitindo qualquer oposição. Note que estamos usando o termo 'fascista' historicamente e com causa, e não como palavrão, como é comum pela esquerda.
Desta doutrina herdamos outros elementos, tais como nosso forte corporativismo, também bastante valorizado por Lula, como seria esperado em um presidente sindicalista. E esta tendência de tranformar governo em árbitro supremo, infiscalizável por natureza, e de criar uma religião laica de culto ao estado.
Precisamos acabar com isso. Em primeiro lugar, chega de contorcionismo e de MPs aparecendo pra dar um jeitinho nas contas na última hora. Isto é inaceitável. O governo federal precisa jogar dentro de regras estabelecidas. Estados e municípios são bem mais limitados em suas aventuras pela LRF, criada pelo governo anterior, quando o estado estava, realmente, ainda saindo do fundo do poço.
Hoje estamos em uma situação macroeconômica bem melhor, graças a esta e outras reformas fundamentais. Mas no que o atual governo contribuiu? Qual será o legado do governo atual? Será certamente o de avançar no ideal do estado fascista: consolidar a mítica do líder e da grandeza nacional acima das regras e trivialidades administrativas, fiscalizar tudo e todos, mas não prestar contas para ninguém. Transformar anseios populares em patriotada, e agir com amadorismo e extremo 'patrimonialismo partidário' no trato da máquina pública.
Será que vamos ter que chegar novamente ao fundo do poço para amadurecer e continuar avançando administrativamente? Parece que sim. Porque infelizmente estes temas técnicos não interessam o eleitor. Só há um interesse nacional quando as turbinas do avião começam a falhar.
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19 de maio de 2010
Corte de 10bi é piada
Leandro Roque no site "do Mises" (www.mises.org.br) já havia alertado que o corte de R$ 10 bilhões anunciado pelo governo era "uma empulhação grotesca":
"A vigarice funciona assim: no ano passado, a despesa total foi estimada em R$ 1.664.747.856.320,00. Para esse ano, o orçamento previsto é de R$ 1.832.823.010.022,00. Ou seja: um aumento de módicos R$ 168.075.153.702 de um ano para o outro.
E o que o governo está dizendo? Que vai cortar 10 bilhões desse aumento de 168 bilhões. Ou seja: o tão propalado corte de gastos significa na verdade um aumento de gastos um pouquinho menor que o previsto. E a mídia cai na conversa!"
Hoje o ex-presidente do BC, Affonso Pastore, vai no mesmo ponto e afirma que o corte "é insuficiente para esfriar a economia".
Estadão: O Banco Central se atrasou?
Sem dúvida. Antes dos últimos dados, um ciclo de alta de três pontos porcentuais da Selic (taxa básica) era consenso de mercado. Hoje o pessoal já pensa em quatro pontos porcentuais, e também em que se mexa de novo nos compulsórios, para cima. Então o BC errou em não começar a subir a Selic em março, mas começou a corrigir.
O BC é independente e erros acontecem. Mas agora tem de bater firme em cima da inflação e eu acho que isso vai levar a um ciclo de aperto monetário que, infelizmente, é longo.
"A vigarice funciona assim: no ano passado, a despesa total foi estimada em R$ 1.664.747.856.320,00. Para esse ano, o orçamento previsto é de R$ 1.832.823.010.022,00. Ou seja: um aumento de módicos R$ 168.075.153.702 de um ano para o outro.
E o que o governo está dizendo? Que vai cortar 10 bilhões desse aumento de 168 bilhões. Ou seja: o tão propalado corte de gastos significa na verdade um aumento de gastos um pouquinho menor que o previsto. E a mídia cai na conversa!"
Hoje o ex-presidente do BC, Affonso Pastore, vai no mesmo ponto e afirma que o corte "é insuficiente para esfriar a economia".
Estadão: O Banco Central se atrasou?
Sem dúvida. Antes dos últimos dados, um ciclo de alta de três pontos porcentuais da Selic (taxa básica) era consenso de mercado. Hoje o pessoal já pensa em quatro pontos porcentuais, e também em que se mexa de novo nos compulsórios, para cima. Então o BC errou em não começar a subir a Selic em março, mas começou a corrigir.
O BC é independente e erros acontecem. Mas agora tem de bater firme em cima da inflação e eu acho que isso vai levar a um ciclo de aperto monetário que, infelizmente, é longo.
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17 de maio de 2010
A Grécia é o Brasil amanhã
Governo Lula deu reajustes de até 576%
Ao longo de seus dois mandatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou os servidores públicos de mal remunerados a invejados pelo mercado. Em alguns casos, o reajuste ao longo dos últimos oito anos chegou a 576%. É o caso dos pesquisadores em topo de carreira do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que iniciaram 2003 com salário de R$ 1.959,00 e hoje ganham R$ 13.249,00.
O alto salarial foi fruto de um acordo fechado em 2008 com várias categorias, que deixarão ao sucessor de Lula uma fatura de gastos adicionais com folha de R$ 35 bilhões só em 2011. Ainda assim, Lula chega ao fim de seu último ano enfrentando uma onda de greves que pode aumentar esta semana. O Inep é um dos órgãos atualmente parados. (Estadão, 17/05/10).
Comento: Um dia o Brasil vai pagar caro por essa bonança da nova burguesia do dinheiro alheio. Uma turma que arrota o discurso "social", mas que na verdade defende apenas os seus privilégios, ano após ano, greve após greve. São salários incompatíveis com a realidade brasileira, gratificações, planos de carreira, e toda a sorte de penduricalhos que custam e custarão cada vez mais caros ao resto da população.
O serviço público, seja ele municipal, estadual ou federal, é hoje um dos principais fatores de desigualdade no Brasil. Cada servidor, em geral, improdutivo, e muitas vezes corrupto, suga o esforço de centenas de brasileiros. Além disso, se sentem donos do bem público ("Isso aqui é nosso", ouvi numa repartição pública) e aposentados no primeiro dia de trabalho. E o pior, viram chantagistas sociais. Se portam de representantes do povo, quando na verdade são os sanguessugas da população.
Lembrei: Uma das categorias que mais recebeu aumentos acima da inflação foram os correios. Qual o resultado? A piora flagrante na qualidade dos serviços. A empresa e a categoria foram aparelhadas. Os Correios hoje são uma vergonha. Mas isso não é um problema, afinal, ganharam aumentos significativos sem méritos. "Pra quê" se esforçar?
Ao longo de seus dois mandatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou os servidores públicos de mal remunerados a invejados pelo mercado. Em alguns casos, o reajuste ao longo dos últimos oito anos chegou a 576%. É o caso dos pesquisadores em topo de carreira do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que iniciaram 2003 com salário de R$ 1.959,00 e hoje ganham R$ 13.249,00.
O alto salarial foi fruto de um acordo fechado em 2008 com várias categorias, que deixarão ao sucessor de Lula uma fatura de gastos adicionais com folha de R$ 35 bilhões só em 2011. Ainda assim, Lula chega ao fim de seu último ano enfrentando uma onda de greves que pode aumentar esta semana. O Inep é um dos órgãos atualmente parados. (Estadão, 17/05/10).
Comento: Um dia o Brasil vai pagar caro por essa bonança da nova burguesia do dinheiro alheio. Uma turma que arrota o discurso "social", mas que na verdade defende apenas os seus privilégios, ano após ano, greve após greve. São salários incompatíveis com a realidade brasileira, gratificações, planos de carreira, e toda a sorte de penduricalhos que custam e custarão cada vez mais caros ao resto da população.
O serviço público, seja ele municipal, estadual ou federal, é hoje um dos principais fatores de desigualdade no Brasil. Cada servidor, em geral, improdutivo, e muitas vezes corrupto, suga o esforço de centenas de brasileiros. Além disso, se sentem donos do bem público ("Isso aqui é nosso", ouvi numa repartição pública) e aposentados no primeiro dia de trabalho. E o pior, viram chantagistas sociais. Se portam de representantes do povo, quando na verdade são os sanguessugas da população.
Lembrei: Uma das categorias que mais recebeu aumentos acima da inflação foram os correios. Qual o resultado? A piora flagrante na qualidade dos serviços. A empresa e a categoria foram aparelhadas. Os Correios hoje são uma vergonha. Mas isso não é um problema, afinal, ganharam aumentos significativos sem méritos. "Pra quê" se esforçar?
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24 de abril de 2010
Ciro Gomes chuta o balde e menciona crise da dívida
Ao ver sua candidatura descontruída pelo PT, o candidato chuta o balde e lança uma previsão que já batemos a tecla por aqui:
"Em 2011 ou 2012, o Brasil vai enfrentar uma crise fiscal, uma crise cambial. Como estamos numa fase econômica e aparentemente boa, a discussão fica escondida. Mas precisa ser feita."
Isso mostra que é bem diferente o que se passa dentro do governo e a maquiagem de dados e toneladas de marketing que eles vendem aqui fora. Ciro já ouviu falar deste problema. Quem mais lá dentro sabe? Talvez todo mundo? Será que sabem que quem tomar o governo de Lula receberá uma "herança maldita" muito maior do que este julgou receber do governo anterior?
Lula vai entrar para a história por ter gastado recursos como 'nunca antes na estória deste país'. Entrará na história por ser um presidente que praticamente não precisou dizer 'não' para absolutamente nada e comprometeu as contas públicas mesmo em tempo de crescimento.
Acho que se a quebra da China ocorrer, o pior nos espera, graças ao grande fanfarrão. Mas, se não ocorrer, é capaz do crescimento do país conseguir segurar o estado que ele criou nas costas.
22 de abril de 2010
Mais Lula x FHC : A estória não contada da dívida pública
Publiquei um post aqui um tempo atrás falando sobre as grandes dificuldades fiscais após o plano real, fato bastante esquecido na nossa história recente. Como resultado do plano real tivemos uma grave crise fiscal e um enorme aumento da carga tributária. As privatizações feitas pelo PSDB precisam ser vistas neste contexto, já que os petistas de carteirinha lançam uma grande campanha de falsificação histórica apontando o 'estado fraco' da era social-democrata. Ora essa. Tivessem os petistas assumido naquela época através do sr. Lula, muito provavelmente teríamos alta inflação até hoje. Pois o sr. Lula mostrou em seu governo o quanto foge das mais mínimas reformas estruturais.
Ao contrário do PT, há de se reconhecer que Fernando Henrique não empurrou com a barriga. Autorizaram competentes economistas (talvez pela primeira vez em muitas décadas) a levar adiante um plano que teria consequências catastróficas para as contas públicas, e que teria que cortar na carne, se desfazendo de empresas e cortando investimentos até que as contas fossem saneadas.
Valeu à pena? É óbvio que sim. O imposto inflacionário é imposto escondido. É o mais insidioso de todos os impostos. Era o maior problema do país nesta época. Melhor reconhecer nossa carga tributária real, que a partir desta época se revelou em torno de 35%, do que ficar fingindo que a carga tributária é baixa, mas deixar o governo e os bancos lucrarem em cima das perdas inflacionárias dos outros.
Os bancos brasileiros também passaram portanto por grave crise, especialmente os bancos públicos. Tiveram que se adaptar para uma situação completamente diferente da qual eles sempre trabalharam.
Em suma, uma série de esqueletos foi retirada do armário nestes anos. E as reformas fiscais deram as condições para que o governo Lula, principalmente em seu segundo mandato, entrasse nessa farra fiscal na qual nos encontramos agora.
Recentemente encontrei este excelente blog
O autor, Amilton Aquino, publicou nada mais que uma série de 10 posts tratando exclusivamente deste importante assunto.
É bom que o país tome conhecimento desta história o quanto antes. A inflação está aí batendo na porta. Os juros alcançaram seu nível mínimo, abaixo do que todos gostariam. Agora, é só para cima. O culpado é o gasto governamental, mas não importa. Vão apontar o dedo em outra direção. O presidente do Banco Central sabe do problema. Mas é tema proibido, portanto não toca no assunto.
A boa situação fiscal do país rapidamente foi comprometida. Os efeitos só serão sentidos daqui a alguns anos. Como todo presidente gastador, Lula entrará para a história amado pelo povo, e detestado por quem vê fatos e números e enxerga as consequências do que ele fez para o futuro do país. Além de ter conduzido uma política externa equivocada e atentado várias vezes contra princípios fundamentais da democracia, deixará uma verdadeira bomba fiscal para seu sucessor. Isso começa a ficar claro recentemente, com vários indicadores de que a gastança chegou ao seu limite.
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