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11 de outubro de 2010

Opinião de Pedro Malan

Diálogo de surdos?
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623099,0.php#noticia

Comento:

De fato a memória deste período precisa ser resgatada. Apesar do plano real ter trazido muitos benefícios imediatos à maior parte da população, o governo Fernando Henrique, no qual Pedro Malan deu sua enorme contribuição, teve que lidar com problemas de reorganização do estado muito grandes e dolorosos, mas que colocaram o país na rota certa, com os frutos sendo colhidos ao longo do tempo. O maior deles: uma moeda estável, os efeitos de redução da pobreza consequentes disso, e um sistema financeiro mais sólido do que o dos países desenvolvidos.

Nós certamente pagamos um preço por estes anos de ajuste. Não foi fácil. Valeu à pena? CERTAMENTE QUE SIM.

É ridículo o governo atual vir agora colocar propaganda na TV comparando o Brasil que precisava de resgate do FMI com o Brasil de agora que 'empresta ao FMI'. São situações diferentes. E ao mesmo tempo que colhem os frutos das reformas passadas, se encarregam de desfazê-las, relaxando nos últimos anos com as contas públicas, e usando emissão de dívida em real, 10x mais cara que dívida externa, para financiar a fatia estatal e do partido em estatais e outros aportes de investimento.

O Brasil de hoje não tem grandes problemas com as suas contas, se formos comparar com o tsunami de outras épocas. Mas houve uma deterioração clara e o futuro governo já poderá sentir o efeito desta 'herança maldita' do PT. Lula é um bom surfista, e não é um bom administrador.

Lula deu uma entrevista à The Economist onde reclamou muito dos grandes entraves ao investimento, mesmo estatal, no Brasil. Mas qual é o legado administrativo dele sobre este tema que ele conheceu durante sua administração? Nada, absolutamente nada. Não teve coragem de reformar, surfou no bom momento do país e se preocupou com a popularidade momentânea acima de tudo.

E tentaram conciliar um movimento populista de massas com os interesses radicais do partido. Tentaram deixar um legado nefasto, que foi o do PDH3 e outros atentados contra a liberdade no estilo 'assinei e não li'. Entre outros atropelos, este plano se chocava contra valores conservadores da sociedade brasileira. Então agora que não venham chorar sobre o leite derramado.

17 de junho de 2010

Lula = FHC + China

Análise de Carlos Alberto Sardenberg. E vendo como outros países da América do Sul cresceram junto com a 'era Lula', vemos que vale como sempre aquela velha máxima, para melhorar ou piorar a percepção de um governo pela opinião pública: 'é a economia, estúpido'. Porque se Lula é um 'gênio', Alan Garcia também é, Uribe, Tabaré Vazquez...

Até os Kirchners são ótimos administradores, de acordo com uma leitura isolada e rasa de indicadores macro-econômicos. Este caso é o pior de todos, pois é evidente que a República Argentina está sendo desmontada, e com muita dificuldade vai reverter a tendência de 'embananamento'.

O ciclo da taxa de juros tem efeitos desastrosos não apenas na formação de crises, mas também na introdução de distorções políticas. Valoriza os demagogos que convidam o povo para 'dar um rolê' na fase do boom, e sepulta politicamente bons administradores, que por definição são os que sabem tomar as decisões corretas e penosas nas fases de ajustes. É a seleção natural invertida do pior e do mais irresponsável.

A opinião especializada jamais poderia ser engambelada tão facilmente no fenômeno da 'era Lula'. Pois o 'espetáculo do crescimento' se revela um ilusionismo do governo, ou um fenômeno que acontece apesar dele. Mas com pouca capacidade de análise, isolamento cultural com o resto do mundo, muita desinformação lançada pelos institutos e militantes do governo, se consegue milagres...

22 de abril de 2010

Mais Lula x FHC : A estória não contada da dívida pública

Publiquei um post aqui um tempo atrás falando sobre as grandes dificuldades fiscais após o plano real, fato bastante esquecido na nossa história recente. Como resultado do plano real tivemos uma grave crise fiscal e um enorme aumento da carga tributária. As privatizações feitas pelo PSDB precisam ser vistas neste contexto, já que os petistas de carteirinha lançam uma grande campanha de falsificação histórica apontando o 'estado fraco' da era social-democrata. Ora essa. Tivessem os petistas assumido naquela época através do sr. Lula, muito provavelmente teríamos alta inflação até hoje. Pois o sr. Lula mostrou em seu governo o quanto foge das mais mínimas reformas estruturais.

Ao contrário do PT, há de se reconhecer que Fernando Henrique não empurrou com a barriga. Autorizaram competentes economistas (talvez pela primeira vez em muitas décadas) a levar adiante um plano que teria consequências catastróficas para as contas públicas, e que teria que cortar na carne, se desfazendo de empresas e cortando investimentos até que as contas fossem saneadas.

Valeu à pena? É óbvio que sim. O imposto inflacionário é imposto escondido. É o mais insidioso de todos os impostos. Era o maior problema do país nesta época. Melhor reconhecer nossa carga tributária real, que a partir desta época se revelou em torno de 35%, do que ficar fingindo que a carga tributária é baixa, mas deixar o governo e os bancos lucrarem em cima das perdas inflacionárias dos outros.

Os bancos brasileiros também passaram portanto por grave crise, especialmente os bancos públicos. Tiveram que se adaptar para uma situação completamente diferente da qual eles sempre trabalharam.

Em suma, uma série de esqueletos foi retirada do armário nestes anos. E as reformas fiscais deram as condições para que o governo Lula, principalmente em seu segundo mandato, entrasse nessa farra fiscal na qual nos encontramos agora.

Recentemente encontrei este excelente blog

O autor, Amilton Aquino, publicou nada mais que uma série de 10 posts tratando exclusivamente deste importante assunto.

É bom que o país tome conhecimento desta história o quanto antes. A inflação está aí batendo na porta. Os juros alcançaram seu nível mínimo, abaixo do que todos gostariam. Agora, é só para cima. O culpado é o gasto governamental, mas não importa. Vão apontar o dedo em outra direção. O presidente do Banco Central sabe do problema. Mas é tema proibido, portanto não toca no assunto.

A boa situação fiscal do país rapidamente foi comprometida. Os efeitos só serão sentidos daqui a alguns anos. Como todo presidente gastador, Lula entrará para a história amado pelo povo, e detestado por quem vê fatos e números e enxerga as consequências do que ele fez para o futuro do país. Além de ter conduzido uma política externa equivocada e atentado várias vezes contra princípios fundamentais da democracia, deixará uma verdadeira bomba fiscal para seu sucessor. Isso começa a ficar claro recentemente, com vários indicadores de que a gastança chegou ao seu limite.

2 de abril de 2010

Entendendo os anos FHC

Fiz umas pesquisas esta semana tentando reprocessar na minha cabeça o legado dos anos de governo do PSDB com Fernando Henrique. Atacado pela candidatura do PT, é provável que assim como a queima de Roma por Nero, que nunca existiu, a história destes anos seja escrita pelos demagogos do PT, que vieram depois.

Lula teve uma mostra de demagogia quando tentou reformar a poupança, reforma necessária pois a poupança é uma aplicação com retorno fixado por lei desde o império. Não é uma aplicação comum.

Imediatamente, partidos mais demagogos ainda que o PT se lançaram a fazer declarações comparando Lula e Collor, que este iria 'mexer na poupança'. É normal em um país de semi-iletrados que a nossa política tente toda hora confundir a opinião pública, ao invés de esclarecê-la.

Lula teve neste episódio uma mostra de seu próprio veneno. Pois nenhum partido contou tantas mentiras em sua história quanto o PT. Descendentes daquelas ideologias que pregam que para reunir um bando de militantes raivosos vale mentir, inventar estórias, amplificar confusões. São nisto companheiros de métodos dos nazistas e comunistas e dos governos autoritários pelos mundos que dominam seus povos usando falácias e jogos de palavras.

Nisto, havemos de ter mais respeito pelo PSDB. Este partido em sua história raramento mordeu a isca do argumento populista para atacar adversários. Aparentemente o PSDB sempre acreditou que não precisasse explorar a ignorância do brasileiro para ganhar votos. No cenário político brasileiro é uma postura admirável.

O PT por outro lado, lembro bem, fez uma patética campanha junto com Brizola pelo impeachment de Fernando Henrique sem base nenhuma. Sempre bateu na tecla do calote da dívida pública. Ora, se dão um calote na dívida pública interna, não tem mais moeda. Mas estas coisas são técnicas, e os confusos e ignorantes acabam sendo guiados pelos mal-intencionados.

Agora o PT vem bater novamente na tecla das privatizações. Aí vem a minha maior descoberta. Lendo documentos técnicos daquela época, que certamente passaram bem longe do debate público naquela época, deu para ter uma idéia da grave crise fiscal que foi decorrente do plano real.

O plano real acabou com a era da inflação. Isso todo mundo sabe. O que talvez não saibam é que a inflação surge como um 'jeitinho' do estado brasileiro fechar suas contas sem precisar recorrer a novos impostos. Era o chamado 'imposto inflacionário'. Se o estado de SC não tinha dinheiro para pagar sua folha, não tem problema. Atrasavam uns 2 meses e apenas os rendimentos deste montante retido dava uma sobrevida a uma situação fiscal insustentável.

Lendo este excelente texto do BC http://www.bcb.gov.br/htms/public/BancosEstaduais/livro_bancos_estaduais.pdf entendemos porque todo o sistema bancário estadual precisou ser privatizado.

Outro episódio extremamente controverso, que o PT não atacou, talvez por ter também base em São Paulo, foi a enorme dívida estadual paulista federalizada por FHC. Assim como a dos demais estados, todos quebrados graças aos seus problemas fiscais, evidenciados pelo fim da inflação.

Como é de costume, em meia dúzia de canetadas sem muita repercussão na época que eu me lembre, a união securitizou bilhões de dívidas estaduais, em uma situação parecida com a que os EUA eventualmente passe agora.

Também o sistema bancário privado nesta época passou por dificuldades. E o governo federal também. FHC aumentou tanto os impostos quanto Lula. Embora este último tenha sido 'só alegria' na hora de torrar esta grana, enquanto o primeiro realmente precisava solucionar o grave problema fiscal que o país atravessou.

O PSDB não precisaria correr deste debate. Mas como confiar no julgamento da opinião pública brasileira, tão imatura? O partido se acovardou e preferiu não fazer muito alarde sobre estas reformas.

O único chavão que vão repetir, e que é verdade, após esta minha análise, é que o governo deles realmente colocou o Brasil em outra trilha macroeconômica. E Lula colheu os frutos. Uma realidade se mostra para os técnicos e outra bem distinta para a galera, que participa do jogo político sem entender nada.