Vou deixar um palpite aqui que causaria muito, muito mais pânico do que a interferência do governo da China em sua moeda, que realmente existe.
Já pensaram o que aconteceria se as relações comerciais da China com os EUA esfriarem bastante por causa de barreiras comerciais? Digamos uns 5-10 anos lá pra frente. Aí eles não vão ter qualquer incentivo para comprar ou manter sua posição em títulos americanos. Eles já tem comprado outros ativos no mundo todo nos últimos anos, com grande preferência por ativos tangíveis.
Só que eles vão ter que converter rápido 2 tri $ de títulos americanos em outros ativos, principalmente ativos reais, para não levarem um calote americano ou dos outros que vão de embalo atrás da desvalorização. Estou projetando este cenário de beggar-thy-neighbour e de conflito entre os bancos centrais e os governos para uns anos na frente.
Aí imaginem a indignação americana ao ver a américa sendo comprada pelo governo da China, e o repeteco piorado da mesma coisa que aconteceu nos anos 80 com investidores japoneses comprando grandes marcas americanas.
Imaginem que os títulos americanos hoje são em grande parte lastreados por propriedades imobiliárias. Será que quem tem grande parte destes títulos não pode querer trocar pelo colateral sob risco de desvalorização?
Imaginem que políticos americanos façam qualquer coisa que impeça o governo da China de trocar títulos americanos em queda por ativos reais americanos. Imaginem que os outros sigam o exemplo americano, e coloquem legislações como as que vemos no Brasil, que limitem a venda de ativos para estrangeiros, ou até a total proibição.
A China é uma potência militar e econômica, e tudo indica que será mais ainda uma década lá na frente. E todas as vezes na história que uma potência econômica viu seus direitos de propriedade questionados houve tensão militar e geopolítica.
Imaginem os países ao redor da China como Coréia do Sul, Japão, Austrália, sem o poder americano para protegê-los e com um vizinho agressivo ao ver suas reservas de décadas se desvalorizando, uma situação doméstica precária causada pela perda de mercados e de reservas, e um boicote mundial à compra de ativos feita pela China.
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9 de outubro de 2010
6 de agosto de 2010
Empresários brasileiros colhem os primeiros dividendos na Venezuela
Bem feito. Foram para lá com olho grande, lucrando com a destruição da economia venezuelana, e querendo agradar ao fiador de Chávez, Lula. Só que o fiador vai dizer que é um problema de soberania e vai cair fora. E Chávez vai tomar todos os investimentos alegando 'proteção do interesse nacional'. Vender para a Venezuela? Só a vista e em dólar. Como o dólar é só para os amigos de Chávez, os demais pegam taxas elevadas no paralelo. Muitos empresários estão aumentando preços ou saindo do país.
8 de fevereiro de 2010
Probabilidade de calote na dívida pública, segundo CMA Market Data
Estive fazendo umas pesquisas e encontrei o site desta empresa que vende dados financeiros.
Eles desenvolveram um sistema de cálculo chamado Datavision, que fornece, baseado na movimentação do mercado de credit default swap, que é o equivalente do seguro do seu carro, só que para títulos de empresas e do governo. Quando há um problema com alguma empresa, bancos e investidores resgatam seus CDS.
Os CDS estiveram em foco durante a crise. Pois a estrutura em que operam era extremamente frágil, supondo que todos estes eventos de quebras eram isolados. É muito difícil comprar um seguro contra eventos que acabam atingindo o mundo inteiro.
Mas, em todo caso, após a crise os governos de vários países socializaram dívidas imensas de bancos e de instituições para-estatais, como as agências de habitação americanas. Isto teve um grande peso na dívida pública e colocou vários novos países na área de altíssimo risco de calote, encabeçada pelas familiares Venezuela e Argentina.
Infelizmente não é possível acessar dados históricos. Mas a página de cortesia nos fornece uma tabela recente , calculada pelo Datavision.
O CPD, cumulative probability of default, é o número da última coluna, e ele representa qual é a probabilidade do título deste país sofrer um calote nos próximos 5 anos, que é geralmente o prazo médio dos títulos. Aos tradicionais campeões de quebra de contas públicas, se uniram países como Ucrânia e Paquistão, com sérias crises políticas, e Iraque, recém saído de uma guerra.
Por exemplo, o sistema deles associa uma probabilidade de 51% dos títulos da Argentina e Venezuela sofrerem um calote. Um dos calotes soberanos mais recentes foi o do governo do Equador.
Segue a tabela e o link.
Sovereign Risk Monitor
http://www.cmavision.com/market-data
Venezuela 51.73
Argentina 51.13
Ukraine 45.17
Pakistan 45.13
Iraq 35.61
Iceland 33.80
Dubai 31.81
Latvia, 29.24
Greece 29.18
California 25.55
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