24 de abril de 2013

A revolução entra na fase final. E a democracia latino-americana também.

Cruzamento de dados eleitorais com o dos programas sociais, envio de dados governamentais venezuelanos para Cuba, terceirização da emissão de cédulas de identidade venezuelanas para o governo de Cuba, controle da nova polícia secreta bolivariana também com assessoria de veteranos da repressão cubana, controle total da justiça e do órgão eleitoral pelo partido socialista.

Alocação de recursos eleitorais nas zonas majoritariamente chavistas, checagem das eleições em tempo-real e transporte de eleitores para as urnas para 'completar' os resultados - na Venezuela o voto é facultativo.

Manutenção de um exército de cabos-eleitorais do partido custeados pelos programas sociais com o propósito de alavancar a votação, cada cabo-eleitoral sendo responsável arrastar dez eleitores até as urnas - o que no Brasil se chamaria 'voto de cabresto'.



Presença maciça do candidato oficial nos meios de comunicação, e até mesmo na cédula eleitoral. Chantagem com a máquina de benefícios sociais erguida por Chávez - quem ousaria votar contra o governo quando é pago pelo governo?

Isso tudo aconteceu antes da eleição na Venezuela, 'Uma das mais justas do mundo', segundo o agora ridicularizado Jimmy Carter, que, em justiça, se resumiu a monitorar as eleições em 92, quando Chávez ganhava facilmente, apenas vendendo as promessas da revolução.

Muita coisa mudou desde então. A revolução amadureceu, colheu seus frutos, e não cheiram nada bem. A nossa urna eletrônica foi transferida e aperfeiçoada na Venezuela, permitindo controle do processo em tempo real. Mais uma vitória da democracia!

Mesmo com todo o controle sobre o processo, os resultados foram bastante difíceis para o regime, que de certa maneira já havia colocado Maduro como sucessor de Chávez, pois havia passado a prova mais importante, havia sido 'ungido', tanto por Chávez quanto pelos irmãos Castro.

Após as eleições, 260 manifestantes presos. Alguns ameaçados e colocados em celas comuns. Ameaças de demissão de funcionários públicos que não apóiam ao governo.  Recusa do presidente da assembléia nacional venezuelana em deixar a oposição falar no congresso. E este vídeo assustador onde a ministra diz que 'já tem uma cela pronta' esperando por Capriles e que por ser fascista e drogado será RECUPERADO pelo regime bolivariano. Sim, como no regime da Coréia do Norte, como no comunismo soviético, como no pior pesadelo de George Orwell.

Isto tudo acontece em um país vizinho que é apoiado pelo governo do PT e pelos demais governos de esquerda na América Latina, e tolerado por todos os demais governos, que não querem comprar uma briga deste tamanho, desde que este problema permaneça longe de suas próprias fronteiras.

A primeira medida de Dilma foi reunir um conselho com todos os chefes de estado no Peru e garantir que o controverso resultado das eleições na Venezuela não fosse contestado por nenhum membro do grupo. Foram bem sucedidos neste propósito. Não exigiram sequer uma recontagem de votos, e exortaram à oposição Venezuelana à 'respeitar o resultado'.

Ofereceram ao Paraguai e a seu novo governo - também com abundantes denúncias eleitorais, mas que perto da Venezuela seriam consideradas também 'as mais limpas do mundo', o incentivo que se este admitisse a Venezuela no Mercosul e aceitasse Maduro, também não haveria problemas em retornar ao Mercosul.

Nosso governo mostra claramente que daqui para frente está bem em fraudar eleições, já que se vêem os resultados de uma década de governos socialistas e uma crise econômica internacional. Como manter o poder nestas condições? A Venezuela vai primeiro e a Argentina logo atrás. A prioridade do PT brasileiro é preservar a revolução na Venezuela, pouco importando se eleições são manipuladas ou não.

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