16 de março de 2011

Dollar breaks record low against the Yen

Breaking news:

The dollar today reached new lows against the yen, at some moment being traded at 76.3 yen for the dollar, a level never seen on last decades. Strong money flows are going back in Japan from foreign subsidiaries in order to have adequate cash provisions for the reconstruction, and a possible carry-trade unwinding may be adding to the problem. The yen may strengthen in the short term and experience very high volatility.

Update: The trading conditions were very thin, read more on
http://finance.yahoo.com/news/Japanese-Yen-Breaks-to-Record-fxcm-3753720745.html?x=0&.v=1

The puzzling question is how can Japan afford to keep a strong yen given the weak fiscal position of their government. The BOJ will intervene strongly creating trillions of yens on the next days, there are power shortages to persist in the next months, they will be importing materials for reconstruction, and many producers have suffered damages or shut down their plants to save energy.

We give our best wishes to the people affected by this terrible disaster that killed thousands of people and destroyed homes, factories and essential infrastructure. But while its toll in lives is certainly not comparable to, in financial terms there is an even bigger disaster hanging over Japan, which is the man-made disaster of its government record-high debt.

That debt is unsustainable given the prospects of a shrinking population base. All this was known before the tragedy happened. More than half of the japanese budget comes from rolling the debt. They have big saving rates, of course, and everybody knows that. But when a country pays only around 1% interest and still interest payments represent one third of all tax revenue, you see there is a big problem. A mere 3% interest rate and Japan would be broke, using all its tax revenue to roll its debt. On the japanese case, with domestically funded debt, there would be no other alternative than a massive devaluation on the Yen.

Japan will surely handle this nuclear crisis and the reconstruction after the earthquake. Many economists close to the 'broken window' school of economics even claim this is a big opportunity for recovery. Surely it will be a good opportunity for companies in the building and material sector, but for Japan and for the world the net result is obviously negative.

For they will have to spend what they do not have in order to rebuild what they already had. The nuclear power base is going to be reassessed all over the world, and the alternatives will certainly not be cheaper.

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O dólar hoje rompeu um récorde em relação ao iene, sendo negociado por 76.3 ienes por dólar, um nível jamais visto nas últimas décadas. Podemos observar um forte movimento de repatriação de capital em direção ao Japão, com a remessa das filiais estrangeiras para que as matrizes possam fazer caixa para arcar com custos de reconstrução. Há também uma possível reversão dos movimentos de carry-trade que podem estar se compondo a este problema. O iene pode se valorizar no curto-prazo e experimentar altos níveis de volatilidade.

Mas a grande questão no momento é como pode o Japão manter um iene forte dada a frágil posição fiscal de seu governo. O BOJ irá intervir nas próximas semanas como tem feito, criando trilhões de ienes. Teremos racionamentos e cortes de energia, o Japão estará importando matérias primas para a reconstrução, e muitos produtores sofreram danos ou fecharam as fábricas para contribuir com a economia de energia.

Neste momento fazemos votos de solidariendade à população afetada por este desastre terrível, que matou milhares de pessoas e causou a destruição de lares, fábricas e infra-estrutura essencial para o funcionamento de uma sociedade moderna. Mas se o custo em vidas é certamente imcomparável, o custo econômico pode ser maior ainda graças ao desastre ainda maior feito pelo homem, o desastre das contas públicas japonesas.

A dívida pública japonesa entrou em uma situação insustentável para um país com o quadro demográfico do Japão. Tudo isso é bem conhecido mesmo antes do terremoto. Mais da metade do orçamento japonês vem da rolagem dos títulos da dívida. Eles possuem umas das maiores taxas de poupança do mundo, e todos sabem disso. Mas o problema é que quando um país paga apenas 1% de juros em seus títulos, e mesmos assim isto compromete um terço de toda a arrecadação, temos claramente um problema. Meros 3% de juros comprometeriam a totalidade da arrecadação com o pagamento dos títulos da dívida. E quando um país chega a uma situação destas não há outra saída que não seja desvalorizar fortemente a sua moeda.

O Japão vai certamente contornar os problemas desta crise nuclear e realizar com sucesso um grande esforço de reconstrução após este terremoto. Muitos economistas do estilo 'janela quebrada' até mesmo clamam que isto será uma bênção para a recuperação econômica japonesa. Com certeza será uma oportunidade para empresas de contrução e de materiais, mas para o Japão em geral e para o mundo o efeito final é certamente negativo.

Pois o país precisará gastar o que não tem para reconstruir o que eles já tinham antes da catástrofe. A base nuclear do mundo todo será reavaliada em favor de outras alternativas certamente mais caras.

9 de março de 2011

A falível locomotiva chinesa

Esta é mais uma notícia pessimista da série 'notícias que você jamais vai ler no Brasil'.

Uma das razões para o aquecimento da economia brasileira nos últimos anos é a fome chinesa por commodities. Isso todos sabemos. Para construir, precisam de aço. Para o aço, precisam do minério de ferro, e para isso precisam da Vale e das australianas.

O que a nossa imprensa econômica não enfatiza é que a exemplo de várias outras nações após o estouro da crise econômica, a China entrou em um vasto programa de estímulo na área de construção, com o governo mandando os bancos estatais emprestarem bilhões para os mais diversos projetos de habitação e infra-estrutura. Ao mesmo tempo eles estão tendo problemas de super-aquecimento da economia, de inflação, de explosão do crédito imobiliário, problemas estes bastante familiares com os nossos.

Até se lê um pouco sobre os programas de habitação chineses na imprensa nacional. Sabemos que o governo chinês vem restringindo o crédito. Mas sobre o incomparável programa de construção de linhas de trem de alta-velocidade ainda não havia lido nada.

Precisei de um programa do Discovery Channel, elogiando a alta-tecnologia e eficiência do novo sistema, de um feriado de carnaval e do meu desconfiômetro para analisar a experiência chinesa em infra-estrutura, programas de estímulo, e o caminho mais certo para eles se perderem em seu próprio colapso bancário, inteiramente made in China, com sua tradição bem comunista de comando unificado da economia e controle de bancos estatais, enterrando bilhões em cidades-fantasma e projetos ao agrado dos burocratas do partido.

Muitos ocidentais acham que a China é infalível. Alguns acham que eles inventaram um novo sistema. O ocidente já perdeu a superioridade moral, tecnológica e financeira em parte e ao menos simbolicamente. E o esporte favorito do agora humilde observador ocidental é se curvar ao modelo chinês, tanto por admiração pelo supostamente bem-sucedido modelo de comando-e-controle quanto pelo mesmo motivo que os europeus se curvavam aos pés dos imperadores da dinastia Ming, para conseguir concessões e favores dos novos imperadores.

Os americanos tem suas agências estatais de fomento à habitação. Os europeus tem seu falido sistema de bem-estar-social. Os brasileiros tem seu INSS e seu BNDES, suas empresas estatais e para-estatais, que cada vez mais engloba todas as restantes. E os chineses tem seus bancos estatais, seus governos locais se endividando até não poder mais e seus programas de estímulo, investindo em novos brinquedinhos, trens de alta-velocidade, provavelmente já entre os mais avançados do planeta.

Se para algumas coisas o processo decisório das democracias deixa a desejar, para outras ela é uma bênção. O projeto do trem-bala no Brasil foi imediatamente atacado pela imprensa e pela oposição, porque, afinal de contas, não tem cabimento construir uma linha que custa 60 milhões por kilômetro para servir de cartaz de propaganda do governo, enquanto nossas estradas e aeroportos precisam de investimento. Os projetos caem no emaranhado da fiscalização do tribunal de contas, permissões ambientais, que se resolvem com a troca de favores e a pressão do governo. Como o nosso país afinal não é tão democrático assim, o projeto eventualmente prossegue. Só que a China é bem menos democrática que o Brasil, e sequer as críticas são toloradas. A coisa lá se resolve em uma canetada e para o bem ou para o mal não há muita discussão possível. E por isso por lá não apenas uma linha foi construída, mas muitas, todas esperando por passageiros.

Só que neste caso em particular a agilidade é pior para eles a longo prazo. Porque estão erguendo a um custo elevado infra-estrutura que não será usada por muitos anos, com o simples propósito de manter a economia a todo vapor, para manter o comando sobre a população, evitando revoluções e o descontentamentos semelhantes aos que eclodem no oriente médio. O autoritário regime chinês provavelmente precisa de uma alta taxa de crescimento apenas para manter o status-quo.

O passageiro das linhas de alta-velocidade deve ter um poder de compra elevado, deve ser um profissional de alto-valor, bem empregado e que tem como pagar o prêmio envolvido no transporte de alta-velocidade. O profissional paga 50 Euros no bilhete porque para ele uma hora a mais faz diferença. Para quem esta diferença não é tão grande, é possível esperar pelo próximo trem e pagar menos. É assim na Europa, que tem uma grande parte da população com renda suficiente para pagar esse preço extra, logo há um número de empresas de trens de alta-velocidade.

Não é assim no Brasil, e muito menos na China. A expansão de uma rede de trens de alta-velocidade é um destes projetos que jamais foi realizado no intuito de realmente dar lucro e ser sustentável, e sim com o intuito de deslumbrar a população, proporcionar contratos para empresas chinesas, muitas oportunidades de corrupção e de negócios. No final quem vai ficar com a conta são os governos locais da China, que vão dar o calote nos bancos estatais, e, no final, como sempre acontece, o governo de Beijing que aparentemente não tinha nada a ver com isso vai precisar usar seus muitos bilhões de reservas para resolver uma enorme crise financeira interna, inteiramente made-in-China.

No médio prazo a locomotiva chinesa continua forte, puxando a demanda por commodities no rastro de programas estatais de estímulo à economia. Mas este e outros desequilíbrios vão continuar aumentando, até a locomotiva chinesa começar a descarrilhar.

Ao menos eles possuem recursos o suficiente para um resgate de seus bancos. Acredito que ao longo prazo tendem a se consolidar na liderança global. Mas também terão seus tropeços, e ao cair mandarão grandes ondas de choque tanto para os países produtores de commodities como para os EUA, cujos títulos formam a base das resevas chineses.

http://en.wikipedia.org/wiki/High-speed_rail_in_China

3 de março de 2011

O fim do desenvolvimentismo está próximo

No meio de uma mudança de tom no governo, que agora tenta colocar o pé no freio e consertar o estrago que O Chefe fez nas contas nacionais, foi anunciado hoje um movimento na direção contrária, um aporte de 55 bilhões no BNDES, para continuar a linha de crédito que em grande parte comprou os sete pontos de meio de crescimento do PIB que foram anunciados recentemente.

Linhas de crédito que disponibilizam para as empresas brasileiras taxas abaixo da inflação para a compra de equipamentos, expansão de fábricas e outros projetos. O governo bem que tenta o discurso da austeridade. Mas nossa realidade econômica hoje não se sustenta sem estímulos artificiais. O surto desenvolvimentista que tomou o país é um pouco melhor do que o insustentável subsídio americano à habitação que gerou o subprime, porque por pior que seja a qualidade do gasto estatal, ao menos é um gasto em produção. Mas também isso não o livra das mesmas distorções.

Com uma economia completamente viciada nestes estímulos artificiais, o prospecto para as empresas brasileiras nos próximos meses é de grande euforia e forte crescimento. Porém um crescimento de má qualidade, com alto custo pelo benefício e que custará bastante caro no futuro, com a saturação dos mercados anos lá para a frente, sem nem entrar no problema da pressão inflacionária que já se faz sentir agora mesmo.

Um belo dia o tesouro não terá mais 50 bilhões para renovar os programas de estímulos artificiais. Um belo dia empresas brasileiras terão que conquistar mercados e fazer uma venda sem subsídios, e competindo com o mundo todo de igual para igual, sem contar com uma das maiores barreiras tarifárias do mundo. Terão que conquistar mercados externos para recuperar a desaceleração do mercado intero, e o terão de fazer baseados exclusivamente no mérito e no custo-benefício de seus produtos e descobrirão que suas vendas serão uma fração do que foi nos anos de estímulos, nos anos em que 'o melhor banco do mundo' estava operando em velocidade máxima.

Descobrirão que há pouca demanda externa para produtos industriais brasileiros, em geral caros e de qualidade pior. O mercado interno se retrairá, haverá cortes de produção, redução de investimentos, projetos inacabados, muitas demissões, o que retro-alimentará o quadro negativo para as contas nacionais em outras frentes, como o aumento do gasto com seguro-desemprego, e a perda por parte dos órgãos estatais dos recursos do FGTS.

Um belo dia - nada distante - não haverá mais como cobrir déficits da previdência, aumentar SM, aumentar Bolsa-Família e o bolsa-empresário do BNDES, tudo ao mesmo tempo e em progressões geométricas. Caminhamos para um quadro de total falência das contas públicas, e o governo aparentemente sabe disso e busca minimizar o impacto e tentar desarmar este mecanismo, antes que aconteça e promova uma versão tupiniquim do que acontece no mundo árabe. A perda do controle do governo sobre a sociedade é o pior que pode ocorrer para qualquer governo, especialmente este, que provavelmente não planeja se aposentar tão cedo.

Entretanto isto é que pode acontecer, a menos que da cartola do governo periodicamente saiam centenas e centenas de bilhões para cobrir todas estas demandas, ano após ano. Não parece ser o caso nem mesmo agora, já que o BNDES está sendo capitalizado com ações da Petrobrás.

28 de fevereiro de 2011

A punhalada Líbia

Golpe duro para o coronel Gaddafi, o ditador amigo do peito de Tony Blair e Berlusconi, assim como de Chávez e Lula. Recebe de um subordinado notícias do conflito.

'Coronel, o exército nos abandonou'.

Esses traidores. Ainda bem que contratamos mercenários. Não precisamos deles.

'Coronel, os rebeldes tomaram os poços de petróleo e as empresas de petróleo abandonaram suas instalações. Nossos recursos esão acabando'.

Malditos capitalistas. Reclamam quando nacionalizamos a propriedade deles e a abandonam quando aparece qualquer probleminha. Mas isso não importa, vai ser melhor sem eles.

'Coronel, a situação é pior ainda. Os rebeldes estão armados e a poucos quilômetros da nossa base.'

Isto também não é importante. Você não entende? Uma guerra se ganha hoje em dia com diplomacia. Precisamos continuar pressionando as nações amigas para que nos apóiem moralmente. Qual é a nossa posição no cenário internacional?

'Coronel, más notícias. Nossos antigos aliados estão dando declarações contra o nosso governo. E, o pior, Coronel...'

Fale logo!

'Coronel, fomos expulsos do conselho de direitos humanos da ONU!'.

Inconsolável e magoado com esse golpe mortal, o coronel recolhe-se a sua tenda.

21 de fevereiro de 2011

Primeiros malabarismos fiscais

O governo Dilma segue na tradição do chefe e começa seus primeiros malabarismos fiscais para burlar as restrições ao crescimento do gasto estatal. Para injetar uns bilhões a mais de capital na Caixa, aquele banco estatal que coincidentemente perdeu alguns bilhões no caso Panamericano, e enterrar mais uns bilhões no BNDES, o maior banco de desenvolvimento estatal do mundo.

A maneira encontrada desta vez, que deveria dar arrepios no pessoal da esquerda, se os mesmos entendessem algo de finanças, foi repassar a estes bancos ações da petrobrás e eletrobrás para que possam ser vendidas no mercado ou dadas de garantia.

Se o governo então tiver grana, compra de volta estas ações. Mas se o pior acontecer estas ações vão ser liquidadas, o que significa uma diminuição da fatia estatal na Petrobras. Isto coloca um risco de baixa de preço na petrobrás se Caixa e BNDES e Gov. federal tiverem problemas de caixa nos próximos anos, o que parece uma boa aposta.

E o pessoal anti-privatização? Ah, esses estão bem contentes com as atuais 'boquinhas', e celebram mais este avanço do governo Dilma.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=147795

17 de fevereiro de 2011

Efeitos colaterais dos aumentos reais no salário mínimo

“Se me dissessem há 14 anos que o salário mínimo iria dobrar em termos reais e que a taxa de desemprego ia cair de 15% para 7%, eu não ia acreditar” Samuel Pessoa

A constituição de 88 entre outros problemas a longo prazo para o país estipulou que o SM serve para indexar o programa de auxílio a quem jamais contribuiu no sistema de previdência. Isto não é pensão, mas sim caridade estatal (LOAS), e deveria ser sujeita a outros critérios e reajustada de acordo com as possibilidades, e não indexada. É uma quantia bastante elevada, mesmo comparando com a quantia equivalente oferecida em países da Europa.

A outra distorção é o aumento do valor mínimo das pensões do INSS. O camarada pagou 300 R$, mas recebe 500 R$, obviamente não há possibilidade alguma de um sistema desses absorver sucessivos aumentos reais do SM. Como os pensionistas do INSS sabem bem, se a sua pensão é acima de 1 SM os reajustes não são automaticamente indexados ao SM, assim como na economia real o SM não faz diferença para aquelas áreas acima do SM, e apenas serve para destruir vagas formais de emprego abaixo do SM. Qualquer economista sério sabe o efeito do SM na economia, e porque os sindicatos curiosamente se preocupam tanto com ele, já que seus membros ganham acima do SM.

A famosa frase do Samuel Pessoa eu leio assim: se me dissessem há 14 anos que o Brasil ia entrar na bolha econômica mundial e ia poder pagar por tudo isso durante algum tempo, eu também não iria acreditar. O governo Dilma está obviamente limpando o lixo tóxico que o chefe deixou e se preparando para o pior. Porque o Brasil seria apenas mais um país em crise fiscal caso sejamos surpreendidos pelos desenlaces da crise mundial, caso nada seja feito agora. E eles sabem que nessa situação a popularidade despenca tão rápido quanto subiu.

5 de fevereiro de 2011

Quem vai alimentar o Egito?

Gostei muito deste artigo do Huffington Post:

Hoje o mundo se pergunta quem irá dominar o Egito. Amanhã perguntará, quem irá alimentá-lo. Porque independente de qual seja a facção que emerja vitoriosa da luta pelo poder, terá de alimentar uma população completamente dependente de trigo importado e de programas de subsídio de compra de comida. E isso não será tarefa fácil.


http://www.huffingtonpost.com/robert-walker/who-will-feed-egypt_b_816495.html

Não será tarefa fácil, porque o sistema de subsídios deve ter distorcido completamente o setor agrícola deles, e o aumento do preço do trigo no mercado internacional impacta diretamente o orçamento do governo. É como se o benefício de um salário-mínimo que se paga no Brasil dependesse de uma variável externa fora do controle do governo.

Aqui o estado se mantém no poder dando dinheiro, e lá dando pão, em uma situação de pobreza já bem diferente da situação brasileira. Se o estado falhar por causa de crises políticas e incapacidade de rolar sua dívida, a população tem o subsídio removido de uma hora para a outra, e deixa de pagar de 4 a 6 vezes menos e passa a pagar o preço real do produto.

Pior ainda, se o país quebrar completamente e não tiver recursos para importar os alimentos que mantém o status-quo por lá há décadas. Nenhum exportador de trigo vai embarcar o produto sem pagamento antecipado, e milhões de pessoas vão morrer de fome por causa da rapidez de desmoronamento destas políticas.

http://www.nationmaster.com/graph/agr_gra_whe_imp-agriculture-grains-wheat-imports

Temos muitos outros países na mesma situação. Iraque, Cuba, Iêmen, Tunísia, Jordânia.

http://www.nationmaster.com/plot/agr_gra_whe_imp_percap-grains-wheat-imports-per-capita/eco_gdp_percap-economy-gdp-per-capita/peo_pop

2 de fevereiro de 2011

A revolução da tecnologia

Se está comentando muito o efeito que as redes sociais estão tendo na política em face aos protestos no norte da África. Tanto nas sociedades democráticas quanto nas autoritárias a tecnologia está mudando as regras do jogo. Podemos apostar que um dos temas caros ao governo este ano será como 'regular' este novo mundo, e evitar que mobilizações políticas apareçam do nada e se multipliquem em dias, e ameacem o status quo.

Este é um tema sobre o qual absolutamente todos os governos se debruçam. Porque todo governo possui por natureza uma imensa vontade de auto-preservação, acima de qualquer outra consideração. Desde os países autoritários que, como o Egito, chegam a desligar serviços de comunicação, passando pela China, que busca usar tecnologia para vigiar eletronicamente seus cidadãos, Europa e EUA que buscam fazer um cordão de isolamento aos novos movimentos políticos, e punir exemplarmente episódios tais como os dos hackers do WikiLeaks, e, finalmente, Brasil e outros emergentes no meio do caminho entre autoritarismo e democracia, que buscam seduzir grandes e pequenos a entrarem no jogo oficial, usando a justiça para reprimir o livre direito à informação, porém tentando manter as aparências e evitando proibições e outras medidas drásticas.

Governos de emergentes como Rússia, Brasil e China são bastante caros à pratica de manter meios de comunicação oficiais camuflados na internet, pagos por baixo dos panos com verbas públicas ou do partido para dar a aparência de um autêntico movimento político, e servindo de válvula de escape ao radicalismo em suas organizações.

Existe hoje tecnologia suficiente sob controle dos governos mais atualizados em tecnologia que permite vasculhar a internet, buscando, por exemplo, pedófilos e criminosos eletrônicos. Mas o carro-chefe destas tecnologias é a busca de informações que podem levar à prisão de esquemas de pedofilia.

Pois bem, exatamente estes mesmos equipamentos, usados para o bem, mas sob os quais não se faz muito controle, poderiam ser usados tranquilamente para a espionagem política. Diria até que isto já está acontecendo em estágio avançado no nosso país.

Mas da mesma maneira que os criminosos, grupos políticos de oposição na internet podem também usar ferramentas de tecnologia que evitam o escrutínio do crescente aparato de vigilância eletrônica. É um jogo de gato-e-rato, uma verdadeira corrida armamentista nas tecnologias de comunicação.

27 de janeiro de 2011

A herança social do bravateiro

Na Folha de São Paulo:
Mudança na Oi dá alto ganho a acionistas
Em um dos negócios mais rentáveis do setor, fundos de pensão lucraram 85% ao revender suas ações à Portugal Telecom
O ingresso da Portugal Telecom no bloco de acionistas controladores da Oi deu aos sócios brasileiros da tele um dos negócios mais rentáveis vistos no setor.
Os fundos de pensão estatais Petros (dos empregados da Petrobras) e Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal) lucrarão 85%, descontada a inflação.
(...) O negócio foi ainda mais rentável para os grupos La Fonte (Jereissati) e Andrade Gutierrez, que têm o controle da gestão do grupo Oi.
(...)

Comento: Nessa república sindical-fisiologista o bravateiro altera a lei para concretizar o negócio e encher o bolso dos amigos e do filho, conhecido como "Ronaldinho".

24 de janeiro de 2011

Protecionismo dificulta pesquisa tecnológica no Brasil

Estado: Pesquisadores dizem que o sistema de importação do CNPq, o Importa Fácil, é difícil.

Presidente do CNPq:

Estamos tomando medidas para mudar isso. O Importa Fácil tem etapas e, se você estiver treinado nessas etapas, é fácil. O único problema é que só pode ser feita a importação pelos Correios. Se tiver treino e não esquecer nenhum papel, é fácil. Estamos preparando um curso de educação à distância, de no máximo uma hora, para ensinar a fazer uma importação. Mas fazer importação no Brasil é, muitas vezes, mais difícil que nos Estados Unidos. Isso porque temos uma lei de 1990 que dá isenção de taxas e impostos à importação para pesquisa. Se por um lado é bom, porque te permite comprar mais coisas com o mesmo dinheiro, é a razão de tanta burocracia. Nos EUA não tem dispensa de imposto. Por isso há empresas especializadas em importar para fornecer material aos pesquisadores.


http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,e-preciso-promover-pesquisa-nas-empresas,669760,0.htm

Comento:

Muito da nossa burocracia se explica pelo protecionismo brasileiro. Para estimular a indústria eles colocam uma muralha em volta do país, e assim somos sempre os últimos a adotar as novas tecnologias, os últimos a ficar sabendo, e no final os que pagam mais caro por ela.

Isto atinge o astrônomo amador, o fotógrafo, o cientista do CNPq, o viciado em tecnologia que desenvolve aplicativos e quer obter sempre os últimos gadgets, que por aqui são tarifados abusivamente.

E afeta até mesmo as próprias indústrias abaixo da cadeia que precisam comprar de fornecedores locais máquinas e componentes piores e mais caros, ou então pagar os impostos abusivos e empregar gente cuidando de importação de componentes, e lidando com as inúmeras surpresas da receita federal.

Este sistema afeta todo mundo, na verdade, até chegar ao consumidor final que compra um produto com tecnologia de 5 anos atrás recém lançado no Brasil pagando o dobro do preço lá de fora. É um sistema que não funciona e que funciona particularmente mal na área de tecnologia.