Para entender melhor a guerra cambial e a desvalorização competitiva, recomendo fortemente a leitura destes artigo do Peter Schiff, com tradução do Mises Brasil.
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=800
Mostrando postagens com marcador COMERCIO EXTERIOR. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COMERCIO EXTERIOR. Mostrar todas as postagens
6 de outubro de 2010
17 de maio de 2010
Euro fraco? Bom para os exportadores alemães.
Estava ontem ouvindo mais uma excelente análise do Peter Schiff no YouTube, em que ele comentou o provável caminho de desvalorização do euro, a monetização da dívida pública, termo técnico que descreve o processo de venda de títulos públicos bancados principalmente por 'compras' do banco central, prática conhecida popularmente como 'imprimir dinheiro'. Falou sobre 'moral hazard' e ressaltou que no final a sociedade inteira paga pelas perdas de terceiros, ao ter sua riqueza roubada pela inflação resultante de uma política de relaxamento monetário.
O BCE acenou para esta possibilidade ao garantir que aceitará como colateral, independente de fundamentos, títulos gregos, portugueses e demais títulos de governos europeus. Dizem as leis econômicas, ou melhor, diz o bom senso, que diante desta possibilidade, todos os bancos da Europa vão depositar tantos títulos podres quanto for possível debaixo da asa do BCE.
Mas, pensemos agora, qual será o efeito de um euro fraco para a Europa, dados os fundamentos econômicos dos países-membros? Será que a economia da Grécia vai se beneficiar a curto prazo com um euro fraco? Pode até ser, mas os fundamentos econômicos deste país não vão se alterar significativamente por causa disso. Porque a Grécia não possui tantas exportações, embora seja muito forte no trasporte marítimo. Por outro lado, a Grécia depende bastante do fluxo de turistas, que em sua maioria são provenientes da zona do euro.
Já a Alemanha é um dos maiores exportadores do mundo, e que por causa de sua produtividade maior, é tanto o principal exportador europeu quanto o maior 'exportador' para o mercado interno europeu. Alemães sempre pagaram preços menores na UE, por terem uma disponibilidade maior e mais competitiva de produtos de qualidade. Quem tem parentes ou amigos morando na Alemanha pode comprovar isso na prática.
Na prática o euro na Alemanha em termos de poder de compra sempre valeu uns 10% a mais. E na Espanha, Irlanda, Portugal, uns 20% a menos. É quando a realidade começa a entrar em choque com as hipóteses de mobilidade de produtos, empresas e mão-de-obra que os economistas assumem válidas na união monetária...
Resumindo, até agora a Alemanha foi a locomotiva da Europa, com grande exportação de produtos de alto valor agregado, como máquinas industriais. Este é um setor que se contrai bastante em uma crise, pois está mais distante de produtos finais na estrutura de produção. Mas a queda do euro vai efetivamente estimular este setor, bem como outros setores exportadores da Alemanha.
Alguns comentaristas apontaram que haverá deflação forte pela primeira vez na Espanha, Grécia. Isto é verdade. Mas não estou convencido que o pacote seja tão deflacionário assim. Porque precisamos ver o que vai acontecer com a oferta de crédito na Alemanha e outros países do centro. Se durante a fase de fundação do euro o crédito saiu do centro para o sul da Europa, agora é provável que este crédito invista mais nos países do centro, bem como nos mercados emergentes.
O sul da Europa teve seu maior influxo de capital em décadas. De agora em diante é só aperto para eles.
11 de março de 2010
Uma vitória que é uma verdadeira derrota
O leitor do Globo Adolfo Sachsida escreveu uma análise lúcida e bem embasada do episódio da retaliação comercial autorizada pela OMC e implementada com gosto pela CAMEX, com apoio ideológico tanto do governo, que não perde uma chance de aparentemente se opor aos EUA, quanto dos 'sindicatos de empresários', que não perdem uma chance de se livrar da competição estrangeira através de tarifas.
Esta medida provavelmente seja mais simbólica do que qualquer outra coisa, já que a importação de produtos americanos hoje é pequena. Mas é sempre bem-vinda a discussão sobre este tema, que não lembro de ter visto em outras ocasiões. Parte da opinião pública está mais informada quanto a este tema, muito mais do que os comentaristas pagos para isso, embora a maioria dos comentários do Globo mostram que o nível intelectual do brasileiro continua beirando o chão.
Eles não entendem que, na 'retaliação contra os EUA', os punidos são eles mesmos. O governo americano ferra com o consumidor americano e com o produtor de algodão brasileiro para proteger o mercado do poderoso lobby do algodão americano. E em 'retaliação', o governo brasileiro ferra com o consumidor brasileiro, e ferra com produtores americanos de produtos escolhidos a dedo pelos industriais brasileiros.
Antes de mais nada, dois efeitos perversos gratificam o 'Brasil' que realmente se deu bem nesta operação. O governo do Brasil arrecada mais impostos. E o empresário protegido também se dá bem. O consumidor se ferra, mas ele é só um idiota que está torcendo nesta briga lá da arquibancada, com uma bandeira do Brasil na mão. Ele vibra com cada golpe que "o Brasil" dá na cara dele mesmo, para castigar o exportador americano por tabela.
Agora, se estes incentivos não são nada nobres e são efeitos colaterais da guerra de tarifas, qual seria então a justificativa racional? Que o McDonalds se torne mais poderoso do que o lobby do algodão nos EUA e cancele suas políticas porque seu molho ficou mais caro? É óbvio que isso jamais vai acontecer. Se tem alguém que deveria ser retaliado é o lobby do algodão, mas isso não é fácil.
A lista de produtos até tenta conectar essa cadeia, e coloca na lista produtos 'derivados de algodão'. Mas, e daí? O Brasil não importa estes produtos.
E, no final das contas, o governo americano sempre poderá dizer que, na média, os impostos sobre produtos importados são bem, bem menores do que os do Brasil. Os consumidores americanos são os mais privilegiados do mundo. Basta ver os preços por lá para comprovar isso. É capaz até de produtos brasileiros custarem menos lá do que aqui.
Não tem país do mundo que eu conheça que iguale o Brasil em tarifas absurdas de importação como estas de 30%, 60%, 100%. Isso não existe mais no mundo. Na média, é 20% de tarifa. Sem falar que os países ricos formam blocos de comércio, e possuem acordos de tarifas, muito mais do que esta piada que é o Mercosul, o nosso anti-bloco comercial. Estes órgãos todos não tem autoridade nenhuma para decidir que 'o Brasil não precisa' de tal e tal produto, jogando alíquotas nas alturas. Mas infelizmente o brasileiro, sem o saber, é um escravo feliz e fica do lado do seu patrão: industriais e governo, parceiros na fazendinha.
Por exemplo, todo este chilique contra investidores estrangeiros "tomando o NOSSO BRASIL", toda esta retórica patética nada mais é do que um chega-pra-lá da elite política e econômica nacional, dizendo para o estrangeiro nem tentar vir para cá roubar os nossos escravinhos, pois esta fazenda tem dono. O escravinho vibra de emoção ao ouvir este discurso. E se o demagogo disser para ele que o americano malvado quer explorar ele, é bem capaz dele acreditar.
Estes estrangeiros aumentariam a demanda por mão-de-obra, mudariam as regras estabelecidas do jogo. Botariam pavor no empresariado nacional acostumado com esquemas e regalias. Assim como a Azul está fazendo, por causa de um detalhe técnico (seu fundador nasceu no Brasil).
Mas em qualquer assunto que divida EUA e Brasil, sempre será possível ao político oportunista 'jogar para a platéia' e tomar uma posição contra EUA. Sempre haverá uma penca de doutrinados terceiros-mundistas para aplaudir. Só que agora que o Brasil pretende ser um país sério e parte do jogo mundial de poder, não dá pra tomar posturas como essa. Porque às vezes contrariar os EUA é a posição correta e outras vezes significa ser contra o consumidor brasileiro, ser a favor de ditaduras, ser contra os direitos mais básicos.
Assinar:
Comentários (Atom)