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1 de julho de 2010

A natureza intocável - ou não, depende.

Como já era de se esperar, o projeto de Eike Batista em Santa Catarina esbarrou em licenças ambientais. As lideranças políticas locais podem abrir todas as portas e pressionar a Fatma para aprovar o projeto. Mas o governo federal possui também seu instituto, o ICMBio, em mais um episódio de funções duplicadas e intervenção federal nos estados.

O ICMBio aponta os possíveis danos às espécies de botos e golfinhos, e possíveis perdas para a indústria pesqueira e turística local.

Esse é o problema com o modelo de 'natureza intocável' dos ecologistas. Não há cálculo econômico, e a um 'possível dano' é atribuído valor infinito. Mesmo que o possível dano seja de atividades que trazem muito menos recursos. E as considerações aos animaizinhos tem sempre prioridade.

Já nos países autoritários, onde os projetos são tocados pelo deus estado, geralmente é dado valor zero aos possíveis danos ambientais e dane-se pescadores, animaizinhos e população local.

O valor verdadeiro do dano ambiental, ninguém sabe, ninguém quer saber. Digamos que o dano seja estimado em 100.000 R$ por ano, e a empresa se comprometa a investir 10x mais para compensar os prejudicados. Mas não, desta solução ninguém quer saber. É mais uma questão política e burocrática. Aí um belo dia uma ligação chega uma ligação do Planalto ao ICMBio e pronto, projeto aprovado.

Assim parece ser a lógica das autarquias ambientais. Vamos ver se estas autarquias vão ser tão severas com o 'pré-sal' da PTrobrás, apesar do vazamento em águas profundas da BP estar estampado nos jornais.

17 de março de 2010

Um investimento de porte

O bilionário brasileiro Eike Batista se prepara para fazer um grande investimento na região de Biguaçu, e provavelmente será o fato de maior repercussão econômica da região da grande Florianópolis em muito tempo.

Entretanto, investidores estrangeiros estão cautelosos. A oferta inicial de ações teve seu preço-alvo abaixado. Como é possível que uma área saturada no mercado mundial, como a de estaleiros, possa ser um bom investimento?

Este analista do MSN money explica porque:
http://articles.moneycentral.msn.com/Investing/top-stocks/blog.aspx?post=1674498

Em suma, a OSX, mesmo antes de sair do papel, já terá contratos garantidos das gigantes Vale e Petrobrás, com grande influência do governo e do BNDES para encher a agenda da OSX de encomendas. Um típico capitalismo brasileiro, este de Eike.

Em todo caso, se o Brasil perderá com mais essa - mas na crença geral, ganhará, a nossa região certamente ganhará, e muito. Não é o caso de jogar água fria, pois a economia da região certamente vai decolar.

Mas olhando fora do nosso pequeno mundinho, há alguns problemas sérios com a idéia de fundar um estaleiro no Brasil. O mercado internacional nesta área está saturado, atingindo o pico antes da crise mundial. As encomendas para cargueiros de minério e petróleo estavam lotadas por vários anos.

Nesta época deve ter soado o alarme na sala dos planejadores econômicos do governo, e eles decidiram que deveria ter fabricação de barcos de grande porte no Brasil e fim de papo.

Agora, a coisa é bem diferente. Uma das maiores bolhas antes da crise estourar foi a do transporte mundial, que pode ser medida com o Baltic Dry Index. O número de navios de grande porte que fazem o comércio mundial é relativamente pequeno. Leva vários anos para fazer um cargueiro destes, e então a área era um dos indicadores da crise.

Depois do estouro, o preço do transporte caiu, e os estaleiros começaram a ter problemas. É uma área extremamente sujeita ao ciclo monetário, pois é um bem de capital envolvido no transporte de uma matéria prima, ou seja, lá no começo da cadeia produtiva.

Então, o problema das encomendas está resolvido. Há demanda interna e a OSX aparentemente será capaz de mexer os pauzinhos para que estes contratos fiquem por aqui.

Sabendo que na região não há profissionais desta área, apenas construção de barcos menores em Itajaí, a OSX pretende contar com assessoria técnica da Hyundai coreana. A Coréia do Sul concentra os gigantes deste setor. Eles já pensaram em tudo.

Em uma tentativa anterior de passar contratos da Petrobrás para estaleiros no estado do Rio, a coisa se converteu naquela clássica piada bastante contada no Brasil: 100 pra mim, 100 pra você e 100 para o 'coreano' fazer o serviço...

O empreendimento de Eike Batista até pelo porte não é deste tipo. Sabe que ajuda e influência estatal pode inflar suas velas, mas não para sempre. Espero sinceramente que este empreendimento, a exemplo dos 'chaebol' coreanos, possa se livrar da sina fatal que geralmente ronda qualquer empreendimento que surge como oportunidade política mais do que de mercado.